A mãe de uma das crianças vítimas de um estupro coletivo, que aconteceu na Zona Leste de São Paulo, deu um forte depoimento sobre o caso. Em entrevista à TV Globo, nesta quarta-feira (6), ela falou sobre o impacto do ocorrido na vida do filho de 10 anos e da família. Um homem de 21 anos e quatro adolescentes, de 14 a 16 anos, foram os responsáveis pelo crime, de acordo com a polícia.
“Teve a justiça. Não do jeito que eu queria, mas teve. Isso não vai sair da cabeça do meu filho. Não tão cedo. É uma coisa que, ainda mais, depois desses vídeos e tudo…”, afirmou ela. Para preservar a identidade das vítimas, a imagem da mulher não foi exibida. Ela ainda revelou que o filho passou a ficar mais calado desde o episódio.
“Ele ficou mais quieto, né? Ele era um pouco mais falante dentro de casa. Ele fica um pouco mais quieto. Ele tem medo dos outros, lá onde a gente está, descobrir. Porque é chato comentar alguma coisa”, declarou. Mesmo com a dor, a mãe afirma que tenta seguir em frente: “Eu tô me sentindo aliviada pelas prisões, né? Porque eles vão pagar pelo que eles fizeram. E, agora, vou entregar nas mãos de Deus”.
Veja o vídeo abaixo:
‘Isso não vai sair da cabeça do meu filho’, diz mãe de menino alvo de estupro coletivo em SP https://t.co/vulC7Iv5FP #g1 pic.twitter.com/j3I9JTFYMv
— g1 (@g1) May 6, 2026
De acordo com a polícia, além do convite para empinar pipa, uma das crianças também foi chamada para tomar banho antes do crime. A informação ajudou os investigadores a entender a dinâmica usada pelos suspeitos para atrair as vítimas.
O único adulto no grupo é Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, apontado como responsável por gravar e divulgar os vídeos. Ele foi preso em Brejões, na Bahia, e encaminhado ao 63º Distrito Policial, localizado na Vila Jacuí, Zona Leste da capital paulista, onde o caso é investigado.

O caso só chegou ao conhecimento da polícia em 24 de abril, três dias após o crime. A irmã de uma das vítimas viu imagens dos abusos circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia. Conforme a Polícia Civil, ela não morava com a mãe e só soube da violência ao reconhecer o irmão mais novo nas imagens.
A polícia relatou que a família chegou a deixar a comunidade após sofrer ameaças. “Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, explicou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.
A investigação também apontou que Santos foi quem teve a ideia de gravar o crime. Ele filmou os abusos com o próprio celular e repassou os vídeos a amigos por WhatsApp. As imagens se espalharam pelas redes sociais, configurando mais um delito. “No primeiro momento, a gente tinha a prioridade de identificar os agressores. No segundo momento, vamos atrás para saber quem divulgou essas imagens”, completou o delegado Júlio Geraldo.
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