Um homem de 37 anos morreu na manhã deste sábado (24), após ser baleado por um agente federal de imigração durante uma patrulha em Minneapolis, no estado de Minnesota. O episódio ocorreu em meio ao avanço das operações federais de imigração na região e provocou protestos, reações políticas e questionamentos sobre a conduta dos agentes envolvidos.
Segundo o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), os disparos foram efetuados em legítima defesa. O DHS afirma que o homem teria se aproximado da patrulha portando uma arma, o que levou o agente a reagir. A vítima morreu ainda no local.
No entanto, imagens do momento do confronto, analisadas quadro a quadro pelo The New York Times, indicam uma versão diferente. De acordo com o jornal, o homem aparece segurando um telefone celular quando é imobilizado por agentes e baleado no chão.
Assista: (Atenção! Imagens fortes)
🚨🇺🇸 BREAKING: FULL VIDEO SHOWS MINNEAPOLIS SHOOTING FROM CLEARER ANGLE
Newly released footage captures the entire altercation from a closer vantage point, showing events leading up to the moment the suspect is shot.
The video appears to show the suspect jumping onto the back… https://t.co/dPbm5H2m31 pic.twitter.com/cwhIFwtZKP
— Mario Nawfal (@MarioNawfal) January 24, 2026
A vítima foi identificada como Alex Pretti, enfermeiro de uma unidade de terapia intensiva, conforme relataram seus pais à agência Associated Press. A polícia de Minneapolis confirmou que ele era cidadão americano, morador da cidade e possuía autorização legal para porte de arma. As autoridades informaram ainda que Pretti carregava uma pistola e dois carregadores no momento da abordagem.
Testemunhas ouvidas pelo Minnesota Star Tribune afirmaram que o homem foi atingido diversas vezes no peito. A Associated Press também informou que o agente responsável pelos disparos atua há oito anos na Patrulha de Fronteira.
ICE murdered Alex Pretti for holding a fucking phone! pic.twitter.com/XoPraR9OFb
— Covie (@covie_93) January 24, 2026
O governador de Minnesota, Tim Walz, fez duras críticas à atuação dos agentes federais. Em declaração à imprensa, ele afirmou que o episódio extrapolou qualquer justificativa de segurança. “Eles mataram um homem, criaram caos, derrubaram manifestantes e lançaram gás de forma indiscriminada. Depois, fomos deixados para limpar a bagunça”, disse.
Walz revelou que entrou em contato com a Casa Branca após o ocorrido, incluindo uma ligação com o chefe de gabinete do presidente Donald Trump. Segundo o governador, ele pediu a retirada dos agentes federais da região e garantiu que o estado conduzirá uma investigação sobre o caso.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também se manifestou após assistir às imagens do tiroteio. “Acabei de ver um vídeo de mais de seis agentes mascarados espancando um dos nossos cidadãos e atirando nele até a morte. Quantos mais moradores, quantos mais americanos precisam morrer para que essa operação termine?”, questionou. Em seguida, ele cobrou diretamente o presidente: “Quantas vezes vamos precisar implorar para que essa ação seja encerrada? Isso não está tornando nossa cidade mais segura”.
Donald Trump, por sua vez, saiu em defesa dos agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement, ou Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos). Em publicação na Truth Social, a rede social do atual governo, o presidente acusou autoridades locais de estimularem a desordem. “Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho. Doze mil criminosos ilegais foram presos e retirados de Minnesota. Se ainda estivessem lá, a situação seria muito pior”, alegou.
Além disso, o presidente chegou a acusar o governador e o prefeito como culpados pela morte do enfermeiro. Também na Truth Social, ele afirmou: “Onde está a polícia local? Por que eles não foram autorizados a proteger os oficiais do ICE? O prefeito e o governador proibiram eles de atuar?”.
Veja:

O episódio se soma a uma sequência de ações controversas do ICE no estado. No início de janeiro, outra cidadã americana, Renee Good, de 37 anos, foi morta a tiros por um agente federal em Minneapolis, o que intensificou o embate entre o governo Trump e lideranças locais.
Nos últimos dias, a tensão aumentou ainda mais após a detenção de ao menos quatro crianças, uma delas usada como “isca” para tentar capturar familiares. O caso veio a público na última quinta-feira (22) e gerou indignação nacional.
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