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Alexandre Garcia se irrita com colega de emissora, ‘congela’ e ameaça deixar a CNN Brasil após questionamento: ‘Não sei se a gente volta’; assista

A participação de Alexandre Garcia no programa CNN Novo Dia, da CNN Brasil, deu o que falar nesta quinta-feira (6). O jornalista se irritou com seu colega de emissora, Rafael Colombo, e ameaçou abandonar o trabalho, após o apresentador fazer um questionamento sobre medidas dos governadores brasileiros em relação à Covid-19.

Em certo momento do programa, durante o quadro “Liberdade de Expressão”, Rafael perguntou a opinião de Garcia sobre as críticas de Jair Bolsonaro às restrições impostas pelos comandantes dos estados do Brasil. O presidente ameaçou, inclusive, baixar um decreto para impedir a prática de isolamento social. Esse foi o tópico que causou o desentendimento entre os jornalistas, uma vez que Garcia defendeu essa possível atitude de Bolsonaro, afirmando que ela teria apoio constitucional.

Mas a Constituição tem o direito à vida, Alexandre. Os governadores e os prefeitos não estão tentando garantir o direito à vida?“, questionou Colombo. Diante da pergunta, Alexandre ficou calado durante 16 segundos, apenas soltando um suspiro. O apresentador imaginou ter acontecido uma falha na comunicação. “Valeu, Alexandre! A gente volta a conversar amanhã“, disse Rafael até ser interrompido. “Eu estou sendo entrevistado“, reclamou Garcia. “Desculpa, pensei que você não tivesse ouvido“, pontuou o âncora. “Não sei se a gente volta [a conversar amanhã], respondeu o veterano, visivelmente sentido, dando a entender que poderia desistir de participar da emissora. Assista:

No retorno do intervalo, Colombo leu a carta padrão sobre diferenças ideológicas entre o canal e os colaboradores. “As opiniões emitidas pelos comentaristas do quadro não refletem necessariamente a posição da CNN“, afirmou.

Segundo Guilherme Felitti, fundador da empresa de análise de dados Novelo Data, Garcia tem aproveitado os últimos tempos para fazer uma “limpa” em seu canal do YouTube. Até a última terça-feira (4), o jornalista já havia apagado 66 vídeos e escondido outros 429 da rede social. As gravações espalhavam uma visão negacionista sobre a pandemia da Covid-19 e também sobre as vacinas contra a doença.

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Entre os assuntos principais abordados por ele, estavam críticas aos lockdowns e ao Supremo Tribunal Federal (STF), assim como elogios ao presidente Bolsonaro e disseminação de notícias falsas sobre “tratamento precoce” para o novo coronavírus. Na segunda (3), Alexandre teria deletado cinco vídeos, dois em que abordava teorias da conspiração sobre a efetividade dos imunizantes, e outros três em que defendia o uso dos medicamentos cloroquina e ivermectina, comprovados cientificamente ineficazes contra a Covid-19.

Os títulos de algumas das gravações seriam: “o marketing que naturalizou uma vacina” e “o cruel pedido para banir tratamento de Covid”. Os vídeos apagados e privados somaram quase a metade dos conteúdos do canal de García, que totaliza 1.110 gravações. A operação se deu na mesma semana em que começaram os depoimentos na CPI da Covid, Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada com o intuito de apurar as ações e eventuais omissões do governo federal no combate à pandemia.

Não é de hoje que o jornalista adota uma postura negacionista em relação à pandemia. Desde o começo do surto viral, Garcia defende o uso de cloroquina e, em um comentário que gravou para emissoras de rádio, minimizou os impactos da doença, dizendo que “mais das metades dos mortos já morreriam de qualquer maneira de doenças respiratórias, pneumonia, Síndrome Respiratória Aguda e outras doenças – diabetes, por exemplo. Aí vem um complicador e a pessoa vai e morre”.

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Os americanos descobriram que só 6% dos mortos foram mortos exclusivamente pelo coronavírus. Os outros todos foram comorbidades, inclusive gente que já ia morrer. Essa é a realidade que a gente tem que considerar também. E fortalecer nossas defesas: vitamina D, zinco, eu me previno com a ivermectina, tem gente se prevenindo com a própria hidroxicloroquina. E assim a gente vai tocando a vida. Viva a vida”, afirmou ele, citando os medicamentos ineficazes.

No próprio Twitter de Garcia, é possível encontrar conteúdos com viés negacionista. Em um deles, o jornalista divulgou uma live salva em seu canal do YouTube, em que foi falado “sobre o tratamento precoce que evita intubação e salva vidas”. O vídeo, entretanto, não aparece mais disponível para o público.