A Polícia Científica de Santa Catarina liberou um novo laudo sobre a morte do cachorrinho Orelha que diverge da primeira perícia no caso. No documento divulgado nesta quinta-feira (26), os agentes afirmam que não é possível identificar se o cão foi morto por ação humana, mesmo que, anteriormente, a investigação tenha concluído que Orelha teria sofrido uma “lesão contundente” na cabeça.
O novo relatório foi elaborado após a exumação do corpo do animal e não apontou a causa da morte. Segundo os peritos, não foi “constada fratura ou lesão que pudessem ter sido causadas por ação humana, nem mesmo no crânio”. Apesar da ausência de fraturas, os próprios peritos registraram que isso não descarta a hipótese de trauma.
O laudo afirma: “Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros”.
O exame também negou a possibilidade de que um prego tenha sido cravado na cabeça do cão, hipótese que circulou nas redes sociais após a morte de Orelha. “A penetração de um prego na cabeça do animal deixaria uma fratura circular em crânio, o que não se verificou”, explicou o texto.

Os peritos informaram que todos os ossos foram analisados, mas destacaram limitações, já que o corpo estava em fase de “esqueletização”. Durante a análise, foi identificada “uma área de porosidade óssea” na região maxilar esquerda do crânio. No entanto, o documento aponta que se trata de processo crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática à qual o animal foi submetido, já que entre a ação traumática e o óbito houve o transcurso de apenas um dia”.
Na coluna vertebral, os peritos constataram “abundante presença de osteófitos ventrais e laterais no corpo das vértebras”. Segundo o texto, as anomalias são “compatíveis com espondilose deformante, uma doença degenerativa crônica” comum em animais idosos.
O novo laudo contrasta com a perícia anterior. Conforme divulgado em uma coletiva de imprensa, o relatório médico-veterinário e o depoimento do profissional responsável concluíram que a morte de Orelha teria sido causada por um golpe na cabeça com objeto contundente. À época, a delegada Mardjoli Valcareggi afirmou: “Ele teve uma lesão contundente, que pode ter sido causada por um pedaço de pau, garrafa ou outro objeto. Foram lesões na cabeça”. O objeto, porém, não foi localizado.

No início do mês, a Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação de um adolescente de 15 anos e indiciou três adultos por coação de testemunhas. O Ministério Público de Santa Catarina também apontou lacunas na apuração e solicitou novos esclarecimentos. Em nota, o órgão afirmou que são necessários mais elementos para reconstrução dos fatos. Além disso, o MP-SC abriu um procedimento para investigar a conduta do então delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, após receber “diversas” representações relacionadas à atuação dele no caso. Relembre os detalhes, clicando aqui.
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