Uma mulher recebeu uma indenização milionária após um incidente com um sorvete da rede Buster’s, na Flórida, deixá-la infértil. Segundo o relato de Brandy Buckley ao The New York Post, ela engoliu um prego que estava dentro da casquinha, o que causou ferimentos internos graves e a impossibilitou de ter mais filhos. Após o processo, ela recebeu US$14 milhões (cerca de R$ 74 milhões).
O caso aconteceu no dia 11 de setembro de 2018, quando Buckley, de 43 anos, comprou um sorvete de noz-pecã com manteiga em uma unidade da rede. Segundo ela, logo na primeira mordida, percebeu que o alimento estava contaminado com “vários pregos e/ou fragmentos de metal”.
A mulher relatou que só percebeu o problema após já ter ingerido parte do produto. “Quando engoli, senti algo preso na garganta”, disse. Inicialmente, Brandy acreditou que fosse apenas um pedaço do próprio ingrediente do sorvete. No entanto, ao procurar atendimento médico e realizar exames, veio a confirmação de que ela tinha engolido um prego.

De acordo com o processo, a mulher precisou passar por uma cirurgia para a retirada dos objetos metálicos e enfrentou uma série de complicações. Entre elas, trombose da veia porta, hemorragia interna e o desenvolvimento de um coágulo sanguíneo. Os danos foram considerados graves e permanentes, incluindo prejuízos neurológicos, cicatrizes e perda de funções corporais.
Além da parte física, ela afirmou que o acidente mudou sua vida pessoal, porque desejava ter mais filhos e descreveu esse plano como seu “objetivo e sonho”. No entanto, as complicações a impediram de engravidar novamente. Segundo o processo, ela e o marido, Patrick, também enfrentaram prejuízos financeiros, com altos custos médicos e perda de renda.

A ação judicial foi movida em 2019 contra a Malabar Cremeries, franquia local da rede, e outras entidades ligadas à marca, sob a alegação de falha no controle de segurança alimentar. A defesa argumentou que houve negligência no processo de produção, permitindo que um produto contaminado chegasse ao consumidor.
Após duas semanas de julgamento civil, o júri decidiu pela indenização milionária. Para o advogado da vítima, Scott Alpizar, o resultado refletiu a gravidade do caso. “O júri ouviu as provas e proferiu um veredito justo, tendo em conta os graves danos causados à minha cliente pelo incidente”, afirmou. Ele também destacou que o caso evidencia responsabilidades na cadeia de produção: “Este caso destaca a importância crucial da segurança alimentar e a responsabilidade que tanto os operadores locais quanto as marcas nacionais têm de proteger os consumidores”.

Especialistas ouvidos no caso também consideraram o valor compatível com os danos. O advogado Danny Karon afirmou que a quantia poderia ser ainda maior. “Acho que poderia ter sido mais. Casos de direito reprodutivo têm custos elevados. Pense na possibilidade de nunca poder ter uma família. É isso que ela está enfrentando por causa da negligência da empresa”, explicou.
Siga o Hugo Gloss no Google Discover e acompanhe nossas notícias