Daniel Filho relembrou sua relação de décadas com a TV Globo e explicou os motivos que o levaram a deixar a emissora. Em entrevista ao programa “Sem Censura”, da TV Brasil, nesta segunda-feira (25), o diretor, de 88 anos, refletiu sobre o impacto que o cargo exercia em sua vida pessoal e profissional.
O veterano explicou que sentia necessidade de entender sua identidade fora da posição de diretor na televisão: “Eu me reencontrei. O poder é um lugar muito complexo, que cria muitos amigos falsos e inimigos poderosos. Eu até usei essa frase quando pedi demissão [da Globo], o que foi um espanto para todo mundo. Eu estava ganhando uma fortuna”.
“Mas eu disse: ‘eu quero saber quem sou eu sem essa cadeira em que estou sentado’. A cadeira do poder é uma cadeira que cria uma redoma em torno de você”, contou ele, em conversa com Cissa Guimarães.
Na entrevista, ele também revelou que se sentia pouco reconhecido por muitos dos projetos que ajudou a desenvolver dentro da emissora: “Eu dizia: ‘estou pedindo para sair, porque não aguento mais’. Porque também tinha um outro lado terrível, que era, mal comparando, eu preparava a parceira e, na hora de ir para a cama, eu entregava para outro fazer (risos). Então, quer dizer, ficava preparando o programa, a ideia… É realmente muito frustrante”.

Apesar disso, o diretor afirmou que encontrou satisfação ao criar projetos autorais fora da Globo. “E eu estava com tanta razão, que logo produzi um programa, que foi o ‘Confissões de Adolescente’, que é algo meu. E se você pensar no tanto de programas que estão na Globo e nos quais meu nome nem aparece, nem dizem que eu tenho algo a ver com isso… Então, finalmente, eu consegui ter algo que eu posso chamar de meu”, celebrou.
Assista ao vídeo completo abaixo:
“O poder é um lugar muito complexo que cria amigos falsos e inimigos poderosos.”
O ator e diretor Daniel Filho relembra decisão de sair da TV Globo no #SemCensura. pic.twitter.com/kDRTRXGtna
— TV Brasil (@TVBrasil) May 25, 2026
Daniel Filho chegou à Globo em 1967, a convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. A partir daí, dirigiu novelas iconicas como “Irmãos Coragem” (1970), “Selva de Pedra” (1972) e “Pecado Capital” (1975), além de minisséries marcantes como “O Primo Basílio” (1988) e “A Vida Como Ela É…” (1996). Em 1991, alcançou o cargo de diretor da Central Globo de Produção, função que ocupava quando decidiu pedir demissão.
Durante o período afastado da emissora, Daniel dirigiu e produziu a série “Confissões de Adolescente” (1994), exibida pela TV Cultura, além de assumir a superintendência de operações e programação da Band. O retorno à Globo aconteceu em 1995. No entanto, Daniel deixou a Globo em definitivo em 2015.
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