A Polícia Civil de São Paulo investiga o influenciador Jefferson de Souza, de 37 anos, suspeito de usar inteligência artificial para criar vídeos sexualizados com imagens de jovens evangélicas dentro de igrejas da Congregação Cristã do Brasil (CCB). O caso veio à tona após uma adolescente de 16 anos procurar a delegacia com os pais e denunciar o uso indevido de sua foto em montagens publicadas online. As informações foram divulgadas pelo g1.
Conhecido nas redes como “Silvio Souza”, em referência ao apresentador Silvio Santos, Jefferson mantém perfis no YouTube, Instagram, Facebook e TikTok, somando cerca de 50 mil seguidores. No canal “Humor do Crente”, ele publica vídeos com críticas a fiéis e conteúdos que foram considerados ofensivos pelas vítimas e os familiares.
Segundo a investigação, Jefferson utilizava técnicas de “deepfake” para inserir imagens reais de jovens em vídeos com conotação sexual. O termo “deepfake” combina “deep learning” (aprendizado profundo) e “fake” (falso). A tecnologia usa inteligência artificial para alterar fotos, vídeos ou áudios de forma realista, simulando falas, rostos ou comportamentos que nunca aconteceram. Especialistas alertam que o recurso tem sido cada vez mais usado para assédio, desinformação e crimes digitais.
Em um dos casos denunciados, um estudante de 16 anos teve uma foto feita em frente ao altar da igreja manipulada sem autorização. “Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial”, relatou a adolescente ao g1. A jovem afirmou ainda que deixou de tirar fotos após o episódio. “Eu sou muito envergonhada, então não queria ter sido exposta”, completou.

De acordo com a polícia, Jefferson é investigado por suspeita de simular cena de sexo ou pornografia envolvendo menor de 18 anos por meio digital, crime previsto no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cuja pena pode chegar a três anos de prisão, além de multa.
A delegada Juliana Raite Menezes, da 8ª Delegacia de Defesa da Mulher, afirmou também ao g1 que outras possíveis vítimas já foram identificadas e incentivou novas denúncias. “A internet não é terra sem lei. As leis que nos protegem no mundo real também se aplicam no ambiente virtual”, declarou.
Veja:
Influencer usa inteligência artificial para manipular imagens e sexualizar jovens evangélicas em igrejas; polícia de SP investiga https://t.co/D38Pm1ZsKC #g1 pic.twitter.com/G4wPLncIFE
— g1 (@g1) April 22, 2026
Em depoimento, Jefferson admitiu que utilizava fotos de jovens da CCB e ferramentas do TikTok para animar imagens e transformá-las em vídeos. No entanto, negou intenção criminosa. Ele afirmou que produz “conteúdo humorístico” e disse não saber que a adolescente em questão era menor de idade. Também declarou que acreditava que o uso das imagens não causaria problemas por já estarem disponíveis na internet.
Em vídeo publicado nas redes, o influenciador pediu desculpas aos membros da igreja: “Eu quero pedir desculpa, pedir perdão publicamente pelos vídeos que andei postando. Eu confesso que errei na minha forma de falar”.
Em nota ao g1, a Congregação Cristã do Brasil afirmou que não compactua “sob nenhuma hipótese” com conteúdos que atentem contra a dignidade e a imagem de qualquer pessoa.
O TikTok informou adotar política de tolerância zero contra exploração sexual infantil. Já o YouTube disse ter removido conteúdos que violavam suas diretrizes. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não comentou o assunto até o momento.
Em nota, a defesa do influenciador afirmou que ele está colaborando integralmente com as investigações, “tendo prestado depoimento voluntariamente e franqueado o acesso a seus dispositivos eletrônicos para a devida perícia técnica”.
Leia a íntegra:
“A defesa enfatiza que as publicações realizadas em suas redes sociais tinham o intuito estrito de sátira e crítica de costumes, inseridas em um contexto de humor. Em nenhum momento houve a intenção de promover exploração sexual, pornografia ou qualquer ato que atentasse contra a dignidade sexual das pessoas mencionadas.
Quanto às alegações envolvendo menores de idade, a defesa sustenta que o investigado não possuía conhecimento sobre a idade das pessoas retratadas nas imagens públicas utilizadas, o que configura erro passível de análise jurídica técnica.
Jefferson já manifestou seu profundo arrependimento e realizou uma retratação pública, pedindo desculpas às jovens, às famílias e à comunidade da Congregação Cristã do Brasil (CCB) por qualquer constrangimento ou sofrimento causado. Por fim, a defesa reafirma que o caso deve ser tratado sob o rigor do devido processo legal e do princípio da presunção de inocência, evitando-se julgamentos antecipados que possam comprometer a segurança e a integridade do investigado e de seus familiares.
O processo tramita sob os cuidados das autoridades competentes e a defesa se manifestará exclusivamente nos autos judiciais”.
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