Novas mensagens expõem suposta relação de Jeffrey Epstein com brasileira, e sugerem aliciamento

A brasileira chegou a se declarar para Epstein e até indicou uma outra mulher, também do Rio Grande do Norte, para o financista conhecer

Uma troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e uma jovem do Rio Grande do Norte sugeriu que o financista mantinha uma relação íntima com ela entre 2010 e 2013. A brasileira chegou a se declarar para o financista e teria até indicado outra garota para ele conhecer.

Uma troca de mensagens entre Jeffrey Epstein e uma jovem do Rio Grande do Norte sugeriu que o financista mantinha uma relação íntima com ela entre 2010 e 2013. As conversas constam entre os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O caso chegou ao Ministério Público Federal (MPF), em Natal, e está sob análise.

Inicialmente, a troca foi revelada pelo jornalista potiguar Habyner Lima. Já nesta sexta-feira (13), o UOL teve acesso às mensagens no sistema criado pelo engenheiro Riley Walz e pelo desenvolvedor Luke Igel. A dupla esquematizou uma interface que simula a caixa de entrada de e-mails de Epstein.

A primeira mensagem que cita Maria*, cujo sobrenome será preservado, foi enviada pelo financista em 21 de outubro de 2010, com o número de telefone dela. Porém, não há detalhes sobre como ele se aproximaram.

Já em 26 de novembro do mesmo ano, o bilionário comentou sua ida a Natal com um amigo. “Estou tão feliz por ter encontrado essa garota. Ela vem com a mãe em janeiro. Vou para João Pessoa e depois para Recife. Volto para Natal”, relatou.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto um mês após ser preso, em 2019 (Foto: Divulgação/Registro de Criminosos Sexuais do Estado de Nova York)

Outras conversas sugeriram que Epstein e Maria teria desenvolvido uma relação mais íntima e tiveram encontros. “Te amo e estou morrendo de saudades!”, escreveu ela, em uma mensagem datada em 31 de outubro de 2012. Os e-mails seguem até a última mensagem enviada por Maria, em 2 de maio de 2013.

À época, ela pediu ajuda para encontrar onde morar, porque estava sendo despejada. Além disso, indicou uma mulher para Jeffrey conhecer. “Anexei algumas fotos recentes de suas amigas brasileiras favoritas. A última foto sou eu com a minha amiga brasileira que se mudou para Nova York. Já falei tudo sobre você para ela, e ela está ansiosa para te conhecer em breve”, contou a moça.

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Suspeita de aliciamento

Além dos encontros, há conversas em que os dois falam sobre a ida de uma garota para os Estados Unidos. Não há detalhes sobre qual atividade ela exerceria no país, mas suspeita-se que pudesse ser mais uma vítima do esquema de exploração sexual mantido pelo bilionário.

Em janeiro de 2011, mensagens mostram que Epstein demonstrava interesse na viagem da garota, que também é do Rio Grande do Norte. A idade dela não foi informada. Ele chegou a pedir mais informações a Maria e disse que podia enviar dinheiro para o visto norte-americano, passagem e passaporte.

“Ela vem de uma cidadezinha aqui nos arredores de Natal e de uma família muito pobre e simples. Ela também não tem passaporte. O que fazemos? Anexei uma foto que ela tirou para você na véspera de Ano Novo. Você vai adorá-la! Ela é uma menina muito querida”, elogiou Maria. O financista respondeu no dia seguinte, pedindo fotos da jovem usando “lingerie ou biquíni”.

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Por envolver suposto crime de aliciamento, uma representação foi protocolada no MPF do Rio Grande do Norte, que remeteu o caso à Unidade Nacional de Enfrentamento ao Tráfico Internacional de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes, em Brasília. Conforme o órgão, ainda não foi aberto procedimento investigatório.

A unidade que recebeu a denúncia só tonará a decisão após análise do material. De acordo com apuração do jornalista Habyner, a garota não chegou a viajar para os Estados Unidos, porque a família estranhou a situação e não autorizou o embarque.

Imagens inéditas da “Ilha da Pedofilia”, de Jeffrey Epstein, foram divulgadas por parlamentares dos EUA (Foto: Divulgação/Comitê de Supervisão e Reforma Governamental dos EUA)

Apesar do envolvimento no caso Epstein, conhecido mundialmente, há poucas informações públicas sobre Maria. De acordo com o UOL, o único dado identificado é de que a brasileira recebeu auxílio emergencial durante a pandemia.

Já a Receita Federal informou que ela é dona de uma empresa de investimentos imobiliários. Ao site, o advogado contábil que aparece como contato da empresa de Maria apenas afirmou que a brasileira não era mais sua cliente.

Prisão de Epstein

No dia 8 de julho de 2019, o financista foi preso e formalmente acusado em Nova York de tráfico sexual de menores e conspiração para cometer tráfico sexual. Um mês depois, em 10 de agosto, ele foi encontrado morto em sua cela, no Metropolitan Correctional Center, enquanto aguardava julgamento.

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Conforme as acusações, Epstein recrutou e pagou dezenas de meninas menores de idade, algumas com cerca de 14 anos, para “massagens” que se tornavam abuso sexual; e pagou vítimas para trazer outras garotas menores para ele, criando uma rede de exploração.

O bilionário também foi denunciado por cometer os respectivos crimes em propriedades em Nova York e na Flórida, entre 2002 e 2005, além de recrutar trabalhadores e associados para lhe ajudar a contatar e agendar encontros com as vítimas. Ao todo, tais acusações poderiam resultar em até 45 anos de prisão, caso ele fosse condenado.

* Nome fictício para proteger a identidade

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