A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) relatou que a tornozeleira eletrônica de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, está desligada desde domingo (1º). A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Tribunal do Rio de Janeiro, assinou o novo pedido de mandado de prisão preventiva nesta terça-feira (3), e ele já é considerado foragido.
Conforme a CNN Brasil, a Seap informou que o equipamento foi instalado no dia 30 de setembro, e a partir de novembro, foram constatadas irregularidades. A Justiça foi comunicada de violações nos dias 1º, 4 e 11 de novembro, 1º e 5 de dezembro. Desde a instalação, ao menos 66 ocorrências, sendo 21 consideradas graves somente em 2026, foram registradas.
A maioria dos registros está relacionada à ausência de carregamento da bateria. A secretaria também informou que o cantor foi à Central de Monitoração Eletrônica no dia 9 de dezembro, quando ocorreu a troca do equipamento. A tornozeleira que estava com Oruam foi encaminhada à perícia técnica, que constatou dano eletrônico, possivelmente por alto impacto.
Ainda de acordo com a Seap, as violações foram formalmente comunicadas ao Poder Judiciário, com envio de relatórios mensais para a 3ª Vara Criminal. O novo equipamento, porém, também apresentou falhas pela falta de carregamento, e desde domingo (1º) permanece descarregado, comprometendo o acompanhamento da medida judicial.

Na segunda-feira (2), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou o habeas corpus que mantinha Oruam em liberdade. Em sua decisão, o ministro Joel Ilan Paciornik salientou que o histórico de descumprimentos compromete a efetividade das medidas cautelares e justifica o restabelecimento da prisão preventiva.
Com isso, a juíza Tula Corrêa de Mello decretou a prisão do cantor e determinou a expedição imediata do mandado, com o mesmo prazo de validade do anteriormente revogado. Agentes da Polícia Civil fazem buscas em endereços ligados ao Oruam, mas até o momento, ele não foi localizado.
Oruam se pronuncia
Oruam foi indiciado por sete crimes em julho de 2025: tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. O cantor também foi denunciado por tentativa de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação no Rio de Janeiro, episódio que motivou sua prisão.
Após a decisão do STJ, o advogado Fernando Henrique Cardoso, responsável pela defesa do rapper, afirmou que “não houve qualquer desligamento proposital da tornozeleira“. Ao portal Metrópoles, ele ressaltou que o equipamento de monitoramento apresentava falhas técnicas e que Oruam chegou a ser convocado pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para a substituição do dispositivo.
O advogado também ressaltou que Oruam é réu primário, possui residência fixa e exerce atividade lícita. De forma subsidiária, ele solicitou a substituição da prisão por prisão domiciliar humanitária, alegando problemas de saúde. Outro ponto do recurso foi o pedido de revogação do monitoramento eletrônico e do recolhimento domiciliar noturno.
Em suas redes sociais, nesta terça-feira (3), o cantor publicou um vídeo mostrando as supostas falhas no carregamento de sua tornozeleira eletrônica. Ele compartilhou o aparelho conectado na tomada, mas sem carregar a bateria.
Veja:
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaquesOruam posta vídeo mostrando supostas falhas da tornozeleira eletrônica pic.twitter.com/FsDMsPu3mK
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) February 4, 2026