Suspeito de deixar mala com corpo esquartejado em rodoviária no RS é preso, e crime brutal contra a mãe vem à tona

Ricardo Jardim, de 66 anos, era considerado foragido por assassinar e concretar a própria mãe em 2015

A Polícia Civil do RS prendeu um homem suspeito de feminicídio após restos mortais serem deixados em uma mala na rodoviária de Porto Alegre. O caso chocou as autoridades e segue em investigação. Ele também é autor de outro crime, praticado em 2015.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente o suspeito de abandonar uma mala com os restos mortais de uma mulher na rodoviária de Porto Alegre. Segundo informações da TV Globo e do portal gaúcho GZH, Ricardo Jardim, de 66 anos, foi detido nesta quinta-feira (4), em uma pousada no bairro São João.

Em coletiva de imprensa, realizada nesta manhã (5), o delegado Mario Souza informou que o homem “é extremamente educado, frio e aparentemente muito inteligente“. As investigações apontaram que ele foi o autor do crime e a vítima era namorada dele. O caso é tratado como feminicídio.

Conforme as autoridades, Jardim teria cometido o crime “com a intenção de afrontar a sociedade“. “A investigação foi um trabalho feito à moda antiga, de muita caminhada na rua, fotos nas mãos e conversas com as pessoas, além de modernas técnicas de apuração. Foi um trabalho de dias ininterruptos“, explicou Souza, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

A vítima trabalhava como manicure e morava perto de Porto Alegre. No momento em que foi abordado, o homem estava com o celular dela. A família não teria dado falta porque ele usava o telefone se fazendo passar pela mulher, conforme o delegado. Por isso, o sumiço não havia sido registrado. A identidade dela não foi revelada.

Ricardo Jardim foi preso nesta quinta-feira (4), em Porto Alegre. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

A polícia ainda procura o crânio da vítima. A identificação será realizada através de outros exames periciais, já que a impressão digital não pode ser feita pelo fato de os dedos terem sido cortados. “Este homem não pode estar em condições de convívio na sociedade. É uma pessoa que tem capacidade de cometer crimes altíssima“, afirmou Souza.

Segundo o delegado, o crime teria motivações financeiras, pois o homem teria tentado utilizar cartões de crédito da vítima, e tentado movimentar contas bancárias dela. As autoridades apuram agora se Jardim agiu sozinho, devido aos cortes feitos para desmembrar o cadáver demandarem habilidade nesse tipo de ação.

Continua depois da Publicidade

Condenado pela morte da mãe

Na coletiva, a polícia revelou que Jardim também é autor de outro crime. Em 2018, ele foi condenado a 28 anos de prisão por matar e concretar a própria mãe, Vilma Jardim, de 76 anos, três anos antes. O corpo foi localizado dentro de um armário, com a porta concretada, em seu apartamento. A apuração indicou ainda que o móvel havia sido feito sob medida. Para o Ministério Público, Jardim matou a mãe para ficar com R$ 400 mil de um seguro de vida do pai, que morrera em dezembro de 2014.

O homem foi considerado culpado por homicídio duplamente qualificado (motivo torpe ou meio cruel), ocultação de cadáver e posse de arma. Na ocasião, Jardim negou ter matado a mãe, assumindo apenas que escondeu o corpo. Ele deveria ter cumprido 27 anos em regime de reclusão e um ano, em regime aberto ou semiaberto. No entanto, acabou conseguindo progressão de regime e era considerado foragido.

Área foi isolada após descoberta (Foto: Jonathan Heckler/Agência RBS)
Homem que receberia a mala não tem vínculo com o crime. (Foto: Reprodução/GZH)

O caso

Um tronco humano foi encontrado na segunda-feira (1º), dentro de uma mala grande abandonada há 12 dias no guarda-volumes da Estação Rodoviária de Porto Alegre. O corpo, já em estado avançado de decomposição, estava envolto em sacos plásticos pretos e exalava forte odor, o que levou os funcionários do terminal a abrirem a bagagem e acionarem a polícia.

Segundo a Polícia Civil, a mala foi deixada no local em 20 de agosto. Imagens de câmeras de segurança mostram Jardim deixando a bagagem no setor de guarda-volumes, com instruções para que fosse retirada por outra pessoa. O homem para quem a mala foi destinada já prestou depoimento. Ele não teria qualquer relação com o suspeito, conforme a polícia.

Continua depois da Publicidade

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) também confirmou que outras partes de um corpo (membros inferiores e superiores) achados em 13 de agosto, no bairro Santo Antônio, pertenciam à mesma pessoa. Para subsidiar o pedido de prisão preventiva, os agentes usaram o DNA encontrado em partes do corpo e na mala, que coincide com o do suspeito.

Jardim não resistiu à prisão e conversou educadamente com os agentes. Os policiais também apuraram que ele usava IA para criar perfis falsos em redes sociais e atrair mulheres para se relacionar com ele. O momento da prisão também foi compartilhado pelas autoridades. Veja:

Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques