Após crimes revelados, detenta Suzi se pronuncia sobre matéria do Fantástico e pede perdão: “Errei sim e estou pagando”; confira a carta!

Há alguns dias, relatos de detentas trans ao “Fantástico” mexeram com a web – especialmente o de Suzi Oliveira, que não recebia visitas há oito anos e ganhou um sensível abraço do médico Drauzio Varella. Apesar da comoção em torno da reportagem, a opinião pública foi abalada neste domingo (8), quando foi confirmado que Suzi – cujo nome de batismo é Rafael Tadeu de Oliveira Santos – foi presa porque estuprou e matou, por estrangulamento, uma criança de 9 anos.

Com a repercussão do caso, Suzi pediu à advogada Bruna Paz, que cuida da execução de sua pena, que divulgasse hoje (9) uma carta sua, escrita de próprio punho. “Eu, Suzi Oliveira, ‘Rafael Tadeu’, venho dizer que na entrevista ao jornal Fantástico não me foi perguntado nada referente ao B.O”, iniciou ela no texto. “Eu sei que errei e muito. Em nenhum momento tentei passar como inocente”, pontuou a interna.

Suzi foi entrevistada por Drauzio Varella em seu novo local de trabalho. (Foto: Reprodução/TV Globo)

A detenta que, segundo o R7, cumpre pena por homicídio triplamente qualificado e estupro de vulnerável (menor de 14 anos), afirma que está sofrendo as consequências do que fez. “Desde aquele dia me arrependi verdadeiramente e hoje eu estou aqui pagando por tudo que eu cometi… Errei sim e estou pagando cada dia, cada hora e cada minuto aqui neste lugar…”, continuou.

Na carta, divulgada através do Instagram da advogada, Suzi lamenta: “Antes eu não tive essa oportunidade, agora eu estou tendo; apenas quero pedir perdão pelo meu erro no passado”. Enquanto isso, Bruna fez questão de reforçar que a justiça já está sendo feita. “Ressalto que não compete o julgamento, pois a mesma já recebeu condenação e já está cumprindo sua pena. *Não cabe a mim formar qualquer juízo de valor neste momento”, concluiu. Confira:

O assunto tomou grandes proporções, levando a hashtag “DrauzioVarellaLixo” a ser um dos assuntos mais comentados ao longo do dia. Dentre as publicações, muitos se revoltaram com a postura de Drauzio, com os crimes de Suzi e o tratamento que a detenta recebeu. No entanto, foram várias as manifestações de apoio ao médico, que trabalha desta maneira há mais de 30 anos em penitenciárias. Confira:

Relembre o caso

No dia 1º deste mês, uma reportagem veiculada pelo ‘Fantástico’, conduzida pelo médico Dráuzio Varella, movimentou as redes ao mostrar a vida de preconceito e abandono de detentas trans alocadas em unidades prisionais masculinas. Uma das histórias mostradas – a de Suzi Oliveira – emocionou telespectadores com destaque para um abraço do profissional – que há décadas atua como voluntário em penitenciárias.

Durante a conversa, Suzi relatou que estava sem receber qualquer visita no local há mais de oito anos. “Muita solidão, não é minha filha?“, reagiu Dráuzio, abraçando a interna. A matéria causou comoção e Suzi chegou a receber 324 cartas e presentes, como livros e chocolates, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária. Um novo fato, entretanto, balançou a opinião pública desde domingo (8): a descoberta do porquê de a transexual estar presa.

Em maio de 2010, Suzi estuprou e matou, por estrangulamento, uma criança de 9 anos. De acordo com o processo contra a presidiária, ela ainda teria deixado o corpo da vítima apodrecer em sua sala por 48 horas. Suzi depois relatou ao pai da criança que o corpo teria sido encontrado na porta de sua casa. Em depoimento à justiça, uma tia declarou que Suzi sempre foi uma criança problemática.

Roubava, mentia, não ia para a escola. Até os 12 anos, coisas de criança. Mas depois dos 12, começou a roubar com arma“, contou. Ela mencionou, por fim, que a sobrinha já havia sido acusada de abusar de uma criança de três anos. Ao R7, a Secretaria da Administração Penitenciária confirmou que a detenta cumpre pena por homicídio triplamente qualificado e estupro de vulnerável (menor de 14 anos). Procurada, a advogada de Suzi, Bruna Paz Castro, informou que só se manifestaria após se encontrar com a cliente nesta segunda (9).

Poucas horas após a notícia, o próprio Dráuzio Varella, divulgou uma nota de esclarecimento. De acordo com o médico, ele não sabia do crime, pois não perguntou nada sobre os delitos às reeducandas retratadas na reportagem. Esse, aliás, é o comportamento padrão de Varella para evitar que um julgamento pessoal possa interferir na execução do seu ofício na medicina.

Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a medicina, seja no meio consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico“, declarou. “No meu trabalho na televisão, sigo os mesmos princípios. No caso da reportagem, veiculada pelo Fantástico na semana passada (1º/3), não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz“, concluiu.

No fim da noite, o ‘Fantástico’ também se manifestou sobre o caso. “O quadro do Dr. Drauzio Varella foi sobre uma situação que o Estado brasileiro precisa enfrentar: mulheres trans cumprem as penas pelos crimes que cometeram em meio a presos homens, o que gera toda sorte de problemas. O crime das entrevistadas não foi mencionado, porque este não era o objetivo da reportagem. Foi divulgada apenas uma estatística geral sobre eles. O quadro gerou muita empatia no público mas também críticas exatamente por não mencionar os crimes“, pontuou o jornalístico.

Sobre as críticas, o Dr. Drauzio Varella divulgou a seguinte nota, que o Fantástico apoia integralmente: ‘Cuido da saúde de criminosos condenados há 30 anos. E por razões éticas não busco saber o que de errado fizeram. Sigo Sigo essa atitude para cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico. E para não cair na tentação de traí-lo atendendo apenas aqueles que cometeram crimes leves. No quadro do Fantástico, segui os mesmos princípios'”, encerrou.