Casal de turistas é agredido em Porto de Galinhas; governo do PE anuncia medidas e comerciantes se pronunciam

Turistas afirmaram que vão processar o governo do estado

Turistas de Mato Grosso foram agredidos por comerciantes em Porto de Galinhas, Ipojuca, PE. O caso está sob investigação da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, com parte dos agressores identificada e ações de segurança reforçadas na região.

Nesta segunda-feira (29), o governo de Pernambuco informou que o caso envolvendo turistas de Mato Grosso, espancados por comerciantes em Porto de Galinhas, está sob investigação do setor de inteligência da Secretaria de Defesa Social (SDS). Segundo o comunicado, parte dos agressores já foi identificada.

“Diante das lamentáveis cenas de violência praticadas contra dois turistas do Mato Grosso na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, o Governo de Pernambuco determinou o reforço imediato das ações de segurança no local e atuação direta do setor de inteligência da nossa Secretaria de Defesa Social, para somar esforços à apuração rigorosa que está sendo conduzida pela Polícia Civil. Até o momento, 14 pessoas já foram identificadas e serão indiciadas em inquérito policial, passo importante para a responsabilização dos envolvidos”, diz o texto.

Confira: 

Comunicado divulgado pelo governo de PE. (Foto: Reprodução/ Instagram)

Vendedores se pronunciam

Após a repercussão do caso, os comerciantes se pronunciaram. Em um vídeo publicado pelo perfil Pernambuco Ordinário, os vendedores explicaram que não houve homofobia por parte deles e que as vítimas estariam embriagadas no momento da discussão. “A história sempre tem dois lados, né? Então aqui a gente vai apresentar o nosso. Primeiro, eu queria deixar claro que não existe cunho de homofobia algum. Não foi um caso de homofobia. Os caras estão tentando atrelar isso à história, e não foi isso”, garantiu um dos barraqueiros.

Ele acrescentou: “Esse aqui é o companheiro Eduardo, tá? Foi ele quem abordou o cara lá de cima, veio explicando que o aluguel da estrutura custava 80 reais, que tinha que comer e tal. Aparentemente, os caras estavam embriagados. Então a nossa companheira Vera veio com outra família e foi aplicar aqui o guarda-sol. Infelizmente, tem pessoas que saem com o intuito de tirar uma onda. Chega assim: ‘Não, aqui é um espaço público, eu vou sentar e não vou pagar’. E, gente, infelizmente não é um espaço público. A praia, sim, é pública. Mas existe uma concessão para a gente trabalhar”. 

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“E eu trouxe o cardápio para falar com o cara sobre o valor e tal. Nesse desentendimento, que teria que pagar os guarda-sóis, ele falou que não ia pagar nada. Nada. Porque aqui era um lugar público e ele não ia pagar nada”, completou o trabalhador.

De acordo com o homem, um dos turistas teria dado um mata-leão em um dos comerciantes durante a briga. “Ele me agrediu, deu um mata-leão em mim. Eu estava apagado no chão, os meninos foram e me socorreram”, disse o jovem, identificado como Dinho. Os comerciantes afirmaram que a informação de que 30 pessoas agrediram as vítimas não é verdadeira. Segundo o rapaz, o casal teria sido violentado por 5 homens.

Assista:

Entenda o caso

Os empresários Johnny Andrade e Cleiton Zanatta, que estavam de férias, foram atacados no sábado (27) após uma discussão sobre o valor do aluguel de cadeiras e guarda-sol. A governadora Raquel Lyra (PSD) comentou o caso em suas redes sociais e afirmou que se trata de um crime.

“Esse é um fato que precisa atuar junto à prefeitura e à polícia. E o diálogo sempre com a prefeitura para que haja, de fato, o ordenamento do comércio e que a gente não tenha incidentes mais acontecendo, incidentes não, crimes acontecendo como esse que aconteceu aqui”, salientou. Lyra ainda classificou o ocorrido como “absolutamente inadmissível” e reforçou: “Não vamos tratar de um incidente, vamos tratar de um crime grave que aconteceu contra dois turistas que vieram nos visitar”. 

Johnny Andrade e Cleiton Zanatta foram agredidos em praia de PE. (Foto: Reprodução/ Metrópoles)

De acordo com o casal, o conflito começou quando os barraqueiros mudaram o valor combinado das cadeiras. “Ainda descendo próximo das barracas, um cara já veio e abordou a gente querendo oferecer o serviço dele. Ele ofereceu o valor das cadeiras por R$ 50 e disse que se a gente consumisse os petiscos dele, a gente não ia pagar o valor das cadeiras e da barraca. Era umas 16h da tarde quando a gente pediu a nossa conta. Aí ele falou: ‘Eu vi que vocês não consumiram o petisco, então agora eu vou cobrar R$ 80 da cadeira de vocês'”, detalhou Johnny Andrade, ao portal g1.

Ao se recusarem a pagar o valor alterado, os turistas foram atacados pelos vendedores, com socos e cadeiradas. De acordo com a imprensa local, cerca de 30 pessoas se uniram à agressão. O casal precisou da ajuda de guarda-vidas civis da praia. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que eles são cercados.

Veja: [Atenção! Imagens fortes]

Segundo a SDS, quando a polícia chegou, a situação já estava controlada. Os turistas foram socorridos e levados para atendimento médico. Conforme o g1, a investigação está sendo conduzida como prioridade.

Em entrevista ao Metrópoles, Cleiton saiu em defesa do namorado e afirmou que os turistas de Porto de Galinhas são tratados como “lixo”: “Gente, é isso aí. Olhem o ano que vem se isso aqui melhorou, porque, se não melhorou, não venham, tá? Não venham. Agora, a população é maravilhosa, a cidade, as praias são lindas. Infelizmente, não existe administração, não existe cuidado, não existe vigilância. O turista que é tratado como um lixo”. 

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Johnny, por sua vez, apontou que vai processar a prefeitura e o estado de Pernambuco. “Intimo o prefeito a arcar com nossos prejuízos. Não vamos deixar isso barato. Já acionamos nossos advogados, e vamos processar a prefeitura e o estado de Pernambuco”, salientou.

A gerente do Procon Pernambuco, Liliane Amaral, explicou ao Jornal do Commercio PE que os vendedores não podem cobrar valores mínimos aos consumidores. “Não pode cobrar valor mínimo, então o consumidor tem que estar vivo, consumir o que quiser, quanto quiser, a quantitativa de coisas que ele quiser. Não pode, isso aí realmente é uma prática abusiva, é uma irregularidade grave. O uso do guarda-sol, a cadeira, pode-se até cobrar o valor só para o uso da cadeira, mas tudo isso tem que estar previsto e informado no cardápio de forma ostensiva e clara“, concluiu.

Confira:

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