Especialista revela como prisão do ex-príncipe Andrew pode desencadear crise no reinado de Charles

Autor afirma que sobrevivência da família real depende da transparência do rei Charles III e da cooperação com as autoridades

Príncipe Andrew foi preso pela Thames Valley Police no Reino Unido após investigação em andamento. O caso envolve apuração sobre sua atuação em funções públicas e gera repercussão na monarquia liderada por Rei Charles III.

A prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor pode desencadear uma das maiores crises institucionais da história recente da monarquia britânica, segundo o especialista em realeza, Andrew Lownie. O autor afirmou que o impacto do caso sobre o reinado do rei Charles III dependerá diretamente de como a família real lidará com as investigações e da percepção pública sobre sua conduta.

Lownie, responsável pelo livro “Entitled: The Rise and Fall of the House of York” (“Intitulado: A Ascensão e Queda da Casa de York”, em tradução livre), destacou que a transparência será decisiva para evitar danos irreversíveis à instituição. “Acho que haverá problemas se surgir informação de que Charles encobriu a história por anos e só está agindo agora”, alertou.

“Acho que haverá problemas”, reforçou o especialista, acrescentando que a família real precisa “monitorar a opinião pública e a mídia”.

O ex-príncipe foi preso nesta quinta-feira (19), data em que completou 66 anos, após investigação conduzida pela Thames Valley Police. Ele é suspeito de má conduta no exercício de cargo público por supostamente compartilhar documentos comerciais confidenciais com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Andrew foi liberado no mesmo dia, enquanto o inquérito segue em andamento.

Caso Epstein: Novos e-mails revelam possível conversa envolvendo ex-príncipe Andrew e pedido “impróprio”: (Foto: Getty)

As acusações estão relacionadas ao período em que ele atuou como representante especial do Reino Unido para Comércio e Investimento, entre 2001 e 2011. Segundo as investigações, o ex-integrante da realeza teria enviado relatórios sigilosos sobre viagens oficiais ao Vietnã e a Singapura em 2010. Pela legislação britânica, autoridades que ocupam esse tipo de função são obrigadas a manter confidencialidade mesmo após deixarem o cargo. Caso seja condenado, ele pode enfrentar pena máxima de prisão perpétua.

A prisão ocorreu dentro da propriedade de Sandringham, onde Andrew reside desde que deixou o Castelo de Windsor. Em comunicado divulgado anteriormente pelo Palácio de Buckingham, o rei Charles III afirmou que recebeu a notícia com “profunda preocupação” e declarou apoio às investigações. “A lei deve seguir seu curso”, disse o monarca, ressaltando que a família real cooperará com as autoridades.

Veja:

O comunicado foi feito por meio das redes sociais. (Foto: Reprodução / Instagram)

De acordo com a BBC, este é o primeiro caso na história moderna em que um membro da família real britânica é detido sob suspeita criminal dessa natureza. A repercussão internacional reacendeu questionamentos sobre o impacto do escândalo na imagem da monarquia e aumentou a pressão sobre Charles III, que assumiu o trono em meio a um período de intensas transformações na instituição.

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Para o especialista Andrew Lownie, o desfecho do caso poderá influenciar não apenas o futuro de Andrew, mas também a confiança pública na família real. A forma como o rei e o palácio conduzirão a crise, especialmente em relação à transparência e à cooperação com as investigações, deve ser determinante para preservar ou abalar a estabilidade da monarquia britânica.

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