A avó da adolescente, de 17 anos, que foi vítima de um estupro coletivo em Copacabana, no Rio de Janeiro, falou como encontrou a neta após o ocorrido. Em entrevista ao “RJ2”, da TV Globo, exibida nesta segunda-feira (2), a mulher, que é tratada pela vítima como mãe, lamentou que a jovem tenha se sentido “culpada” pelo crime.
Em seu relato, ela contou como soube o que havia acontecido com a adolescente. “Quando eu me deparei com ela e falei: ‘Filha, o que houve?’. Aí foi quando ela suspendeu o vestido mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada. E só catei os documentos e falei: ‘Vamos para a delegacia’“, afirmou.
A avó desabafou sobre a “culpa” que a neta sentiu após o crime. “Ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida por vergonha, porque achava que, por onde ela passasse, todo mundo iria apontá-la como estuprada e como culpada. Por mais que eu dissesse para ela que ela não é culpada e que essa culpa não era dela“, lamentou.
“Ela está conseguindo se conscientizar de que ela não tem culpa, de que não está sozinha, de que ela importa, que o ‘não’ dela é muito precioso. Eu só querem que eles paguem, porque não tem que haver outras vítimas“, declarou.
Assista:
‘Ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida’, conta mãe de adolescente vítima de estupro coletivo no Rio.
A polícia está procurando 4 jovens suspeitos. O crime foi em 31 de janeiro, em um apartamento em Copacabana.
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— Jornal Nacional (@jornalnacional) March 3, 2026
O crime
Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha. Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então. O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro deste ano, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no sábado (28), quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos.
No elevador, o jovem avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que a vítima recusou. Já no apartamento, a vítima foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros quatro rapazes entraram no cômodo.

De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.
Em determinado momento, a vítima disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. Ela também relatou que, ao deixar o local, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, a adolescente contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.
A investigação teve acesso às imagens das câmeras do prédio. Os registros mostram a chegada dos suspeitos ao apartamento, às 19h24, do dia 31 de janeiro. Menos de dois minutos depois, a vítima aparece no local acompanhada pelo adolescente. A gravação também exibiu o momento em que a menina deixou o imóvel e seguiu em direção ao elevador. Após acompanhá-la até a saída do prédio, o adolescente retornou ao apartamento e faz gestos que os investigadores descreveram como de “comemoração”. Há ainda registros da saída dos investigados do edifício em horários próximos ao fato.
Os quatro homens foram indiciados pelo crime de estupro com concurso de pessoas, e são considerados foragidos. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos; e Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19. Já o adolescente que convidou a vítima também é investigado por ato infracional análogo ao crime.
Habeas corpus negado
Nesta terça-feira (3), a Justiça do Rio de Janeiro negou habeas corpus aos foragidos. Segundo informações obtidas pela emissora, três dos quatro maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos. Por enquanto, nenhum deles foi preso.
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