Um homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque por um estudante, na manhã desta segunda-feira (13). O caso aconteceu em frente a uma universidade particular na avenida Alcindo Cacela, em Belém. Segundo o g1, um dos envolvidos foi levado para delegacia no mesmo dia, mas acabou sendo liberado.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram que um dos estudantes se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas ocasiões. Enquanto um pratica o ataque, o outro grava e dá risada da situação. Após aplicar o choque, ele sai correndo e também ri do caso.
Veja:
Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque, em Belém pic.twitter.com/K0691D2vp9
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) April 14, 2026
Os universitários, ambos do curso de direito, foram identificados pela polícia como Altemir Sacramento Filho, apontado como o agressor que aparece nos vídeos, e Antonio Coelho, sendo este o que filmava. Segundo a instituição de ensino, os dois foram afastados.
Em nota, a Polícia Civil informou que Altemir Sacramento foi apresentado pela Polícia Militar para prestar depoimento na Seccional de São Brás. Um boletim de ocorrência foi registrado e o caso será investigado. Diante da repercussão e revolta do caso na internet, o MPF e a deputada estadual na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) cobraram providências.

Estudantes de outra universidade particular de Belém afirmaram que as agressões teriam ocorrido durante uma dinâmica de “verdade ou desafio”. Também há relatos de que o mesmo tipo de prática já teria acontecido outras vezes, envolvendo diferentes pessoas em situação de rua.
Conforme as testemunhas, entregadores de aplicativo que passavam pelo local presenciaram a agressão, e tentaram alcançar os suspeitos. Os estudantes, então, correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa). Os trabalhadores foram atrás, mas não conseguiram entrar, já que foram impedidos por seguranças na portaria de forma hostil.
O que diz a universidade
O Cesupa lamentou o ocorrido e disse que adotou imediatamente as medidas de colaboração com as autoridades policiais para a apuração dos fatos. Em comunicado no Instagram, a instituição informou que os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e citou a abertura de um procedimento administrativo interno.
O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as providências na delegacia. De acordo com o Cesupa, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis.
“O Cesupa pauta sua missão acadêmica em valores humanísticos, integrando esses princípios à prática e à formação ética de seus alunos. Esse compromisso se reflete na interlocução permanente com órgãos de proteção social e nas ações desenvolvidas em todos os cursos para a promoção dos direitos fundamentais”, declarou a instituição.

Segundo o Jornal da Record, o homem em situação de rua foi localizado e segue na região. Porém, ele apresenta sinais de vulnerabilidade e, por esta razão, não conseguiu se defender dos ataques.
Caso é investigado
Nesta segunda (13), o Ministério Público Federal (MPF) abriu uma apuração para investigar a denúncia do ataque. A medida foi adotada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) no Pará, após a circulação dos vídeos das agressões.
O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, determinou o envio de um pedido de informações à universidade para onde o suspeito teria retornado após o ataque, com prazo de 48 horas para resposta. Além disso, o MPF também relatou que fará uma representação criminal ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que deverá apurar o caso na esfera penal.

Já na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), a deputada Lívia Duarte (Psol) enviou ofícios ao MPPA cobrando providências da reitoria do Cesupa e também pediu abertura de inquérito criminal. Ela classificou a agressão praticada como lesão corporal ou tortura, humilhação e aporofobia (preconceito contra pobres).
“Segundo os relatos, o ato de violência gratuita teria sido perpetrado como parte de um jogo denominado ‘verdade ou desafio’, evidenciando um completo desprezo pela dignidade humana e pela integridade física de um cidadão em estado de extrema vulnerabilidade”, argumentou a deputada. Lívia também pediu que o MPPA solicite imagens do sistema de vigilância do Cesupa e colha o depoimento da direção da instituição.
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