Nesta quinta-feira (29), uma carta deixada na casinha do cão Orelha emocionou os moradores da Praia Brava. O cachorro comunitário, vítima de tortura e agressão por quatro jovens em Florianópolis (SC), precisou ser submetido à eutanásia.
Katia Chubaci, especialista em felinos e castrações humanitárias, compartilhou a imagem da carta e explicou que ela foi deixada no local durante a noite. “Essa cartinha foi deixada durante a noite na casinha do Orelha. Alguém parou, respirou fundo, criou coragem… e escreveu. Não para aparecer, para se despedir”, escreveu Chubaci.
O bilhete, carregado de emoção, dizia: “Meu lindo Orelha, hoje tomei coragem e parei aqui. Confesso que não consegui segurar as lágrimas. Sua casinha está aqui sem você. A praia está cheia, como de costume, mas falta você. Desculpa pelas atitudes de certas pessoas que estiveram contigo”.
Por fim, a pessoa acrescentou: “Estou morrendo de saudade e trouxe o ursinho da sua mana e um galho de alecrim que você gostava de cheirar. Que pena! Saudades! Te procurei, mas não te encontrei. Saudades eternas”.
Confira:


A agressão
De acordo com a investigação, as agressões ocorreram no dia 4 de janeiro, mas o caso só foi comunicado à Polícia Civil no dia 16. Orelha foi encontrado por moradores da região ferido e em estado de sofrimento. Ele foi recolhido e encaminhado a uma clínica veterinária e, no dia seguinte, precisou passar por eutanásia em razão da gravidade dos ferimentos.
Embora não existam imagens do momento exato, a delegada Valcareggi explicou que outros registros feitos na mesma região permitiram a identificação dos suspeitos. A Polícia Civil informou ainda que analisa mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança.
Durante a apuração, surgiram indícios de que o mesmo grupo teria tentado afogar outro cachorro comunitário, conhecido como Caramelo, também na Praia Brava. Segundo Valcareggi, há imagens dos adolescentes pegando o animal no colo, e moradores relataram que viram os suspeitos jogando o cão no mar.

Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pelas autoridades, por conta Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê sigilo em procedimentos envolvendo menores de idade. Dois adolescentes que já estavam em Florianópolis foram alvos de uma operação nesta segunda (26). Hoje, os outros dois suspeitos que viajaram aos Estados Unidos retornaram ao Brasil, tiveram os celulares apreendidos e foram intimados a depor.
Pais dos adolescentes se pronunciam
Duas famílias cujos filhos adolescentes são suspeitos terem participação no caso se pronunciaram através dos advogados. Em nota enviada ao hugogloss.com, eles pediram cautela por parte da população na repercussão do caso. Leia abaixo:
“Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, representantes legais de dois dos adolescentes supostamente envolvidos no episódio de agressão ao cachorro Orelha, na Praia Brava (SC), vêm a público para destacar importantes informações transmitidas pelas autoridades em coletiva de imprensa realizada hoje (27 de janeiro de 2026).
Como informado durante coletiva da Polícia Civil, não há vídeo ou imagens que comprovem o momento do suposto ato de maus-tratos. Destaca-se que, em seu esclarecimento, a delegada do caso, Mardjoli Valcareggi, afirma que tal vídeo nunca existiu, contrariando rumores de que ele havia sido apagado em um contexto de coação para eliminação de provas [ver vídeo em anexo].
Da mesma forma, vale destacar que os dois adolescentes não aparecem em vídeo mostrando um grupo de rapazes que também circula nas redes, estimulando a desinformação, ameaças e ataques.
A exposição irresponsável da identidade e da imagem dos jovens nas redes sociais – infringindo o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – assim como de suas famílias, exige que se reitere a necessidade de que se cumpram os ritos formais do processo pelas autoridades competentes, se analisem as evidências concretas para que, então, sejam declarados e punidos os culpados.
Em nome das famílias que enfrentam um verdadeiro linchamento virtual pela escalada do episódio, pedimos a cautela e a responsabilidade no compartilhamento de imagens e textos que não são condizentes com a realidade dos fatos. Por último, reiteramos a colaboração com as autoridades para que se esse triste episódio seja rapidamente esclarecido”.
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