Justiça toma decisão sobre caso de jovem morto após invadir jaula de leoa em João Pessoa

Gerson de Melo Machado foi morto pelo animal diante de visitantes do local

A Justiça da Paraíba arquivou o inquérito sobre a morte de Gerson de Melo Machado, jovem que invadiu o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa, em 2025. A decisão acompanhou o parecer do Ministério Público, que concluiu não haver crime no caso.

A Justiça da Paraíba tomou uma decisão nesta quarta-feira (11) sobre o caso do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que morreu após invadir o recinto de uma leoa no Parque Zoobotânico Arruda Câmara, em João Pessoa. Conhecido como Vaqueirinho, ele foi atacado pelo animal diante de visitantes do local, no dia 30 de novembro de 2025.

A decisão foi assinada pela juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, da 1ª Vara Regional das Garantias, e determinou o arquivamento do inquérito. O entendimento acompanhou o parecer do Ministério Público da Paraíba, que concluiu pela “atipicidade da conduta”. Ou seja, não houve crime a ser investigado.

Segundo as investigações da 2ª Delegacia Distrital da Capital, o jovem invadiu o recinto de forma voluntária. Testemunhas relataram que ele ignorou alertas de guardas municipais e de outras pessoas que estavam no local. Para chegar até a área do animal, Gerson escalou as barreiras de proteção e utilizou uma árvore para acessar o espaço onde estava a leoa.

O laudo cadavérico apontou que a morte foi causada por “choque hipovolêmico”, portanto uma perda severa de sangue foi provocada pelas mordidas do animal. Um relatório técnico do IBAMA também foi considerado na decisão. O documento aponta que o recinto atende às normas de segurança previstas em lei, com muros de alvenaria de cerca de oito metros de altura e telas de proteção inclinadas a 45 graus, projetadas para evitar tanto fugas quanto invasões externas.

Sepultamento de Gerson de Melo Machado, em João Pessoa (Foto: Foto: Ícara Menezes/Arquivo Pessoal)

Durante a investigação, biólogos e tratadores do parque também foram ouvidos e confirmaram a regularidade do manejo animal e das instalações. O processo ainda trouxe informações de uma conselheira tutelar que acompanhava o jovem, indicando que ele vivia uma situação de vulnerabilidade psíquica. Ainda na infância, Gerson foi afastado da mãe, diagnosticada com esquizofrenia, mesma condição de saúde mental da avó materna. Já na adolescência, ele também recebeu o diagnóstico da doença, além de ter sido avaliado com deficiência intelectual.

Diante das apurações, a Justiça concluiu que houve “culpa exclusiva da vítima”, o que rompe o nexo de causalidade necessário para responsabilizar criminalmente terceiros ou o governo do estado, responsável pela administração do parque. O entendimento foi de que o episódio ocorreu de forma rápida e inesperada, sem indícios de negligência, imprudência ou imperícia por parte dos responsáveis pelo local.

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Relembre o caso

O ataque ocorreu durante o horário de funcionamento do zoológico. Segundo a prefeitura de João Pessoa, Gerson escalou uma parede de mais de seis metros, passou pelas grades que protegiam o recinto da leoa Leona e usou uma árvore para acessar o local. Logo depois, ele foi atacado pelo animal.

A TV Cabo Branco, afiliada à Globo, comunicou que ele tinha transtornos mentais e já havia sido preso mais de 10 vezes. A informação foi confirmada pela conselheira tutelar, Verônica Oliveira, que o acompanhou por 9 anos. Já o diretor da Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega (Presídio do Róger), Edmilson Alves, confirmou que ele foi detido 16 vezes.

A prefeitura também lamentou o ocorrido e manifestou solidariedade à família da vítima, afirmando que a Bica segue normas técnicas e de segurança.

Conselheira tutelar Verônica Oliveira ao lado de Gerson Machado (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

A tragédia chegou a ser gravada por visitantes no local. Em um vídeo que circulou nas redes sociais, a leoa percebe a presença de Gerson à distância e caminha até a base da árvore. Ele chega a interromper a descida e encara o animal, que tenta avançar. No entanto, o rapaz volta a escorregar e, nesse momento, a leoa o puxa para o chão. Ele ainda corre por alguns metros, mas em seguida, o animal aparece com o focinho sujo de sangue.

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O veterinário do parque, Thiago Nery, reforçou ao portal g1 que após o ataque, Leona ficou “estressada” e em “choque”. Ele disse que o animal respondeu aos comandos de treinamento e pôde ser contida sem o uso de armas ou tranquilizantes, embora todo o processo tenha levado um tempo por conta do estresse que ela passou.

ATENÇÃO: O vídeo abaixo contém imagens fortes. Assista:

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