A polícia prendeu, nesta terça-feira (26), um falso médico que atuava em um hospital particular na Zona Leste de São Paulo. Ele e outro homem, também alvo da investigação, foram responsáveis por cerca de 2.000 atendimentos em dois anos. Conforme as autoridades, nove deles resultaram em óbitos decorrentes de supostas falhas e mau atendimento.
Os dois trabalhavam no Hospital de Clínicas Jardim Helena. O homem preso é Marcos Phelipe de Barros e usava documentos verdadeiros de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta. Marcos também foi filmado por policiais há cerca de três semanas, atendendo uma paciente na rua e aplicando injeção. Até o momento, a defesa dele não se pronunciou. O outro suspeito ainda não foi localizado.
Veja:
➡️ Falso médico suspeito por mortes foi flagrado aplicando injeção na rua
🤳 Reprodução pic.twitter.com/HUeqVWqwqY
— Metrópoles (@Metropoles) May 26, 2026
A segunda fase da Operação “Hipócrates II”, conduzida pelo 22º Distrito Policial, de São Miguel Paulista, tem como objetivo cumprir sete mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e dois de prisão convertidos em medidas cautelares. Além da capital, a ação também incluiu na lista São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.
Apesar do alto número de atendimentos, as investigações não informaram em qual especialidade os falsos médicos atuavam. De acordo com a Polícia Civil, o inquérito também apontou sinais de omissão e negligência por parte da unidade hospitalar, fundada em 1975.

A Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico da unidade de saúde durante as investigações. A identidade de ambos, porém, não foi divulgada. Chamou a atenção da polícia, o fato dos falsos médicos trabalharem ilegalmente no hospital há dois anos. O delegado responsável pelo caso, Mariano de Araújo, disse que também busca quem deu suporte ao esquema.
“Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes e indícios de falhas que vão além dos falsos médicos”, explicou.
A primeira fase da operação ocorreu em 16 de dezembro do ano passado. A polícia afirmou que as diligências continuaram até a identificação de alguns dos alvos. O Hospital de Clínicas Jardim Helena ainda não se pronunciou.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques