Em um último gesto de caridade antes de sua morte, o papa Francisco decidiu doar todos os seus bens, avaliados em 200 mil euros (R$ 1,2 milhão na cotação atual), a presos. O montante foi destinado para projetos na prisão de Rebibbia e no centro de detenção juvenil de Casal del Marmo, ambos em Roma.
A notícia foi dada nesta quarta-feira (23), pelo bispo Benoni Ambarus, diretor do escritório para a pastoral carcerária e encarregado de assuntos de caridade em Roma. “Ele doou 200 mil euros de sua conta pessoal”, informou à a agência de notícias italiana Ansa.
Segundo os detalhes, parte da doação foi para uma fábrica de massas no centro de detenção. “Eu disse que temos uma grande hipoteca para esta fábrica de massas e que, se pudéssemos cobri-la, reduziríamos os preços do macarrão, venderíamos mais e poderíamos contratar mais trabalhadores”, explicou Ambarus.
“E ele me respondeu: ‘Estou quase sem dinheiro, mas ainda tenho algum na minha conta’. E me deu 200 mil euros”, recordou. O bispo ainda ressaltou o posicionamento de Francisco sobre defender os prisioneiros durante seu papado. Ao longo dos 12 anos, ele visitou regularmente os centros penitenciários e lutou pela dignidade dos presos.

No dia 17 de abril, o pontífice também foi até à prisão Regina Coeli para realizar o ritual da Quinta-Feira Santa. No entanto, ele não fez o tradicional gesto de lavar os pés dos presos, algo que costumava realizar. Ambarus, por sua vez, descreveu o momento.
“Me lembro de um homem cansado, que se arrastava, mas que gritava com a sua presença a necessidade de prestar atenção aos presos. Passou por eles, até ao seu último suspiro. Foi por isso que os prisioneiros viram nele uma esperança. Um pai morreu por eles”, analisou.
Em seguida, o bispo compreendeu a dimensão da generosidade do papa quando soube, na divulgação do testamento, que ele seria enterrado devido a ajuda de um benemérito. A ação ocorreu justamente porque o pontífice já “tinha entregado todas as suas posses”.
“Desde segunda-feira que recebo mensagens de pessoas que dizem se sentir órfãs. Alguns prisioneiros me pediram para colocar uma flor junto de Francisco por eles. Estou trabalhando para que os seus filhos preferidos possam estar presentes no funeral”, concluiu o encarregado.
Veja algumas das imagens divulgadas pelo Vaticano:
Último arrependimento
Em entrevista ao jornal La Repubblica, o médico do hospital Gemelli, Sergio Alfieri, afirmou que um último arrependimento do papa Francisco foi não ter feito o ritual na Quinta-Feira Santa. Como ainda se recuperava da pneumonia, o pontífice não foi autorizado a prosseguir da maneira tradicional.
“Ele lamentou não poder lavar os pés dos prisioneiros. ‘Desta vez não consegui’, foi a última coisa que ele me disse”, recordou o médico. Na ocasião, Francisco teria dito, de acordo com o site: “Gosto de fazer todos os anos aquilo que Jesus fez na Quinta-Feira Santa, a lavagem dos pés, na prisão. Neste ano não posso fazê-lo, mas posso e quero estar próximo de vocês. Rezo por vocês e por suas famílias”.
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