Juliana Marins: Peritos dão novos detalhes dos ferimentos e estimam horário do óbito: “Morte sofrida”

Nova autópsia revela que brasileira sobreviveu por mais de um dia após queda no Monte Rinjani e teve morte dolorosa

Nesta sexta-feira (11), especialistas detalharam o resultado da segunda autópsia do corpo de Juliana Marins, brasileira que caiu em um penhasco no vulcão Rinjani, na Indonésia. De acordo com os peritos, Juliana sobreviveu por cerca de 32 horas à espera de resgate, mas teve uma morte agonizante. As conclusões foram apresentadas em coletiva de imprensa com a presença da família, na sede da Defensoria Pública do Rio de Janeiro.

Juliana desapareceu no dia 20 de junho, durante uma trilha no Monte Rinjani, o segundo maior vulcão do país asiático. Relatos iniciais apontavam que ela teria sobrevivido por até quatro dias após a queda, informação agora negada pela perícia brasileira.

Segundo o médico-legista Nelson Massini, responsável pela nova análise, evidências indicam que Juliana morreu por volta do meio-dia de domingo, 22 de junho — o que corresponde ao início da madrugada no Brasil. Ainda de acordo com o especialista, a publicitária não teve uma morte instantânea: após a última queda, ela teria agonizado por aproximadamente 10 a 15 minutos. Exames apontaram sinais de “grave dificuldade respiratória”.

A estimativa do tempo de morte foi feita a partir da análise do desenvolvimento de larvas encontradas no couro cabeludo de Juliana, cujos ovos são depositados no corpo humano somente após o óbito. “A gente sente muito, porque foi uma morte muito sofrida, de muita agonia”, lamentou Massini.

Juliana Marins esperou por socorro durante quatro dias. Ela foi encontrada sem vida. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

As conclusões brasileiras contradizem diretamente a primeira perícia feita pelas autoridades da Indonésia. No final de junho, em entrevista à BBC, o legista Ida Bagus Alit declarou que Juliana teria morrido na quarta-feira (25), pouco antes do resgate.

O perito indonésio descreveu o estado do corpo: “Encontramos arranhões e escoriações, bem como fraturas no tórax, ombro, coluna e coxa. Essas fraturas ósseas causaram danos a órgãos internos e sangramento. A vítima sofreu ferimentos devido à violência e fraturas em diversas partes do corpo”.

Continua depois da Publicidade

Segundo Alit, os sinais clínicos sugerem que a morte teria ocorrido logo após os ferimentos:“Havia um ferimento na cabeça, mas nenhum sinal de hérnia cerebral. A hérnia cerebral geralmente ocorre de várias horas a vários dias após o trauma. Da mesma forma, no tórax e no abdômen, houve sangramento significativo, mas nenhum órgão apresentou sinais de retração que indicassem sangramento lento. Isso sugere que a morte ocorreu logo após os ferimentos”.

A autópsia oficial da Indonésia apontou como causa da morte um trauma contundente, com lesões na caixa torácica e nas costas, além de danos internos e hemorragias.

O médico local estimou que Juliana tenha morrido cerca de 20 minutos após os ferimentos, situando o óbito entre a terça-feira (24) e a quarta-feira (25).

“De acordo com meus cálculos, a vítima morreu na quarta-feira, 25 de junho, entre 1h e 13h [horário local, entre 14h de terça e 2h de quarta, no horário de Brasília]”, disse o médico legista.

Continua depois da Publicidade

Relembre o caso

Natural de Niterói (RJ), Juliana Marins estava em um mochilão pela Ásia desde fevereiro e já havia visitado Filipinas, Vietnã e Tailândia antes de seguir para a Indonésia — onde sua jornada teve um fim trágico. A jovem desapareceu na sexta-feira (20), após cair em uma fenda no Monte Rinjani. As buscas duraram quatro dias e enfrentaram obstáculos devido ao clima severo e à geografia do local.

O corpo foi encontrado sem vida na quarta-feira (25). O fuso horário da região é 11 horas à frente de Brasília. Parte da operação de resgate foi registrada por um montanhista voluntário que colaborou com a equipe. Quatro socorristas acamparam a 600 metros de profundidade, junto ao corpo, enquanto outros três permaneceram a 400 metros, dando suporte.

A perícia indicou que Juliana morreu entre 50 minutos e 12h50 antes do resgate. O corpo foi retirado após sete horas de trabalho. A operação de içamento começou por volta das 13h50 (2h de Brasília), quando a vítima foi colocada em uma maca e levada até uma base do parque.

A jovem era apaixonada por viagens e fazia um mochilão pela Ásia quando a tragédia aconteceu. (Foto: Reprodução/Instagram)
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques