O jornal “Wall Street Journal” divulgou uma reportagem nesta quarta-feira (23) que trouxe atualizações sobre a ligação entre Donald Trump e Jeffrey Epstein. Segundo a publicação, o departamento de Justiça dos Estados Unidos avisou o presidente em maio de que seu nome aparecia nos arquivos do bilionário, que abusava sexualmente de menores de idade.
“Em maio, (a procuradora-geral dos EUA Pam) Bondi e seu vice informaram ao presidente, em uma reunião na Casa Branca, que seu nome constava nos arquivos de Epstein. Eles disseram ao presidente na reunião que os arquivos continham o que as autoridades consideraram ser boatos não verificados sobre muitas pessoas, incluindo Trump, que haviam socializado com Epstein no passado”, afirmou o jornal.
De acordo com o texto do “Wall Street Journal”, os documentos também incluiriam “centenas de outros nomes”. “Ser mencionado nos registros (de Epstein) não é sinal de irregularidade”, ressaltou a publicação. Em resposta, a Casa Branca disse que a reportagem é “fake news”.
Durante toda a sua campanha para a reeleição, Trump afirmou que liberaria arquivos até então secretos relacionados a Epstein quando retornasse ao poder. Porém, recentemente, Bondi afirmou que, segundo o Departamento de Justiça dos EUA, não há evidências de que Jeffrey Epstein mantivesse uma “lista de clientes” influentes envolvidos em abusos sexuais contra mulheres e menores aliciadas por ele. Há anos, teorias da conspiração sugerem que Epstein teria sido assassinado para impedir que revelasse o envolvimento de figuras poderosas, como autoridades governamentais, celebridades e empresários, em seus crimes.
O desdobramento causou revolta entre os próprios seguidores de Trump. Porém, o presidente afirmou não entender “qual é o interesse ou a fascinação” pelo assunto.

Entenda o caso
Em fevereiro, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou uma série de documentos da investigação envolvendo Epstein. O empresário foi acusado de ter abusado de mais de 250 meninas menores de idade e de operar uma rede de exploração sexual. Ele foi detido em julho de 2019 e tirou a própria vida cerca de um mês depois dentro da prisão.
Na época, a procuradora-geral de Trump, Pam Bondi, chegou a afirmar que uma lista de clientes de Epstein estava em sua “mesa para ser revisada”. Em junho, Elon Musk fez o caso voltar à tona ao apontar que Trump estaria ligado ao escândalo sexual. Segundo o dono da Tesla, o presidente dos EUA seria citado nos documentos e por isso os arquivos ainda não tinham sido divulgados ao público.
No dia 7 de julho, o Departamento de Justiça e o FBI afirmaram que, após uma “revisão exaustiva dos registros investigativos relacionados a Jeffrey Epstein”, não foi encontrada a suposta lista de contatos. A existência do documento era defendida por teorias conspiratórias que circulam há anos nas redes sociais.
“Essa revisão sistemática não revelou nenhuma ‘lista de clientes’ incriminadora. Também não foram encontradas evidências credíveis de que Epstein tenha chantageado indivíduos influentes como parte de suas ações. Não descobrimos evidências que justificassem a abertura de investigação contra terceiros que não foram acusados”, declarou.
Trump e Epstein foram amigos entre as décadas de 1990 e 2000. O nome do presidente chegou a aparecer em registros de voos ao lado do empresário em 1994.
