Mediadora, Monalisa Perrone repreende fala de Caio Coppolla durante debate ao vivo na CNN: “Essa frase não pode ser proferida”; assista

Na noite dessa terça-feira (12), a apresentadora Monalisa Perrone repreendeu uma fala de Caio Coppolla, feita durante “O Grande Debate”, quadro de debates promovido pela CNN Brasil. Na ocasião, o bacharel em direito discutia com o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho, sobre a possível liberação do vídeo da reunião ministerial do dia 22 de abril, pela Justiça.

O teor da reunião em questão faz parte do inquérito que investiga a acusação do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro tentava interferir politicamente na Polícia Federal.

Em certo momento da conversa acalorada, Coppolla rebateu uma fala de seu colega de debate, e pediu para que Botelho o deixasse “fora de sua laia”: “Eu não sou garantista, doutor. Me ponha fora da sua laia. A minha biografia… Eu não faria o que você faz, doutor, nem por todo o dinheiro do mundo. Eu sou um cara que sigo a lei”, referiu-se à profissão de Augusto que, incomodado, protestou rapidamente.

Em seguida, Monalisa Perrone pediu a palavra e chamou a atenção de Caio. “Uma coisa tem de ficar muito clara: essa frase ‘eu não sou da sua laia’ não pode ser proferida. Então, estou falando aqui pra você, Caio. Nós três temos o compromisso de termos respeito um com o outro. Foi exatamente esse o texto que eu falei com vocês quando nós tivemos o primeiro debate. Então, para as funções de cada um, isso não interessa, e o debate está colocado. Que, com respeito, ele prossiga”, reforçou a âncora.

Confira o vídeo abaixo:

Mais adiante, Augusto fez um pronunciamento em nome da classe de advogados criminalistas, explicando como se dá a atuação desses profissionais. “Não é a primeira, nem segunda, nem terceira vez que meu debatedor, de forma absolutamente desnecessária, agride a classe da advocacia criminal. Fazendo aquilo de mais básico que governos e pessoas autoritárias gostam de fazer: Uma ligação inexistente entre o trabalho de um advogado criminalista e o crime cometido pelo seu cliente. Uma coisa precisa ficar bem clara. Um advogado criminalista não defende crimes, não defende pessoas, ele defende direitos, que todos nós temos”, esclareceu.

“Me entristece ouvir isso de um quase advogado, de uma pessoa que passou vários anos estudando direito, mas não consegue fazer essa diferenciação. É inadmissível que uma profissão essencial para o funcionamento democrático da justiça, seja atacada com esse tipo de afirmação”, finalizou.

Confira à partir de 23’20”:

Em seu Twitter, Botelho também desabafou sobre o episódio. “Você passa boa parte do dia pensando ‘pô, que dia morno, qual será que vai ser o tema do debate?'”, escreveu, acrescentando um emoji “decepcionado” ao texto. “Viva a advocacia, viva a advocacia criminal, viva o Estado Democrático do Direito. Por uma Justiça mais justa e humana, para todas e todos”, comentou em seguida.

Augusto recebeu apoio de Gabriela Prioli, comentarista política da CNN. “Augusto, nem todo mundo consegue construir uma carreira admirável no direito. Isso gera alguma frustração. Me sinto na obrigação de dizer publicamente que existem espaços que é mesmo melhor não partilhar. Tenha orgulho do trabalho que você, respeitosamente, vem fazendo”, elogiou a também advogada.

Ainda na semana passada, Monalisa precisou interromper uma discussão de ânimos exaltados, entre Coppolla e Botelho. Na ocasião, o tema escolhido era o possível lockdown na cidade de São Paulo durante a pandemia, defendido pelo advogado, que usou como argumento os leitos lotados por conta da Covid-19 para a iniciativa. Caio, por outro lado, rebateu, e disse que Augusto seria contratado “em breve” pelo governo do estado.

Assista à partir de 20’40”: