Após declarações de elenco, co-criadora de ‘Friends’ se emociona ao falar de falta de diversidade na série

Exibida, originalmente, entre 1994 e 2004, ‘Friends’ tem sido criticada atualmente pela falta de diversidade. Todo o elenco regular da produção é branco. Atores da famosa sitcom já abordaram a questão, e agora é a vez de Marta Kauffman, a co-criadora da atração.

Durante um painel virtual do ATX Festival 2020, neste domingo (7), a autora disse se arrepender. “Eu queria que eu soubesse na época, o que sei hoje“, começou. Com tom choroso, ela reforçou: “Desculpem-me, eu gostaria de saber o que sei agora. Eu teria tomado decisões muito diferentes“. “Nós sempre encorajamos a diversidade em nossa empresa, mas não fizemos o suficiente. Agora tudo o que posso pensar é ‘O que posso fazer? O que eu posso fazer diferente? Como posso comandar minha série de uma nova forma?’. Isso é algo que eu queria ter o conhecimento quando eu comecei“, alegou.

Marta também é co-criadora de ‘Gracie and Frankie’, sucesso da Netflix que terá sua temporada final disponibilizada no ano que vem. A produção protagonizada por Lily Tomlin e Jane Fonda tem apenas um negro em seu elenco. Certamente, precisamos de mais que desculpas da escritora.

Marta chegou a se emocionar, enquanto se dizia arrependida pela falta de representatividade em ‘Friends’ (Foto: Leon Bennett/Getty Images)

Antes de Kauffman, Dave Schwimmer e Lusa Kudrow já haviam se manifestado sobre as críticas ao elenco de ‘Friends’. “Sou a primeira pessoa a dizer que talvez algo foi inapropriado ou insensível. Eu estava consciente da falta de diversidade e eu fiz campanha por anos para Ross namorar uma mulher que não fosse branca. Uma das primeiras namoradas que eu tive na série era uma mulher asiática americana e depois eu namorei com uma mulher afro-americana. Foi um esforço muito consciente da minha parte“, apontou o intérprete de Ross, ao The Guardian, se lembrando das personagens de Lauren Tom e Aisha Tyler.

Dave, porém, ressalta que a trama ainda assim tocou em assuntos importantes para a época. “A verdade também é que a série foi inovadora em seu tempo, pela maneira como lidava com sexo casual, sexo seguro, casamento gay, e relacionamentos. O piloto da série mostrava a esposa do meu personagem o deixando por uma mulher e havia um casamento gay, da minha ex e sua esposa, no qual eu compareci“, destacou.

Lisa, que viveu a hilária Phoebe na produção, disse acreditar que a série seria ‘completamente diferente’ caso tivesse sido criada em 2020. “Bom, não teria um elenco todo branco, com certeza. Não tenho certeza do que mais, mas pra mim, deveria ser encarado como uma cápsula do tempo, não pelo o que eles fizeram de errado“, ponderou ela em entrevista ao The Sunday Times. “Tinha um cara que descobriu que a esposa era gay e estava grávida, e eles criaram o bebê juntos… Nós tivemos uma barriga de aluguel também. Foi, na época, progressivo“, declarou.