Repórter da CNN é preso ao vivo, sem ser informado do motivo, em cobertura de protestos por George Floyd; assista

Que absurdo! O repórter da CNN Omar Jimenez foi preso nessa quinta-feira (28) enquanto cobria os protestos que estão acontecendo em Minneapolis, nos Estados Unidos, pela morte de George Floyd, um homem negro assassinado por um policial branco no começo da semana. Omar – que também é negro – estava ao vivo, falando sobre os acontecimentos do dia no local, quando foi algemado e levado embora pelos oficiais, sem ser informado do motivo.

Desde segunda-feira (25), o vídeo do assassinato de Floyd tem rodado a internet, comovendo pessoas por todo o mundo. Na gravação, o policial Derek Chauvin se ajoelhou no pescoço do segurança de 46 anos por quase oito minutos, enquanto ele não oferecia qualquer resistência e se queixava de que não conseguia respirar. George morreu pouco tempo depois, no hospital.

George foi assassinado de forma horrível (Foto: Reprodução)

A morte de um homem negro por um policial branco gerou revolta em diversas partes dos Estados Unidos, principalmente em Minneapolis, onde o assassinato ocorreu. Indignados com a violência policial e o racismo, manifestantes têm, desde terça-feira (26), incendiado prédios, carros e chegaram a, inclusive, invadir uma delegacia.

Esse era justamente o assunto que Omar cobria quando foi preso. Nas imagens que estavam sendo exibidas, ao vivo, na CNN, o correspondente aparecia trabalhando em frente a uma rua fechada por vários oficiais. A câmera, então, foi virada para o outro lado, de forma, que era possível apenas ouvir a voz de Jimenez conversando com a polícia. “Nós podemos ir até onde vocês quiserem. Nós estamos ao vivo neste momento, mas podemos sair do caminho, apenas nos avisem onde devemos ficar. Onde vocês falarem, nós vamos”, repetiu ele, mostrando sua identificação como repórter.

Omar foi levado pelos policiais enquanto fazia seu trabalho (Foto: Reprodução/CNN)

No entanto, tudo foi em vão e, quando Omar voltou a ser exibido, já estava cercado por dois oficiais que o informaram sobre sua prisão. “Você se importa em explicar por que eu estou sendo preso, senhor? Por que eu estou sendo preso, senhor?”, perguntou o jornalista, sem obter uma resposta.

Em seguida, seu produtor, Bill Kirkos, e o fotojornalista Leonel Mendez também foram algemados e levados em custódia. A câmera continuou ligada ao vivo, mostrando o desenrolar do caso, enquanto os âncoras da CNN tentavam explicar por voiceover o que havia acabado de acontecer. “Se você acabou de sintonizar, você está assistindo ao nosso correspondente sendo preso pela polícia estadual de Minnesota, mas nós não sabemos por quê”, falou a apresentadora.

“Essa é uma reportagem da TV americana. Omar sendo levado para longe pelos policiais. Ele claramente se identificou como repórter, ele estava educadamente explicando para a polícia que nossa equipe da CNN estava lá e se movimentando de acordo com o que eles pedissem. E, então, por algum motivo ele apenas foi levado em custódia ao vivo na televisão. Eu nunca vi nada assim”, indignou-se seu parceiro de bancada. Confira:

A CNN logo se manifestou, em repúdio, através de suas redes sociais. “Um repórter da CNN e sua equipe de produção foram presos nesta manhã em Minneapolis por fazerem seus trabalhos, mesmo tendo se identificado – uma clara violação dos direitos da Primeira Emenda. As autoridades de Minnesota, incluindo o Governador, devem liberar os três trabalhadores da CNN imediatamente”, declarou a emissora.

A Primeira Emenda à constituição dos Estados Unidos foi adotada em 1791 e impede o congresso norte-americano de infringir seis direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.

Após a repercussão, os três funcionários da emissora e o segurança contratado para acompanhá-los foram liberados. Em nota, o governador do estado Tim Walz afirmou que se “desculpava profundamente” pelas prisões “inaceitáveis”.

Omar, então, voltou ao vivo para tentar explicar o ocorrido, mas reforçou que, mesmo após ser liberado, não foi informado do motivo das prisões. “Para ser honesto, todos foram muito cordiais depois que isso aconteceu. Eu até decidi conversar com o oficial que estava me levando embora e falei que íamos fazer a cobertura pelos próximos dias e questionei quais eram as instruções sobre onde deveríamos ficar, já que ali não era permitido e ele respondeu: ‘Eu não sei, cara, eu estou apenas seguindo ordens'”, relatou o correspondente.

“Então não sei quem deu a ordem naquele momento específico, mas em relação às pessoas que estavam me levando, não houve qualquer animosidade e elas não foram de nenhuma forma violentas comigo. Nós até tivemos uma conversa sobre como essa semana tem sido louca para cada parte desta cidade”, acrescentou Jimenez.

O repórter contou que eles foram levados até uma van da polícia e ficaram algemados ali até serem liberados. “Para nós foi apenas: ‘Me diga quem você é para propósitos de identificação’. Aí eles saíram da van, depois voltaram e disseram: ‘Vocês são da CNN, correto?’. Aí eu expliquei que sim. Eles saíram de novo e então eventualmente voltaram com nossos pertences que recolheram durante esse período, tiraram as algemas e foi aí que fomos liberamos. Mas não houve nenhum tipo de justificativa. Talvez essa conversa tenha acontecido entre os policiais, mas não nos envolveu”, reforçou.

Na sequência, a âncora da CNN relatou a preocupação de toda a equipe quando Omar, negro, foi algemado, levando em conta justamente a morte que estava sendo protestada. Ela pontuou, inclusive, que outro repórter da CNN, branco, que estava a apenas um ou dois quarteirões de distância não foi levado em custódia e que até foi tratado com educação. “Você ficou com medo quando isso aconteceu?”, questionou ela.

“Alguns minutos após tudo acontecer, a ficha começou a cair pra mim. Eu ainda estava tentando me comunicar com vocês porque estava tão confuso quanto todos. Durante toda essa semana nós estávamos mostrando nossos crachás, então eu não conseguia entender aquilo. Mas enquanto eu estava sendo levado de fato, passou pela minha mente a pergunta: ‘O que realmente está acontecendo aqui?'”, admitiu Omar.

Ele explicou por que não se sentiu pior. “O que me deu conforto foi que isso aconteceu na televisão ao vivo, ninguém precisou filtrar a minha história, vocês viram com seus próprios olhos. Mas definitivamente eu fiquei nervoso em alguns momentos”, confessou. Assista: