Polícia da Indonésia abre investigação sobre morte de Juliana Marins e revela depoimentos prestados

Autoridades já ouviram o organizador da trilha e o guia, que na ocasião do acidente, saiu para fumar, enquanto a brasileira ficava sozinha

A polícia da Indonésia abriu uma investigação para apurar se houve negligência no caso da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, que morreu após cair durante uma trilha no Monte Rinjan. A jovem estava desaparecida havia quatro dias e foi encontrada morta no dia 24 de junho.

A investigação está sendo conduzida pela Unidade Criminal da Polícia Nacional, com apoio da Polícia Sub-Regional de East Lombok. A informação foi divulgada pelas autoridades locais, nesta terça-feira (1º).

De acordo com a companhia aérea Emirates, o corpo de Juliana foi embarcado no Aeroporto I Gusti Ngurah Rai, em Bali, e deve chegar a São Paulo ainda hoje. De lá, será levado para o Rio de Janeiro, onde vive a família da jovem.

Acidente com Juliana aconteceu no dia 20, e ela só foi encontrada quatro dias depois (Foto: Reprodução/Instagram)

As autoridades indonésias já ouviram diversas pessoas envolvidas no caso. “Já ouvimos várias testemunhas, incluindo o organizador da trilha, o guia, o carregador e policiais florestais”, afirmou o inspetor assistente sênior I Made Dharma Yulia Putra.

Além dos depoimentos, agentes da polícia local, em conjunto com especialistas da Embaixada do Brasil, realizaram uma inspeção na área onde Juliana caiu. A chefe do Parque Nacional de Rinjani, Lidya Saputro, confirmou que todos os protocolos de segurança do parque estão sendo revisados após o acidente.

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O acidente

Juliana Marins, natural de Niterói (RJ), era publicitária formada pela UFRJ. Ela estava viajando sozinha pela Ásia desde fevereiro, em um mochilão que incluiu Filipinas, Tailândia e Vietnã. No dia 20 de junho, a jovem sofreu uma queda no vulcão Rinjan, que tem aproximadamente 300 metros.

Juliana Marins com o pai, a mãe e a irmã, durante uma viagem em família. (Foto: Reprodução/Instagram)

Após a queda, Juliana ainda conseguia se mover. Cerca de três horas depois, foi vista por turistas que informaram sua localização à família e enviaram imagens da região. Apesar disso, o resgate demorou dias. A família afirmou que Juliana ficou desamparada por quase quatro dias, escorregando por trechos da montanha, sendo vista em diferentes pontos ao longo do período.

O corpo foi avistado pela última vez por drones, cerca de 500 metros abaixo do penhasco, sem sinais de movimento. Pouco depois, equipes de busca encontraram Juliana sem vida, a aproximadamente 650 metros do local da queda.

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A repercussão do caso mobilizou as redes sociais. A página criada pela família para concentrar informações e cobranças por apoio das autoridades ganhou grande visibilidade, alcançando 1,2 milhão de seguidores em poucas horas. O corpo de Juliana foi reconhecido por familiares e passou por necrópsia no dia 26 de junho. O laudo médico apontou que a causa da morte foi traumatismo por força contundente, que provocou danos internos e hemorragia severa. A hipótese de hipotermia foi descartada.

A jovem era apaixonada por viagens. (Foto: Reprodução/Instagram)

Segundo o médico legista Dr. Ida Bagus Putu Alit, do Hospital Bali Mandara, a vítima faleceu pouco tempo depois de sofrer o trauma. A estimativa é de que a morte tenha ocorrido em até 20 minutos após a lesão mais severa. Os pais da publicitária acionaram a Justiça para que uma nova autópsia seja realizada no Brasil. O pedido foi aceito pelo governo Lula.

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