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Série “The Good Fight” faz piada com brasileiros por conta da Amazônia; assista à cena!

Motivo de piada lá fora… Na semana passada, foi exibido o quarto episódio da quinta temporada de “The Good Fight”, série da plataforma Paramount+, estrelada pelas maravilhosas Christine Baranski e Audra McDonald. No entanto, um momento que chamou atenção — pelo menos para nós, brasileiros — foi durante uma cena em que o nosso país é citado… e de uma forma nada positiva.

No episódio, intitulado “And the Clerk Had a Firm”, o escritório de advocacia Reddick & Lockhart atende um serviço de streaming de comédia, que está preocupado com as piadas do show de uma de suas humoristas. Com medo do terrível cancelamento, a empresa contrata a firma — reconhecida por sua equipe majoritariamente de afro-americanos — para fazer uma “leitura crítica” do número de humor da artista. Uma piada, no entanto, acaba levando os advogados a longas discussões.

A comediante, uma mulher branca, faz a seguinte piada durante seu stand-up: “Se parece que eu estou andando engraçado, você precisa entender que o meu namorado é nigeriano”. A frase, é claro, reproduz um estereótipo sobre homens negros. Por isso, os advogados começam a discutir o que poderia substituir “nigeriano”, para que o número não fosse cancelado pelo público nas redes sociais. “Do que ela pode tirar sarro?”, questiona um. É então que surge a sugestão: “Mude para brasileiro! É o ritmo certo, e eles estão queimando a Amazônia. Ninguém vai se importar [de transformá-los em piada]“.

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“Eles são hispânicos”, intervém erroneamente um advogado, querendo dizer que o cancelamento viria de qualquer jeito. “Latinos”, corrige outra funcionária. O fato dos advogados não serem comediantes e fazerem sugestões absurdas para a substituição é uma das graças da cena — mas dói do mesmo jeito, né? Kkk

A série, no entanto… não mentiu. De acordo com dados do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) divulgados na segunda-feira (19), o crescimento do desmatamento na Amazônia cresceu. Só em junho, tivemos 926 km² de área devastada — o equivalente a três vezes a cidade de Fortaleza. Nos últimos 11 meses, o total chega a 8.381 km² — um número 51% maior do que o período anterior, de agosto de 2019 a junho de 2020. “As áreas desmatadas em março, abril e maio foram as maiores dos últimos 10 anos para cada mês. E, se analisarmos apenas o acumulado em 2021, o desmatamento também é o pior da última década”, disse o pesquisador do Imazon, Antônio Fonseca, ao UOL.

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Já Luciana Gatti, coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Inpe, mostrou a urgência de cuidarmos da Amazônia, que hoje já emite mais CO2 do que consegue absorver. “Basicamente, estamos multiplicando os efeitos das mudanças climáticas com o desmatamento na Amazônia. Nós tínhamos na Amazônia uma segurança, uma proteção contra as mudanças climáticas, porque ela é um corpo de árvores gigantescas jogando um monte de vapor de água na atmosfera e ajudando a resfriar. Ela deveria estar reduzindo os impactos da mudança climática para nós, mas estamos desmatando, queimando e transformando a Amazônia numa aceleração das mudanças climáticas. A gente tem que defender a Amazônia, ela está sendo assassinada, está morrendo”, revelou à Agência Pública, ao falar sobre a pesquisa que liderou, publicada pela revista Nature.

É, nossa imagem já foi melhor lá fora… e não é à toa.