Vídeo: Detalhe em camisa de réu por estupro coletivo no Rio chama atenção

Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, é filho de ex-subsecretário do Governo do RJ

Um dos réus do caso de estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana se entregou à polícia na 12ª DP acompanhado de advogado. O detalhe da camisa usada por Vitor Hugo Simonin, com a frase “Regret Nothing”, chamou atenção nas redes sociais após a repercussão do caso.

— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) March 9, 2026

A expressão é citada no debate recente sobre discursos misóginos nas redes sociais e está ligada à chamada “machosfera”. Este termo foi criado em 2009 para descrever uma rede de comunidades masculinas que atuam principalmente no ambiente online. Segundo a GloboNews, esses grupos reúnem diferentes ideologias, que vão desde a crença de que homens não possuem poder institucional até posições mais radicais e hostis às mulheres.

Entre os grupos que fazem parte desse universo estão os chamados redpills e os incels — sigla em inglês para “celibatários involuntários”, usada por pessoas que afirmam não conseguir manter relações sexuais ou afetivas, apesar do desejo. Um dos nomes frequentemente associados à machosfera é o influenciador Andrew Tate, conhecido por promover discursos que exaltam a dominação masculina. Ele é réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual de menores.

A frase na camisa de Vitor Hugo. (Foto: Henrique Coelho/g1)

Ao se entregar para a polícia, Simonin fez questão de dizer que ele estava de “cabeça erguida”. “Ele não tem o que temer e vai provar sua inocência. Ele se apresentou de cabeça erguida”, disse o advogado Ângelo Máximo. A defesa de Simonin não se manifestou sobre a escolha da camisa. O modelo é vendido por uma grande rede de lojas de departamento e está esgotado.

O réu é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, exonerado do cargo no mesmo dia. O adolescente é estudante do Colégio Pedro II, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. A instituição, inclusive, abriu um processo administrativo para desligá-lo.

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O crime

O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro deste ano, em um imóvel na Rua Ministro Viveiros de Castro. No entanto, só veio a público no dia 28 de fevereiro, quando a polícia indiciou os quatro jovens suspeitos. Conforme o relatório final do inquérito produzido pela 12ª DP (Copacabana), a vítima foi convidada por um adolescente, colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo dele. O menino teria pedido que a jovem levasse uma amiga, mas, como ela não conseguiu, foi sozinha.

Os dois, inclusive, viveram um relacionamento entre 2023 e 2024, mas não se encontravam desde então. No elevador, o jovem avisou que mais amigos estariam no local e sugeriu que fariam “algo diferente”, o que a vítima recusou. Já no apartamento, ela foi levada para um quarto e, enquanto mantinha relação sexual com o menino, os outros quatro rapazes entraram no cômodo.

Portal dos Procurados divulgou cartaz dos quatro jovens denunciados pelo estupro coletivo (Foto: Reprodução/TV Globo)

De acordo com a vítima, após a insistência do adolescente, ela concordou que os amigos permanecessem no quarto, desde que não a tocassem. No entanto, como apontou o depoimento, os rapazes tiraram a roupa, passaram a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda que levou tapas, socos e um chute na região abdominal.

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Em determinado momento, a vítima disse que tentou sair do quarto, mas foi impedida. Ela também relatou que, ao deixar o local, enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Depois, a adolescente contou o que havia ocorrido à avó e procurou a delegacia para registrar o caso.

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