Morte em Interlagos: Empresa de segurança omitiu nomes de suspeitos em lista de funcionários, diz polícia

Dois líderes da equipe de segurança não constavam na lista oficial; vítima morreu por asfixia e foi achada em buraco após festival

Nesta sexta-feira (18), vieram à tona novos desdobramentos sobre o caso de Adalberto Amarilio Júnior, empresário de 35 anos encontrado morto em um buraco no Autódromo de Interlagos. Segundo informações do g1, a empresa de segurança que atuava no local teria omitido os nomes de dois seguranças que trabalharam naquele fim de semana.

A Polícia Civil está apurando o motivo pelo qual os dois nomes não constavam na lista oficial de funcionários. Ambos ocupam cargos de liderança na empresa e, agora, são considerados suspeitos de envolvimento na morte de Adalberto. As identidades dos seguranças não foram reveladas.

Ao longo desta sexta-feira, agentes da Polícia Civil cumpriram cinco mandados de busca e apreensão relacionados ao caso. Quatro pessoas foram detidas na capital paulista e levadas à delegacia para prestarem depoimento.

Em coletiva de imprensa, o secretário-executivo da Segurança Pública, Nico Gonçalves, revelou que um dos suspeitos é lutador de jiu-jitsu, com antecedentes criminais por furto e ameaça. O homem foi autuado em flagrante após a polícia encontrar 21 munições de calibre 38 em sua residência.

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Após prestar depoimento, ele pagou fiança e foi liberado. O secretário destacou o que chamou atenção sobre o suspeito: “Estranhamente, o lutador de artes marciais no dia seguinte já não foi trabalhar e foi retirado [da equipe]”.

Empresário encontrado morto no Autódromo de Interlagos era casado e dono de uma ótica (Foto: Reprodução/ Redes sociais)

“É um caso complexo, temos que investigar com calma e hoje a Polícia Civil deu um passo nas investigações. Foram conduzidas quatro pessoas, sendo um representante da empresa e três pessoas ligadas à segurança. Estranhamente duas dessas pessoas não estavam na lista que a empresa forneceu. Eles estavam na posição de mando. Conseguimos uma outra lista que não bateu com a lista que a empresa forneceu”, explicou Gonçalves.

O secretário acrescentou que a polícia não descarta nenhuma linha de investigação: “No momento, estão na condição de investigados. Ninguém está sendo culpado ainda. Não há nada descartado. Um deles foi autuado porque estava com munição em casa, pagou fiança e foi liberado”. Um quinto suspeito, alvo de mandado, ainda não foi localizado.

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De acordo com o delegado Rogério Thomaz, há provas que os dois funcionários omitidos da lista estavam presentes no dia do evento. Eles teriam exercido funções de coordenação, com poder de decisão sobre a segurança durante o festival.

O caso aconteceu no final de maio, no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. (Foto: Reprodução/ Instagram/TV Globo)

“Os representantes ainda não foram ouvidos por orientação técnica da defesa, eles querem ter conhecimento e eventualmente acesso à medida cautelar para que prestem depoimento na sequência. Mas tudo será investigado para entender o que houve. Ainda é prematuro dizer que o lutador é o principal suspeito. Só o fato dele ser lutador não traz como principal suspeito, mas ele trabalhou só na sexta, tem antecedentes. Vamos analisar tudo isso”, afirmou.

Durante a operação, sete celulares e cinco computadores foram apreendidos. Os itens, em posse dos suspeitos, serão submetidos à perícia.“Os celulares e os notebooks serão periciados. Alguns que tiveram aqui na investigação, forneciam os celulares sem mensagem. Vamos apurar tudo”, informou a delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios da Polícia Civil (DHPP).

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Sobre a empresa de segurança, a polícia esclareceu que não há relação direta com a administração pública ou com a gestão do autódromo. A empresa teria sido contratada exclusivamente para o evento.

“Alguns que tiveram aqui na investigação, forneciam os celulares sem mensagem, o que achamos muito estranho, ainda mais envolvido com evento. É um caso complexo porque não tem imagem, tudo escuro, e trabalhamos com a hipótese de que quem matou teve auxílio de outra pessoa”, completou Ivalda.

Corpo foi encontrado em buraco no autódromo (Foto: Reprodução/TV Globo)

Empresário foi asfixiado

Conforme laudo pericial da Polícia Técnico-Científica, Adalberto morreu de forma violenta por asfixia. Até o momento, não foi possível determinar se a causa foi esganadura — já que havia escoriações no pescoço — ou compressão torácica. Uma das hipóteses é que, durante uma briga, alguém possa ter pressionado o tórax do empresário com o joelho.

A polícia também encontrou sangue no carro da vítima, mas o laudo de DNA indicou que o material genético era do próprio Adalberto. Um perfil feminino não identificado também foi detectado na amostra.

Apesar do laudo não apontar a presença de drogas ou álcool no organismo, um amigo que esteve com Adalberto no autódromo afirmou que os dois consumiram maconha e cerveja.

Uma das linhas de investigação é que Adalberto tenha sido colocado no buraco — com 70 cm de diâmetro e 3 metros de profundidade — por terceiros.

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Relembre o caso

Adalberto Amarilio dos Santos Júnior, de 35 anos, foi encontrado morto em um buraco dentro de uma área em obras no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Ele estava desaparecido desde a sexta-feira, 30 de maio, após participar de um festival para motociclistas no local.

O corpo foi localizado próximo ao portão 9 do autódromo, entre a pista principal e o kartódromo. A estrutura tinha cerca de 2,5 metros de profundidade e apenas 50 centímetros de largura. Um funcionário da obra avistou o corpo, que usava o capacete de motociclista que Adalberto havia levado ao evento. A vítima estava sem calça e sem tênis, mas não havia sinais externos evidentes de agressão na avaliação inicial da polícia.

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