Detalhes sobre a morte de Jeffrey Epstein vieram a público após mais uma leva de documentos oficiais sobre o bilionário serem divulgados. Um dos guardas responsáveis por vigiar o financista pesquisou notícias sobre ele pouco antes de seu corpo ser encontrado na cela. A informação estava em registros do FBI, segundo a People neste domingo (7).
De acordo com os documentos do Departamento de Justiça, a agente penitenciária Tova Noel fez duas buscas no Google por “notícias recentes sobre Epstein na prisão”. As pesquisas ocorreram uma hora antes do empresário ser encontrado morto no Centro Correcional Metropolitano de Nova York, em 10 de agosto de 2019.
O histórico mostra que Noel realizou a primeira busca às 5h42 da manhã, no horário local, e repetiu o mesmo termo apenas dez minutos depois, às 5h52. Antes de procurar informações sobre Epstein, o histórico de navegação da guarda indica que ela havia pesquisado itens de móveis para compra na internet.
Já por volta das 7h da manhã, foi feito um telefonema informando que Epstein havia sido encontrado enforcado em sua cela.
Na época, o financista aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. Ele foi encontrado inconsciente pelos agentes penitenciários, em parada cardíaca, e levado a um hospital, onde teve a morte confirmada. Epstein tinha 66 anos e o caso foi oficialmente classificado como suicídio por enforcamento.

Após a morte do criminoso, Tova Noel e outro guarda responsável pela vigilância do detento, Michael Thomas, chegaram a ser detidos. Os dois foram acusados de falsificar registros de monitoramento, já que deveriam verificar o prisioneiro a cada 30 minutos, conforme uma acusação formal citada anteriormente pelo The New York Times.
A investigação apontou que os funcionários teriam cochilado e navegado por itens à venda na internet, em vez de cumprir as rondas obrigatórias entre 22h30 e 6h30. As câmeras de segurança mostraram que ninguém entrou na ala onde Epstein estava sozinho durante esse período.
As acusações contra Noel e Thomas acabaram sendo retiradas em 2021. Ainda assim, o episódio continuou cercado de questionamentos. Durante depoimento sob juramento ao Departamento de Justiça naquele mesmo ano, Noel negou qualquer envolvimento na morte do prisioneiro e afirmou não se lembrar de ter pesquisado seu nome na internet. “Não me lembro de ter feito isso”, declarou, conforme uma transcrição obtida pelo jornal estadunidense. Ela reafirmou ainda: “Não me lembro de tê-lo procurado”.
Os documentos divulgados fazem parte de uma série de registros liberados após o Congresso aprovar, em novembro de 2025, a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, que determina a divulgação de materiais ligados à investigação. Os registros, no entanto, estão sendo expostos de forma gradual pelo governo Trump, e com trechos censurados para remover diversas informações.
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