Julio Iglesias é acusado de agressão sexual e tráfico de pessoas por ex-funcionárias de mansão

Denúncia refere-se a eventos entre janeiro e outubro de 2021.

Duas ex-funcionárias de Julio Iglesias apresentaram queixa ao Ministério Público da Espanha, acusando o cantor de tráfico de pessoas e agressão sexual. A denúncia veio a público após o elDiario.es ter acesso ao processo.

Duas mulheres que trabalharam com Julio Iglesias fizeram uma queixa ao Ministério Público espanhol contra o cantor por tráfico de pessoas e agressão sexual. Os detalhes se tornaram públicos nesta terça-feira (13), após o portal elDiario.es, em parceria com a Univision Noticias, ter acesso aos documentos.

De acordo com o processo, a denúncia refere-se a eventos entre janeiro e outubro de 2021, e pode configurar como “tráfico de pessoas para fins de trabalho forçado e servidão” e “diversos crimes contra a liberdade e integridade sexual”, além de lesão corporal e violação de direitos dos funcionários “pela imposição de condições de trabalho abusivas”.

A queixa aponta Iglesias como o principal autor, mas também inclui como cúmplices, outras duas mulheres que administravam as casas do cantor, de 82 anos, na República Dominicana e nas Bahamas. As denunciantes, uma prestadora de serviços domésticos e uma fisioterapeuta particular, descreveram um ambiente marcado por controle excessivo, humilhações e intimidações.

Segundo elas, o vínculo profissional era repleto de insultos, ameaças, jornadas exaustivas e restrições que ultrapassavam até suas vidas pessoais. “Sentia-me obrigada a fazer coisas sem ter a opção de dizer não. Aquilo era um pesadelo. Um lugar horrível“, relatou a ex-funcionária.

Denúncia refere-se a eventos entre janeiro e outubro de 2021. (Foto: Reprodução/Instagram)

Conforme a ex-funcionária, recusas a determinadas exigências resultavam em vários insultos e humilhações. O cantor, segundo ela, ainda afirmava que ela deveria se considerar “sortuda” por trabalhar com ele. A fisioterapeuta, por sua vez, descreveu Julio como “extremamente controlador”, e afirmou que ele usava o medo como uma forma de ataque.

Ele ameaçava demitir você o tempo todo e reforçava que trabalhar para ele era a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida“, declarou. Regras bastante rígidas também eram frequentemente impostas, tornando o ambiente de trabalho ainda pior para os funcionários.

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Conforme o documento, ambas afirmaram que a postura de Julio se estendia a pedidos de cunho sexual. A ex-funcionária disse que os abusos ocorriam quando a esposa dele, Miranda Rijnsburger, não estava presente. A fisioterapeuta também descreveu episódios de toques não consentidos e abordagens de teor sexual, além de conversas consideradas invasivas e constrangedoras. A investigação aponta que as funcionárias eram submetidas a exames ginecológicos, testes de gravidez e HIV.

Uma delas ainda relatou o medo de que Julio tivesse a acesso a seu celular, descrevendo o receio como um estado constante de alerta. A fisioterapeuta afirmou ter desenvolvido um quadro de depressão durante o período de trabalho. Já a outra funcionária declarou que, mesmo após deixar o emprego, continuou emocionalmente abalada. “Eles me usaram, me pisotearam“, lamentou.

As duas registraram a queixa com o apoio da organização internacional Women’s Link Worldwide e disseram que buscam justiça para todas as mulheres que trabalharam com o artista. “Quero que esse seja o impacto, que minha voz lhes dê força para que se manifestem e para que todos nós alcancemos a justiça. Não estou fazendo isso apenas por mim, estou fazendo por elas também, porque o que eu passei, e o que qualquer um dos meus colegas passou naquela casa, não foi justo. Entramos naquela casa para trabalhar com dignidade e não merecíamos todo o abuso físico, psicológico e sexual“, concluiu a fisioterapeuta.

Julio Iglesias não respondeu às tentativas de contato feitas pelos veículos internacionais. Uma assistente mencionada pelas denunciantes negou as acusações, classificando-as como “mentirosas” e definindo o artista como “um grande cavalheiro e muito respeitoso com todas as mulheres“.

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