Nesta quinta-feira (19), vieram à tona novas evidências no caso da corretora Daiane Alves Souza, vítima de assassinato pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira. Em vídeo divulgado pela Polícia Civil, é possível ver o momento em que Daiane é atacada pelo homem antes de desaparecer.
Após meses de desentendimentos entre a corretora e o síndico, Daiane sumiu no dia 17 de dezembro. Ela foi vista pela última vez por volta das 19h, ao sair do elevador no subsolo do prédio onde morava havia dois anos. Segundo a mãe da vítima, Daiane descia para religar a luz de casa, já que os cortes no fornecimento eram recorrentes, apesar de não haver atraso no pagamento da conta.
A gravação, recuperada do celular da vítima, mostra justamente o que aconteceu após Daiane chegar ao subsolo do prédio. O registro revela que, ao chegar ao local, ela se dirige até os quadros de luz. Assim que tenta abrir a porta do equipamento, é abordada com violência e grita.
Na gravação, é possível ver Cléber à espera da corretora, com luvas nas mãos, indicando premeditação. “Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota (da caminhonete) aberta. Ele posicionou o carro mais próximo ao local onde pretendia render a Daiane”, explicou o delegado João Paulo Mendes.
Assista abaixo:
Polícia recupera vídeo de ataque à corretora Daiane Alves pic.twitter.com/FkEhXsS4zY
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) February 19, 2026
A polícia concluiu que Daiane foi assassinada com dois tiros na cabeça. A principal hipótese é que os disparos tenham sido feitos fora do prédio, para evitar chamar a atenção de outros moradores. “A perícia mostrou claramente que qualquer disparo dado seria ouvido na recepção do prédio”, explicou o delegado André Luiz Barbosa.
Ricardo Matos, superintendente da Polícia Científica, revelou que a arma usada no crime é uma pistola .380 semiautomática. Um dos projéteis ficou alojado na cabeça da vítima, e o outro saiu pelo olho esquerdo.
Cleber Rosa de Oliveira e o filho dele foram presos no fim de janeiro, suspeitos de envolvimento no crime. Já sob custódia da polícia, o síndico confessou o assassinato e afirmou que agiu sozinho. Ele também revelou ter escondido o corpo de Daiane em uma área de mata às margens de uma estrada, em Caldas Novas. O síndico foi levado pelos policiais até o local para indicar onde havia abandonado o corpo, que foi encontrado em avançado estado de decomposição.
O assassinato foi o desfecho de um conflito iniciado em 2025. À época, o condomínio enviou uma notificação a Daiane, alegando que o apartamento da corretora estaria sendo utilizado como marcenaria. Em resposta, ela afirmou que o síndico estaria impedindo seu trabalho como corretora e orientando a portaria a barrar o recebimento de encomendas.
Em nota ao portal g1, a defesa de Cléber alegou que ainda não teve acesso a todos os documentos da investigação, principalmente ao relatório final. Os advogados só devem se manifestar após a análise completa das provas. Já o filho de Cléber, Maicon Douglas de Oliveira, foi preso sob suspeita de ajudar na ocultação de provas, mas a polícia descartou o envolvimento dele no crime. Segundo a corporação, ele será solto.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques