Um acidente grave envolvendo o Elevador da Glória, um dos mais conhecidos pontos turísticos de Lisboa, deixou pelo menos 15 mortos e 18 feridos na tarde desta quarta-feira (3). O funicular descarrilou por volta das 18h08 (horário local), quando fazia uma curva, e acabou colidindo contra um prédio. Vídeos do momento estão circulando pelas redes sociais.
Segundo o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ao jornal O Público, cinco dos feridos estão em estado grave. Uma criança de três anos está entre os sobreviventes, mas sem gravidade. A tragédia mobilizou 62 socorristas e 22 viaturas, incluindo ambulâncias, caminhões dos bombeiros e patrulhas da polícia. Passageiros relataram que algumas pessoas conseguiram sair das ferragens pelas janelas antes da chegada do socorro. Segundo o comandante dos bombeiros Alexandre Rodrigues, até às 20h30, todas as vítimas haviam sido retiradas.
O elevador, que transporta cerca de 3 milhões de pessoas por ano e foi declarado Monumento Nacional em 2002, tem capacidade para 42 passageiros. As vítimas foram encaminhadas para os hospitais São José, Santa Maria e São Francisco Xavier. O INEM também confirmou a presença de pessoas com sobrenomes estrangeiros entre os feridos, mas não divulgou a identidade das vítimas.
O Elevador da Glória descarrilou e tombou esta quarta-feira, junto à Avenida da Liberdade, em Lisboa. Segundo os bombeiros sapadores, o acidente provocou “muitas vítimas”, incluindo feridos graves. pic.twitter.com/ADWpR5c8oe
— Mundo Vivo (@mundo__vivo) September 3, 2025
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, esteve no local e lamentou o acidente. “Lisboa está de luto, é um momento trágico para a nossa cidade. É um dia muito duro para todos nós”, afirmou. Ele ainda elogiou a rápida atuação dos Sapadores Bombeiros de Lisboa, que chegaram ao local em apenas três minutos após o chamado. “Infelizmente, é gravíssimo. É um acidente que não deveria ter acontecido”, acrescentou.
João Ferreira, vereador do Partido Comunista Português, disse à Folha de S.Paulo que o acidente “é inédito nessas proporções”. Ele completou: “É prematuro fazer qualquer avaliação sobre possíveis falhas, é o momento agora de deixar as equipes de resgate trabalharem livremente. Alguns trabalhadores da Carris têm conversado conosco demonstrando preocupação com a manutenção dos equipamentos, que são bastante antigos. Mas não podemos afirmar nada antes que seja feita uma avaliação cuidadosa sobre o que pode ter causado esse trágico acidente”.
A Carris, empresa pública responsável pelo elevador, afirma que o equipamento estava com a manutenção em dia. “Foram realizados e respeitados todos os protocolos de manutenção. A manutenção geral é feita a cada quatro anos e ocorreu em 2022, e a reparação intercalar é concretizada de dois em dois anos, tendo a última sido em 2024. Também têm sido escrupulosamente cumpridos os programas de manutenção mensal, semanal e a inspeção diária”, declarou a empresa. Ainda segundo a Carris, foi aberto um inquérito conjunto com as autoridades para apurar a causa do acidente.
O descarrilamento do Elevador da Glória, que ocorreu esta quarta-feira à tarde, em Lisboa, terá provocado mortos e dezenas de feridos.
As imagens apresentadas pelo 24Horas mostram a confusão que se instalou logo após o acidente, numa via que é de passagem obrigatória para… pic.twitter.com/ekIBLBsNIj
— 24Horas (@24horaspt) September 3, 2025
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, também se manifestou oficialmente. “O Presidente da República apresenta o seu pesar e solidariedade às famílias afetadas por esta tragédia e espera que a ocorrência seja rapidamente esclarecida pelas entidades competentes”, afirmou em nota publicada. O primeiro-ministro Luís Montenegro decretou luto nacional.
O Elevador da Glória foi inaugurado em 1885 e completa 140 anos em outubro. Ele percorre um trajeto de 265 metros de distância e 44 metros de altura, conectando a Praça dos Restauradores ao Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto. É um dos três funiculares históricos da cidade e fica na região da Avenida da Liberdade, zona turística conhecida por reunir as lojas de luxo da capital portuguesa.
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