Fátima Bernardes faz crítica certeira a discurso de Bolsonaro sobre “mimimi” em pandemia, e aponta “desinformação” na fala do presidente; assista

Fátima Bernardes não poupou críticas a Jair Bolsonaro no edição do “Encontro” de  hoje (5). Ao abordar a situação do Brasil na pandemia do coronavírus, a apresentadora exibiu falas do presidente durante um evento em São Simão (GO) feito na última quinta-feira (4) — onde Bolsonaro declarou que os cidadãos estão de “frescura” diante do caos que está o país. Em resposta, a apresentadora manifestou tristeza com a falta de compaixão e com a divulgação de desinformação do chefe de Estado.

“Olha, eu ouço isso com muita tristeza, isso não tem nada a ver com política, gente, isso tem a ver com piedade, com solidariedade, isso tem a ver com respeito a dor alheia, não tem a ver com uma questão política, é uma questão de você ter um certo estranhamento, de ele estar em uma cidade em Goiás que bateu um recorde de mortes e está passando por uma situação muito difícil”, defendeu ela.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que a população está fazendo “mimimi” sobre as mortes causadas pela Covid-19, e questionou a eficiência do lockdown. “Nós temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura, de ‘mimimi’. Vão ficar chorando até quando? Temos que respeitar obviamente os mais idosos, àqueles que têm doenças, comorbidades. Mas, onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”, indagou.

Fátima continuou seu desabafo na TV, ressaltando que o presidente do país está disseminando desinformação quando fala, em seu discurso, que os mais atingidos pela doença são somente idosos e pessoas com comorbidades. “E o que preocupa, além de ser uma opinião que é ouvida porque é o presidente do país, é a questão da desinformação, porque ele fala ali na preocupação com os idosos, e claro que a gente tem que se preocupar com os idosos, só há uma grande desinformação. Porque nessa segunda onda, que chegou antes da gente se livrar da primeira, o número de pessoas jovens contaminadas é imenso”, declarou.

Para reafirmar seu ponto, a apresentadora mostrou a postagem de um enfermeiro que trabalha em um hospital público de Florianópolis. O profissional compartilhou nas redes sociais uma tabela com a faixa etária dos pacientes internados com Covid-19 na UTI do local.

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“No começo da pandemia, a gente tinha um perfil bem delimitado de pacientes que eram atingidos pela doença, que eram os idosos e os pacientes com comorbidades. O que a gente vê hoje dentro das UTIs? Pacientes jovens. Aquele paciente que tem 17 a 45 anos. Essa faixa etária hoje é a mais atingida pela doença. E o pior, são pacientes que não têm nenhum tipo de comorbidades”, alertou o enfermeiro, em aparição no programa.

Mais tarde, a apresentadora ainda exibiu outro trecho de Bolsonaro no evento em Goiás. No vídeo, ele aparece sem máscara e rodeado por apoiadores, esbravejando contra a demanda por imunizantes: “Tem idiota que a gente vê nas redes sociais, na imprensa, [dizendo] ‘vai comprar vacina’. Só se for na casa da tua mãe. Não tem [vacina] para vender no mundo”.

“Não, infelizmente tem para vender no mundo. Tem sim, mas nós nos atrasamos, né? Há sete meses, nós vínhamos recebendo ofertas e a gente não comprou. Então agora realmente a gente tem que esperar uma fila óbvia de países que se interessaram primeiro”, rebateu Fátima.

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Ela ainda continuou: “De qualquer maneira, não é isso que a gente espera, né?”. Fátima também comentou sobre o básico que um chefe de Estado deveria fazer: “Pelo menos uma demonstração de solidariedade”. “O presidente vai à TV falar, e sempre qualquer comunicado começa com uma demonstração de muita dor, solidariedade e compaixão, e depois as partes técnicas. Acho que é isso que a gente espera. Um pouco de compaixão”, refletiu, ao contar sobre como as coisas acontecem na França, país onde seu filho mora.