Herdeiro da Cartier é condenado a 8 anos de prisão nos EUA, após descoberta do FBI

Maximilien de Hoop Cartier é acusado de lavar mais de US$ 470 milhões provenientes do tráfico de drogas

O herdeiro da Cartier, Maximilien de Hoop Cartier, foi condenado em um tribunal federal nos EUA por lavagem de dinheiro e conspiração para cometer fraude bancária. A promotoria revelou detalhes do esquema e a quantia milionária desviada por Max.

O descendente da dinastia fundadora da joalheria de luxo Cartier, Maximilien de Hoop Cartier, 58, foi condenado a oito anos de prisão, na terça-feira (28), em um tribunal federal de Manhattan, nos Estados Unidos. Ele confessou que administrava uma corretora de criptomoedas não licenciada, responsável pela lavagem de mais de US$ 470 milhões (R$ 2,3 bilhões) provenientes do tráfico de drogas.

Residente na França e com passaporte argentino, Maximilien também se declarou culpado por fraude. De acordo com a promotoria, ele realizava as operações sem ter ao menos licença, o que configura crime de conspiração para cometer fraude bancária. O herdeiro canalizava o dinheiro através de uma rede de empresas de fachada nos EUA, disfarçadas de falsos empreendimentos de software e tecnologia antes de enviá-lo para a Colômbia.

Entre elas, foram listadas Bullpix Solutions, Softmill LLC e VC Innovated. As empresas existiam unicamente para receber e transmitir dinheiro do tráfico internacional de drogas, convertendo a criptomoeda dos narcotraficantes em moeda forte.

Apelidado de “Célula Cartier” pelas autoridades federais, o esquema teria começado em 2018 e consistia no trabalho de Maximilien em criar contratos e faturas falsificados para despistar as instituições bancárias, garantindo aspecto de legitimidade aos negócios. As transações eram fragmentadas para que os valores não chamassem a atenção da fiscalização.

O herdeiro da marca é cantor e se apresenta com o nome artístico Max Cartier (Foto: Reprodução/Instagram)

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Durante as investigações, um agente disfarçado do FBI ouviu Max dizer que ele considerava um hotel de Nova York como “sua segunda casa”, pois era lá onde fazia sua base para lidar com os clientes de criptomoedas, advogados e bancos.

Em 2021, agentes da DEA – agência antidrogas do governo norte-americano – apreenderam cerca de US$ 940 mil (R$ 4,6 milhões) na conta do herdeiro. O dinheiro foi relacionado ao lucro de operações secretas do tráfico de drogas. Max tentou se livrar da acusação apresentando registros comerciais falsificados ao escritório do Procurador dos EUA na Pensilvânia. Ele conseguiu recuperar parte do dinheiro, mas a continuidade da investigação acabou concluindo os crimes cometidos por ele.

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O herdeiro da Cartier foi condenado a pagar US$ 2.362.160 (R$ 11,8 milhões) em confisco — sua parte na operação de lavagem de dinheiro — e a perder inúmeras contas bancárias de empresas de fachada. O procurador dos EUA, John Clayton, concluiu que Max “explorou seu conhecimento dos sistemas financeiros dos EUA e internacionais para lavar dinheiro do tráfico de drogas e outros lucros do crime”.

Maximilien também é cantor e se apresenta com o nome artístico Max Cartier. Nas redes sociais, ele divulgava, principalmente seus trabalhos musicais. A marca de joias é controlada pelo grupo suíço de luxo Compagnie Financière Richemont SA, que virou proprietário da Cartier em 1993.

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