Corretora tomou atitude contra filho do síndico antes de ser assassinada em GO

O filho do síndico também foi preso sob suspeita de tentar obstruir as investigações do crime

O assassinato da corretora Daiane Alves Souza ganhou novos desdobramentos após vir à tona que ela havia acionado a Justiça contra Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico que confessou o crime. O processo por danos morais tramitava em Caldas Novas (GO).

O caso do assassinato da corretora Daiane Alves Souza teve mais detalhes revelados nesta quinta-feira (29). De acordo com o UOL, a vítima havia acionado a Justiça contra Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico, por danos morais antes do crime. Maicon foi preso por suspeita de envolvimento no assassinato, que foi confessado por seu pai, Cléber Rosa de Oliveira, em Caldas Novas, Goiás.

O processo foi protocolado em 30 de abril do ano passado, no 2º Juizado Especial Cível de Caldas Novas. Na ação, Daiane pediu indenização de R$ 30.360, alegando ter sido alvo de ofensas nas redes sociais que teriam partido de Maicon e que, segundo ela, atingiram sua honra e sua imagem.

Como consta nos autos, a corretora relatou que os ataques começaram após desentendimentos pessoais e profissionais. Ela e Maicon chegaram a participar de uma audiência de conciliação, mas não houve acordo entre as partes. O caso seguia em tramitação na Justiça no momento da morte de Daiane.

Local onde corpo da corretora de imóveis foi encontrado. (Foto: Divulgação/Polícia Civil de Goiás)

Maicon foi detido sob suspeita de tentar obstruir as investigações do assassinato. A Polícia Civil apura se o filho teve participação direta ou indireta no homicídio. Já Cléber Rosa de Oliveira, síndico do prédio onde a corretora morava, confessou o crime e indicou à polícia o local onde teria ocultado o corpo. As investigações seguem em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do crime.

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Relembre o caso

Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro. Ela foi vista pela última vez por volta das 19h, ao sair do elevador no subsolo do prédio onde morava havia dois anos. Segundo a mãe da vítima, Daiane descia para religar a luz de casa, já que os cortes no fornecimento eram recorrentes, apesar de não haver atraso no pagamento da conta.

O assassinato foi o desfecho de um conflito que teve início em 2025. À época, o condomínio enviou uma notificação a Daiane, alegando que o apartamento da corretora estaria sendo utilizado como marcenaria. Em resposta, ela afirmou que o síndico estaria impedindo seu trabalho como corretora e orientando a portaria a barrar o recebimento de encomendas.

Registro da última vez em que a corretora foi vista (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

Com o passar dos meses, o desentendimento ganhou novos contornos e acabou se transformando em um imbróglio judicial. Áudios e prints de conversas foram anexados ao processo, revelando a tensão crescente entre Daiane e Cleber. O condomínio chegou a cortar o fornecimento de luz e água do apartamento da corretora — medidas que posteriormente foram revertidas pela Justiça. Em agosto, os moradores votaram, em assembleia, pela expulsão de Daiane do prédio.

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Daiane negou as acusações e reforçou que estava sendo vítima de perseguição por parte do síndico. Apesar da decisão dos moradores, a expulsão foi suspensa pela Justiça após recurso da corretora. Ela alegou que o condomínio não respeitou o prazo mínimo entre a convocação e a realização da assembleia. O juiz André Igo Mota de Carvalho acolheu o pedido até a análise da versão apresentada pelo condomínio. Saiba mais detalhes do caso clicando aqui.

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