Nesta sexta-feira (24), Jake Reiner compartilhou um ensaio em seu perfil no Substack, no qual relembra a noite trágica da morte dos pais, Rob e Michele Reiner. Os dois foram encontrados sem vida na casa da família, na tarde de 14 de dezembro, assassinados a facadas pelo filho caçula, Nick Reiner.
No texto, Jake — filho mais velho do casal — fala abertamente sobre o luto pela primeira vez. Além de detalhar os momentos que antecederam a notícia, ele reflete sobre tudo o que lhe foi “roubado” naquela noite. Segundo o relato, ele estava na Union Station, em Los Angeles, celebrando a vida de um de seus melhores amigos, que havia morrido em outubro, quando recebeu a ligação da irmã.
“A corrida de 45 minutos de Lyft do centro até o lado oeste foi insuportável. Meu mundo, como eu conhecia, havia desmoronado. Eu estava em transe. A única coisa em que conseguia focar era que precisava chegar à minha casa de infância. Precisava chegar até minha irmã. Precisava entender o que diabos tinha acabado de acontecer”, relembrou.
O casal foi encontrado pela filha, Romy Reiner, de 28 anos, na noite daquele domingo (14). As vítimas apresentavam as gargantas cortadas e diversos ferimentos provocados por faca. Após a descoberta, Romy acionou as autoridades e alertou os policiais de que um familiar “perigoso” deveria ser considerado suspeito, referindo-se ao irmão mais novo, Nick, que já tinha um histórico problemático. Ele foi preso cerca de seis horas após o crime.

Jake afirma que sente ter sido “roubado de tantas coisas naquele dia”. “Meus pais não estarão no meu casamento, não poderão segurar meu futuro filho, e não vão me ver construir a carreira de sucesso que ainda estou buscando. Isso ao mesmo tempo parte meu coração e me enfurece”, lamentou.
Jake acrescentou: “Nada pode te preparar para o que é perder ambos os pais instantaneamente ao mesmo tempo. É devastador demais para compreender. Ainda acordo todas as manhãs tendo que me convencer de que não, não é um sonho. Este é realmente o meu pesadelo em vida”.
Embora diga não conseguir imaginar o que os pais passaram nos momentos finais, Jake afirma pensar frequentemente no medo que eles devem ter sentido. “Eles eram as últimas pessoas no mundo que mereciam o que aconteceu com eles. Eles mereciam ser amados, respeitados e, acima de tudo, valorizados por tudo o que deram a nós três e ao mundo. Eles deveriam estar aproveitando o resto de suas vidas em paz, envelhecendo juntos. Em vez disso, isso foi arrancado deles, de mim, da Romy… e não havia nada que pudéssemos fazer”, desabafou.
Ao longo do texto, ele também homenageia os pais, destacando a relação afetuosa que tinham com os filhos. “Eles são minhas luzes-guia, a base de quem eu sou como ser humano e as pessoas mais generosas que já conheci. Muitas pessoas não têm o privilégio de ter os melhores pais, a melhor mãe ou o melhor pai, mas eu tive. O amor que tinham por mim, meu irmão e minha irmã é realmente incondicional. E o amor que tinham um pelo outro no casamento é algo que sempre vi como o padrão de um relacionamento bem-sucedido”, afirmou.
Em um dos trechos mais emocionantes, Jake descreve a mãe, Michele, como sua confidente — “e eu era o dela”, ressaltou. “Sempre que eu passava por um momento difícil ou tinha um problema complicado para resolver, recorria à perspectiva brilhante dela. Sempre senti que ela estava do meu lado. Herdei dela minha intolerância a besteiras e adoro isso. Ela nunca teve medo de dizer a verdade. Também era sensível e sempre pensava nos outros antes de si mesma”, escreveu.
Ele também a definiu como “o motor, a base e o coração” da família. Segundo Jake, Michele era responsável por organizar encontros em feriados e planejar viagens, além de nunca ter deixado de apoiá-lo. “Minha mãe foi quem me ajudou a me mudar para dentro e fora dos dormitórios e apartamentos na Universidade de Syracuse e continuou me ajudando nas mudanças quando comecei minha carreira em comunicação. O apoio dela nunca vacilou, e eu sempre senti o quanto ela me amava. Sinto a presença dela em todos os lugares, todos os dias. Sinto muita falta dela”, confessou.
Sobre o pai, o diretor Rob Reiner, Jake destacou que ele era a mesma pessoa “linda” em público e em casa. “Meu pai é meu herói. Eu adorava como ele analisava meus sonhos ou como eu sentia que podia falar com ele sobre qualquer coisa. Nenhum assunto era proibido. Sempre que eu estava em um relacionamento difícil, ele me desafiava e dizia: ‘Você precisa pensar no que te atrai em alguém assim e, quando entender isso e quebrar esse padrão, encontrará a pessoa certa para você'”, contou.
“Tenho orgulho de dizer que encontrei essa pessoa em Maria e sou muito grato por ela ter tido a chance de conhecer e amar meus pais”, disse, ao mencionar sua companheira. Ele acrescentou: “Queria que tivéssemos trabalhado juntos em um projeto do começo ao fim. Sinto muita falta dele”.
Jake também refletiu sobre o processo de luto e afirmou que, apesar das memórias incríveis, trocaria tudo por “mais uma hora” ao lado dos pais. “Quando você não está vivendo uma tragédia da forma específica como eu e Romy estamos, é difícil compreender o quão horrível isso foi. Para nós, é todos os dias”, escreveu.

Ele ainda criticou as exigências práticas que surgem em meio ao luto: “Cada reunião, cada pessoa com quem falamos, cada lágrima, cada movimento está ligado ao fato de nossos pais terem sido assassinados. No meio de tentar processar o momento mais devastador da sua vida, o mundo exige reuniões, documentos, decisões e explicações — como se a burocracia viesse antes do luto”.
Jake reconheceu que muitas pessoas não sabem o que dizer diante de uma tragédia como essa, e afirmou que ele próprio também não saberia. “Perdemos mais da metade da nossa família naquela noite, da forma mais violenta possível. Nada se compara a perder ambos os pais ao mesmo tempo e, além disso, ter seu irmão no centro de tudo”, disse.
Por fim, fez um apelo ao público, em prol do restante da família: “Eu entendo que as pessoas têm perguntas. Algumas respostas virão com o tempo. Mas certas partes pertencem apenas à nossa família, e mantê-las privadas é a única forma de proteger o pouco que restou do que nos foi tirado. O que você diz a alguém vivendo isso? A verdade é: não há nada a dizer. Eu só peço amor e compaixão — os mesmos princípios pelos quais meus pais viveram”.
Nick Reiner responde a duas acusações de homicídio em primeiro grau pelas mortes dos pais — das quais se declarou inocente. Segundo o promotor do condado de Los Angeles, Nathan J. Hochman, a acusação também inclui a qualificadora de “circunstâncias especiais”, o que pode tornar Nick elegível à pena de morte ou à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
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