Justiça toma decisão em caso de jornalista que acusou ex-diretor da Record de assédio sexual

Em decisão, a juíza Solange Aparecida Gallo reconheceu que Elian Matte foi assediado por Márcio Santos

A Record e o ex-diretor de RH Márcio Santos foram condenados a indenizar o jornalista Elian Matte após denúncias de assédio sexual. A decisão foi da 31ª Vara do Trabalho de SP, e cabe recurso.

A Record e o ex-diretor de Recursos Humanos da Record TV, Márcio Santos, foram condenados a pagar uma indenização de R$ 500 mil para o jornalista Elian Matte após denúncia de assédio sexual. Conforme a Folha de S. Paulo, a decisão foi tomada na 31ª Vara do Trabalho de São Paulo, e cabe recurso.

O documento foi assinado pela juíza titular Solange Aparecida Gallo com fontes do judiciário. Matte, por sua vez, pedia uma indenização R$ 3 milhões, além de ser reintegrado ao grupo de funcionários da emissora. A Justiça negou o pedido, alegando que não havia mais um ambiente favorável para que ele exercesse seu trabalho.

Na sentença, a juíza ainda reconheceu que o jornalista estava desconfortável com as mensagens que recebia de Santos no WhatsApp. Para a magistrada, os textos configuram como assédio sexual, e é inadmissível um diretor fazer insinuações sexuais para funcionários.

Ela acrescentou que, como consequência, Elian desenvolveu um quadro de estafa – sensação de cansaço ou fraqueza constante que pode afetar a saúde física e mental.

Continua depois da Publicidade

Por estes motivos, o profissional não teve sua reintegração à Record concedida. Ele ainda atribuiu sua demissão às denúncias feitas. A magistrada pontuou que “não existe mais clima entre a empresa e o jornalista”, segundo a Folha.

“As provas constantes dos autos favorecem o autor (Elian Matte), e revelam que o assédio sexual existiu e a reclamada (Record) se preocupou apenas com eventuais consequências jurídicas a si própria, sem qualquer demonstração de zelo pela integridade física ou emocional do trabalhador, que foi atingido em sua dignidade”, declarou Aparecida.

Continua depois da Publicidade

Sobre o caso

Elian denunciou o caso em 14 de novembro de 2023. O comunicador, que era roteirista do programa “Câmera Record”, apresentado por Roberto Cabrini, revelou que a situação começou em 2022, com convites de Santos para ele ir até a sua sala de reuniões. O caso foi, inclusive, divulgado pela revista Piauí.

De acordo com o boletim de ocorrência, há descrições feitas por Matte de como os pedidos insistentes feitos pelo ex-diretor aconteciam. Após receber três chamados para ir até a sala, sendo o último para um conversa mais pessoal, a interação entre os dois migrou para o WhatsApp. A partir daí, Santos passou a enviar mensagens supostamente com o teor sexual.

Elian Matte registrou a ocorrência em novembro de 2023 (Foto: Reprodução/Instagram)

O comunicador também alega que Santos acompanhava sua rotina por meio do sistema de câmeras do circuito interno, ao qual os diretores têm acesso através de um aplicativo no celular. Diante dos episódios, Elian informou ter buscado ajuda psicológica, vez esta em que foi diagnosticado com burnout pela equipe médica da própria Record.

Continua depois da Publicidade

Conforme a publicação, a médica admitiu que mudou o laudo do atestado pouco depois por receio de ser demitida. Neste ínterim, o jornalista também prestou queixa contra a emissora. Ele solicitou uma reunião com Antonio Guerreiro, o vice-presidente de jornalismo, para falar sobre o assédio sofrido. Matte chegou a enviar um e-mail para o presidente da Record, Luiz Claudio da Silva Costa, que alegou nunca ter respondido.

Em uma terceira tentativa, Elian teria citado nominalmente o então assediador no e-mail para Costa, com cópia para Marcus Vieira, o CEO do Grupo Record. Dias depois, foi chamado para uma reunião com Edinomar Galter, diretor jurídico do canal, que o instruiu a fazer um B.O., focar no trabalho e esquecer o que aconteceu.

Continua depois da Publicidade

Márcio, por sua vez, afirmou que tudo não passou de “brincadeiras” com o colega e que foi “vítima de uma mentira”. Ele foi desligado do cargo de diretor de RH e proibido de frequentar a Igreja Universal do Reino de Deus. A decisão se deu porque a instituição religiosa não permite a presença de funcionários ou voluntários investigados pela polícia.

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques