Madeleine McCann: Principal suspeito no desaparecimento deixa a prisão na Alemanha, e toma decisão ao ser questionado sobre a menina

Novo documentário expôs o passado perturbador de Christian Brückner

Christian Brückner, principal suspeito do sequestro de Madeleine McCann, deixou a prisão de Sehnde, no norte da Alemanha. O homem, de 48 anos, foi solto nesta quarta-feira (17), após cumprir sete anos e meio de pena pelo estupro de uma idosa, em 2005, na Praia da Luz, em Portugal.

De acordo com informações da BBC, Brückner foi retirado da prisão pelo seu advogado. Ele cumpria pena pelo estupro da norte-americana Diana Menkes, de 72 anos. O caso foi registrado na região de Algarve, mesmo lugar onde Madeleine desapareceu dois anos depois. Contudo, ele foi inocentado pelo tribunal estadual, após oito meses de julgamento, por outros dois estupros e dois abusos sexuais de crianças.

A promotoria local pedia pena de 15 anos. No entanto, em julho do ano passado, a juíza Ute Engemann já havia deferido que as evidências contra o suspeito eram “insuficientes“.

Brückner decide pelo silêncio

Christian nega que tenha feito qualquer coisa contra Madeleine. Entretanto, ao ser chamado para um interrogatório, na saída da prisão, ele decidiu por recusar a proposta. Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (15), a polícia do Reino Unido revelou que Brückner se negou a falar sobre o desaparecimento de Madeleine. “Solicitamos um interrogatório com este suspeito alemão, mas… ele recusou“, declarou Mark Cranwell, oficial sênior de Investigação da Polícia Metropolitana do Reino Unido.

O advogado de Brückner, Friedrich Fülscher, afirmou que as acusações contra seu cliente deveriam ter sido apresentadas há muito tempo se houvesse provas suficientes. O tribunal estadual afirmou que não pode divulgar legalmente se ele terá que cumprir alguma condição após a sua libertação.

Christian Brückner é o principal suspeito do desaparecimento de Madeleine McCann, em 2007. (Foto: Getty)

Apesar disso, Fülscher confirmou à emissora local NDR que seu cliente será obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica e terá que cumprir regularmente as ordens da liberdade condicional. Brückner ainda terá que entregar o passaporte e comparecer ao tribunal no dia 27 de outubro, em Oldenburg, na Alemanha, em um caso no qual é acusado de insultar um funcionário da prisão.

As autoridades portuguesa e alemã passaram quatro dias em junho procurando por evidências relacionadas ao desaparecimento de Madeleine no Algarve, mas não tiveram sucesso. Promotores alemães ainda apontaram evidências, como dados de telefones celulares que mostram que Brückner pode ter estado na área quando a menina desapareceu, e têm insistido que ele é culpado.

Nenhuma prova concreta de seu envolvimento foi encontrada. Mesmo diante da soltura de Brückner, as autoridades informaram que ele continuará a ser suspeito nas investigações. Os demais crimes pelos quais o alemão responde incluem o suposto estupro de Hazel Behan, em seu apartamento na Praia da Rocha, em 2004, bem como o estupro de uma adolescente em sua casa na mesma cidade. Ele também foi acusado de violentar uma mulher idosa em seu apartamento de férias.

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O passado de Brückner

A história perturbadora de Brückner foi exposta em um novo documentário da ITV, chamado “Madeleine McCann: Em Busca do Principal Suspeito”. A produção acompanha o criminologista Dr. Graham Hill, ex-detetive sênior da Polícia Metropolitana, que foi enviado a Portugal durante os primeiros dias da investigação.

Nascido Christian Fischer, na cidade alemã Baviera, o suspeito foi criado por uma “mãe problemática”, que acabou entregando-o, junto a seus dois irmãos, para adoção. Brückner obteve o novo sobrenome depois que ele e os irmãos foram adotados por Brigitte e Fritz Brückner, acusados posteriormente de violência física contra os filhos. Brückner cometeu o primeiro crime, um roubo, aos 15 anos. Após o episódio, ele foi enviado a um orfanato em Wurzburg, onde começou a tocar as crianças de forma inapropriada.

Ele fazia muita besteira. Roubava coisas, assaltava, invadia lugares. E se você dissesse alguma coisa a ele, ele surtava. Ele era o rei naquele lugar e não se deixava levar por nada – era ele quem tinha mais cigarros e dinheiro. Tenho medo de que, se ele for libertado, volte para Wurzburg. Ele é uma bomba-relógio, um perigo. Ele não deveria ser solto, esse seria o meu desejo“, disse Thomas Hertel, que esteve no mesmo orfanato, ao The Mirror, no início do ano.

Principal suspeito possui histórico de diversos crimes. (Fotos: Reprodução/ Metro UK)

Após ser flagrado tocando indevidamente uma criança de 9 anos, Brückner foi condenado, aos 17 anos, a dois anos de prisão. O documentário também apontou que ele pode ter vivido no Algarve entre 1995 e 2007, roubando quartos de hotel e vendendo drogas. Diter Fehlinger, pai de uma ex-namorada do suspeito, afirmou ter visto o interior da antiga van de Brückner. “Ele me disse que havia um esconderijo lá dentro, onde 50 kg de maconha caberiam facilmente. Ele construiu. E, então, ele disse que era ‘tão grande que dava para esconder uma criança pequena lá dentro’“, contou.

Helge Busching falou ao documentário que tem “100%” de certeza que seu ex-amigo, Brückner, está envolvido no caso. “Eu disse a ele que não entendia como alguém pode roubar crianças pequenas de um hotel. E ele falou: ‘Ela não estava gritando’. Ele pode dizer que é inocente. Eu sei o que ele estava fazendo, eu vi com meus próprios olhos. Eu sei que ele é um homem perigoso“, disse. Outro homem, chamado Ken, disse que costumava encontrar Brückner nas praias de Portugal na mesma época em que Madeleine desapareceu. “Eu simplesmente não confio no cara. Ele me dá arrepios. Ele tem uma ficha criminal maior do que uma lista telefônica“, afirmou.

A produção ainda mostra que a polícia alemã encontrou um estoque de evidências em uma fábrica abandonada, de propriedade de Brückner, em 2016. Eles recuperaram diversos itens, incluindo 75 trajes de banho infantis, brinquedos, bicicletas pequenas e uma quantidade alarmante de imagens que apontavam para a obsessão do homem por meninas. Embora ele nunca tenha sido formalmente acusado pelo desaparecimento, o promotor Hans Christian Wolters disse acreditar no envolvimento. “Ele não tem álibi. Há apenas provas que o incriminam. Ele é o principal suspeito e, acima de tudo, o único suspeito. Na verdade, só temos provas que o apontam como o autor do crime. Só podemos provar isso em um tribunal, essa é a grande tarefa que temos pela frente“, completou.

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Madeleine McCann desapareceu em maio de 2007, aos três anos de idade, enquanto passava as férias com a família na Praia da Luz, em Portugal. Ela completaria quatro anos em dez dias. A menina estava com os irmãos gêmeos Sean e Amelie, então com dois anos, no quarto de hotel. Seus pais, Kate e Gerry McCann, tinham saído para jantar com amigos em um restaurante próximo, dentro do complexo turístico, deixando as crianças desacompanhadas. Assim que eles voltaram, descobriram que Madeleine havia desaparecido. O sumiço se tornou um dos casos não resolvidos de maior repercussão no mundo.

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