A repercussão do julgamento do homem, de 35 anos, acusado de abusar de uma menina, de 12 anos, em Minas Gerais, trouxe à tona denúncias de abuso sexual contra o relator do processo, Magid Nauef Láuar. Ao “Jornal Nacional” desta quarta-feira (25), Saulo Láuar, primo de segundo grau do desembargador, disse que foi vítima de constrangimentos e abusos pelo magistrado.
De acordo com Saulo, o episódio aconteceu quando ele tinha 14 anos, ao ser chamado para ir até a residência de Magid, em Ouro Preto. “Houve a tentativa do ato em si e eu consegui sair. Depois disso, ele me ligou, pediu desculpas e depois não tocamos mais nesse assunto“, declarou.
Saulo, que atua como analista do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), explicou por que decidiu expor o ocorrido. “Eu resolvi fazer um desabafo pessoal, uma espécie de manifesto, ainda que íntimo, mas pessoal, para dar força a esse movimento de mudança, de transformação de uma sociedade que não aceita esse tipo de comportamento“, salientou.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar o caso e já ouviu, pelo menos, quatro pessoas que declararam terem sido vítimas do magistrado.
Assista:
Primo acusa desembargador Magid Nauef Láuar de abuso sexual: ‘Houve a tentativa do ato em si e eu consegui sair’.
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— Jornal Nacional (@jornalnacional) February 26, 2026
O caso
No início de fevereiro, os desembargadores Magid Láuar e Walner Milward Azevedo tinham votado pela absolvição de estupro de um homem, de 35 anos e da mãe de uma menina, de 12. O réu vivia com a adolescente e a mãe dela no município de Indianópolis, no Triângulo Mineiro. O caso foi à Justiça em 2024, após uma denúncia do Conselho Tutelar pelo fato de a garota não comparecer às aulas.
De acordo com o MP, o homem oferecia dinheiro e presentes para a família da menina em troca do relacionamento. Ele foi preso em flagrante em 2024, na companhia da adolescente, e admitiu ter mantido relações sexuais com ela. No entanto, Magid e Walner descartaram a configuração de crime ao sustentarem a existência de um “vínculo afetivo consensual” entre o réu e a adolescente.

O único voto contrário foi da desembargadora Karin Emmerich. Nesta quarta-feira (25), promotores do MP apresentaram recurso contra a decisão de Magid e Walner, e pediram o restabelecimento da condenação em primeira instância, com pena de 9 anos e 4 meses de reclusão tanto para o acusado quanto para a mãe da menor, apontada como conivente no crime.
Após o recurso, Magid voltou atrás no voto que tinha dado para absolver o homem e a mãe da menina, e mandou prendê-los. O magistrado declarou que reapreciou o caso “com maior profundidade”, segundo o “JN”. Ele também considerou que “a diferença de idade entre a menor, à época dos fatos com 12 anos de idade, e o acusado, que contava com 35 anos“, expõe a “vulnerabilidade e incapacidade de discernir e expressar validamente a sua vontade de se relacionar com uma pessoa adulta“.
O homem e a mãe da menina foram presos na mesma tarde, em Indianópolis. Sobre as denúncias contra ele, o desembargador Magid Láuar afirmou que não vai se manifestar.
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