Monique Medeiros, mãe de Henry Borel e ré pelo homicídio do filho, em 2021, se entregou à polícia do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (20). A professora se apresentou na 34ª Delegacia de Polícia (Bangu), três dias após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes determinar que ela voltasse à prisão. Após o ocorrido, Leniel Borel, pai da criança, se pronunciou nas redes sociais.
No sábado (18), o ministro ainda rejeitou o recurso apresentados pela defesa de Monique e manteve a ordem de prisão preventiva. Por volta das 12h, a professora deixou a delegacia e foi para a penitenciária de Benfica, porta de entradas de detentos no sistema prisional do Rio. Apesar da insistência dos jornalistas, ela não concedeu nenhuma entrevista.
Veja:
Monique Medeiros se entregar em Bangu após decisão do STF é o mínimo que se espera. A liberdade dela era um tapa na cara da sociedade e uma ofensa à memória de Henry Borel. A justiça tardia ainda é falha, mas ver o crime não compensar traz um alento. pic.twitter.com/Cl2WOu68JJ
— Tainá de Paula (@tainadepaularj) April 20, 2026
À mídia que estava no local, a defesa de Monique rebateu a decisão da Justiça. “Primeiro ponto: a prisão da Monique foi reestabelecida com base de uma argumentação genérica. Como eu disse, através de um instrumento errado. Não existe coação de testemunha e é importante que vocês estejam aqui para nos ouvir”, afirmou uma das advogadas.
“A Monique não entrou em contato com nenhuma testemunha. As alegações que juntaram foram inverídicas e se nós pararmos para analisar de um ponto de vista lógico: a quem beneficiaria apagar aquelas mensagens? Porque a testemunha que se diz coagida é a babá, e as mensagens que tinham lá foram trocadas entre Thaynã [Oliveira Ferreira, babá de Henry] e seus familiares, falando sobre as agressões que Jairo [Souza Santos Júnior, ex de Monique] perpetuava”, continuou a profissional.
Em seguida, o outro advogado destacou que Monique é tão vítima quanto seu filho. “A Monique foi vítima tal como o seu filho. Monique quer justiça por Henry. Ela quer que, efetivamente, o culpado pela morte de seu filho pague”, declarou.
Assista à íntegra:
Defesa de Monique Medeiros: “Não existe coação de testemunhas. A Monique foi vítima como seu filho Henry e quer justiça.” #BalançoGeralRJ
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— Tino Junior (@tinojunior) April 20, 2026
Ainda conforme a defesa, assim que teve conhecimento do mandado de prisão, Monique decidiu se apresentar à polícia. Os advogados seguiram negando qualquer participação dela na morte do filho, ressaltando que a professora era vítima do ex-companheiro, o ex-vereador Jairinho.
Pai de Henry se pronuncia
Em um vídeo no Instagram, Leniel se pronunciou sobre a prisão de Monique. “Graças a Deus Monique está presa. Ela está voltando para o lugar de onde nunca deveria ter saído. Monique solta é um risco para o processo, para as testemunhas e para a própria busca da verdade. E isso não afronta só a Justiça, mas toda uma sociedade”, declarou.
Ele ainda reforçou que continuará buscando justiça pelo filho. “Henry merece justiça e eu não vou parar, não vou recuar, não vou me calar até que ela seja completa. Deixar alguém solto, colocando em risco o processo e as testemunhas, não é só um erro. É uma afronta à Justiça e toda a sociedade. Seguimos firmes, juntos pelo Henry”, completou Leniel.
Pai de Henry Borel se pronuncia após Monique Medeiros se entregar à polícia pic.twitter.com/QWUwGQozL3
— WWLBD ✌🏻 (@whatwouldlbdo) April 20, 2026
Novo julgamento
Em março, o julgamento de Monique e Jairo, padrasto de Henry, foi suspenso após a defesa dele abandonar o Tribunal do Júri. A juíza Elizabeth Machado Louro remarcou a audiência para 25 de maio e, à época, determinou a soltura de Monique. Na ocasião, a magistrada considerou a manobra da defesa de Jairo “uma interrupção indevida do recurso processual, em franco desrespeito à orientação advinda do STF”.
Monique e o ex foram presos em abril de 2021, mês seguinte à morte de Henry. A professora chegou a sair da cadeia após uma decisão da Justiça em 2022, mas voltou a ser encarcerada devido ao veredito do Supremo Tribunal Federal, em 2023. A criança, de apenas 4 anos, morreu com sinais de agressão em um apartamento na Barra da Tijuca, na zona sudoeste do Rio.

Segundo as perícias realizadas, Henry veio a óbito em decorrência de hemorragia interna e laceração hepática. Embora Monique e Jairo tenham alegado que o menino caiu da cama, peritos descartaram essa hipótese. O Ministério Público sustenta que a criança foi vítima de agressões de Jairinho, e que Monique foi omissa.
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