Jeffrey Epstein: Documentos revelam que bilionário tem CPF ativo no Brasil e o que ele chegou a cogitar

Nova leva de arquivos divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA aponta que Jeffrey Epstein obteve inscrição na Receita Federal e chegou a cogitar cidadania brasileira

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA indicam que Jeffrey Epstein teve CPF registrado no Brasil em 2003. Os arquivos também mostram que o empresário discutiu a possibilidade de obter cidadania brasileira.

Os “Arquivos Epstein” trouxeram novas revelações sobre o bilionário condenado por tráfico e abuso sexual de menores. Nesta quinta-feira (12), após a divulgação de uma nova leva de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), veio à tona a informação de que Jeffrey Epstein possuía um CPF registrado no Brasil.

A informação consta em uma pasta intitulada “Arquivos diversos”, que reúne dados variados sobre a vida e os negócios do empresário. Segundo o g1, foi registrado, em 2003, na Receita Federal, um CPF em nome de Epstein, com a data de nascimento de 20 de janeiro de 1953.

Procurada pelo portal, a Receita Federal informou apenas que a possibilidade de estrangeiros solicitarem inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) está prevista na Instrução Normativa nº 2.172/2024. De acordo com as regras, estrangeiros sem residência no Brasil podem requerer o documento diretamente ou por meio de procurador com autorização legal para representá-los judicialmente.

Apesar de confirmar a previsão legal, o órgão destacou que informações ou medidas relacionadas ao CPF de pessoa estrangeira falecida — como é o caso de Epstein — não podem ser solicitadas por terceiros. O acesso é restrito a dois casos: o inventariante, cônjuge, companheiro ou sucessor legal, caso haja bens a inventariar no Brasil; ou a cônjuge, companheiro, parente ou beneficiário de pensão por morte, na ausência de bens no país.

Nos documentos divulgados pelo DOJ, também foi revelado que Epstein chegou a cogitar a possibilidade de obter cidadania brasileira. O tema surgiu em conversas com a empresária e investidora alemã Nicole Junkermann, citada em diversos registros ligados ao caso.

Em uma troca de e-mails de outubro de 2011, Junkermann questionou se ele já havia considerado essa opção. “Ideia interessante, mas os vistos podem ser um problema ao viajar para outros países”, respondeu o bilionário.

Os “Epstein Files”, que incluem imagens, vídeos e documentos sensíveis, vieram a público após meses de debate no Congresso dos EUA. O presidente Donald Trump — que manteve relações sociais com o empresário no passado e aparece citado em parte dos documentos — resistiu à divulgação integral do material. Sob pressão política, Trump assinou, em 20 de novembro, um projeto de lei determinando a liberação dos arquivos.

Nos últimos meses, o Departamento de Justiça tem disponibilizado o material de forma gradual. Apenas na semana passada, mais de 3 milhões de documentos foram tornados públicos.

Trump e Epstein se conheceram no final da década de 1980. (Foto: Getty)

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Histórico

O escândalo envolvendo Epstein teve as primeiras denúncias formais em 2005, quando a polícia de Palm Beach, na Flórida, iniciou uma investigação por abuso sexual de menores. À época, ele negou as acusações, alegando que os encontros foram consensuais e que acreditava que as vítimas tinham 18 anos.

Anos depois, Epstein foi condenado por crimes relacionados a exploração sexual e tráfico humano. Entre 2002 e 2005, ele recrutou mais de 200 adolescentes para atos sexuais. Em 2008, declarou-se culpado de acusação estadual por exploração de menores, firmou um acordo judicial, cumpriu 13 meses de prisão e pagou indenizações às vítimas.

Contudo, em fevereiro de 2019, um juiz distrital da Flórida considerou o acordo ilegal. No mesmo ano, Epstein foi novamente preso e acusado formalmente de operar uma rede de exploração e tráfico. As investigações apontaram que ele pagava centenas de dólares para que meninas fossem até suas propriedades e realizassem favores sexuais, além de incentivá-las a recrutar outras jovens.

Há ainda relatos de dezenas de vítimas que teriam sido levadas à chamada “Ilha de Epstein”, no Caribe, para prestar serviços sexuais a ele e a convidados. Episódios semelhantes teriam ocorrido em residências mantidas por ele em Nova York, na Flórida e no Novo México. Segundo o governo dos EUA, mais de 250 meninas menores de idade foram exploradas sexualmente pelo bilionário.

Imagens divulgadas pelo Partido Democrata revelam intimidade da residência de Epstein em ilha no Caribe. (Foto: Divulgação/Comitê de Supervisão e Reforma Governamental dos EUA)

Epstein foi encontrado morto na prisão, em agosto de 2019, após tirar a própria vida. Dois dias antes, ele havia assinado um testamento que destinava seu patrimônio estimado em mais de US$ 577 milhões.

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