Nesta segunda-feira (11), a atriz Taís Araújo participou do programa “Sem Censura“, da TV Brasil. Durante a entrevista, ela relembrou o convite para integrar o remake de “Vale Tudo” e fez um desabafo sincero sobre a condução da personagem Raquel pela autora Manuela Dias.
Sem papas na língua, Araújo contou que conhecia bem a trajetória da personagem na versão original da novela, exibida pela TV Globo entre 1988 e 1989 e escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. No entanto, ao receber os roteiros da adaptação, percebeu uma mudança significativa no desenvolvimento de Raquel — o que a incomodou.
“Olha, a Raquel, eu acho que ela está entre as três personagens mais importantes da minha carreira. E muito por uma escolha mesmo de atuação, sabe? Eu com a Yara Novais decidimos fazer uma coisa crua. Vamos fazer quase um jogo de cena, sabe? (…) Vamos limpar a cara toda, tirar a maquiagem, fazer uma personagem crua, uma mulher dessas que a gente conhece, que a gente olha e reconhece na vida. E isso é um exercício dificílimo de atuação, é muito difícil de fazer”, explicou.
Ela destacou que, apesar dos desafios, conseguiu alcançar o resultado em alguns momentos: “Eu acho que consegui em alguns momentos, não foram todos, porque é muito difícil mesmo. E numa novela você tem uma quantidade de cenas muito grande, né? Então, em alguns momentos, eu acho que consegui alcançar esse lugar e foram momentos muito especiais na minha carreira. Foram cenas muito especiais de portfólio, que eu consegui guardar e mostrar esse trabalho aqui”.
No #SemCensura, Taís Araújo fala sobre desconforto com mudanças no desenrolar de “Vale Tudo”. pic.twitter.com/yGDGsSiB0t
— Muka 🎙️ (@falamuka) May 11, 2026
Ainda assim, a atriz reforçou que a mudança no rumo da personagem a surpreendeu. “O que aconteceu era que fui convidada a fazer um personagem que eu sabia a história dele. E, de repente, me apresentaram um outro, e aí eu achei esquisitíssimo aquilo. Mas entendi, porque também novela é uma obra aberta, entendeu? Só que eu não sabia que o remake também era aberto, isso eu não sabia”, disse.
Para ela, atualizações eram esperadas — mas não alterações estruturais. “Eu achei que, obviamente, você vai reestruturando coisas para atualizar. É uma novela que foi passada há quase 40 anos, você tem que fazer atualizações. Mas a espinha dorsal, realmente, eu não esperava. (…) O Romeu e a Julieta têm que morrer no final, os dois. Não dá para um ficar vivo”, comparou.

Sincera, Araújo admitiu que as decisões criativas a afetaram: “Isso, para mim, bateu num lugar muito duro, muito difícil. Mas eu entendi também, eu falei: ‘Gente, escolhas. São escolhas, a gente está no jogo. Foram escolhas que foram feitas. Ok, por mais que eu fique triste, chateada, frustrada, seja o que for, esse é o meu ofício’. Então, depois que eu fiquei chateada, entendi, falei: ‘Então, agora eu vou continuar entregando o melhor possível até o final. Eu não vou esmorecer, porque não estou sozinha aqui, tem uma equipe inteira querendo contar essa história. Um elenco que estava muito querendo contar aquela história'”.
Determinada, ela afirmou que decidiu seguir em frente com profissionalismo e respeito pelo trabalho coletivo: “Falei: ‘Eu não vou ficar tristinha e não vir trabalhar ou pegar um trabalho que eu me esmerei tanto e jogar no lixo’. Porque essa é a minha vida, é o meu trabalho, é a minha profissão, é o meu ganha-pão. Eu tenho que olhar para ele com muito respeito e honrar muito. Eu falei: ‘É isso aqui que eu tenho, então vamos embora fazer o melhor possível até o final, gente, é isso'”.
Ao final, após receber elogios das apresentadoras, ela fez um balanço positivo da experiência: “Ah, eu posso falar? Eu fui feliz. Eu fui feliz, porque eu sabia que eu estava ali fazendo o melhor que eu podia com o que eu tinha”.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaquesTaís Araújo falou no #SemCensura a frustração com o desenvolvimento da Raquel no remake de Vale Tudo.pic.twitter.com/oewWqKpa7K
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