Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, morto em 8 de março de 2021, voltou a prestar depoimento. Na sessão, iniciada na sexta-feira (29) e encerrada na madrugada deste sábado (30), ele relembrou o último fim de semana ao lado do filho antes da morte trágica. Às autoridades, Leniel afirmou que o menino demonstrou resistência em retornar para a casa da mãe.
A oitiva integra o julgamento que vai decidir se Jairo Souza Santos Júnior (Jairinho) e Monique Medeiros, mãe da vítima, são culpados pela morte de Henry. Este sábado marca o sétimo dia de sessões no plenário do 2º Tribunal do Júri.
Durante o depoimento, encerrado por volta das 4h, Leniel contou que buscou o filho no sábado, 6 de março de 2021, quando percebeu sinais de possíveis agressões. Segundo ele, Henry apresentava marcas no nariz e na perna, mas não soube explicar a origem dos machucados. Naquele dia, o menino brincou com um colega na piscina do prédio e, em seguida, foi ao shopping e a uma festa de aniversário.

No domingo, Leniel almoçou com o filho e passou o restante do dia com ele. No entanto, afirmou que foi pressionado por Monique para devolver a criança antes do combinado — que seria à noite.
Diante da insistência, o pai decidiu levar Henry de volta. Durante o trajeto, notou o nervosismo do menino, que chegou a ter ânsia de vômito, obrigando Leniel a parar o carro por alguns minutos até que ele se acalmasse.
No momento da entrega, Henry teria demonstrado resistência em ir com a mãe. Segundo o pai, o menino fez declarações preocupantes, como “mamãe não é boa”. Ainda assim, Leniel acabou contrariando o filho.

De acordo com o relato, Henry só aceitou ir após Monique prometer que procurariam outra casa para morar. Na época, ela vivia com o ex-vereador e médico Dr. Jairinho. Horas depois de ser entregue à mãe, na noite de domingo, Henry foi levado ao hospital em parada respiratória e morreu no dia seguinte, 8 de março.
Leniel acredita que o crime possa ter sido premeditado. Embora essa não seja uma das teses em julgamento, ele afirmou ter convicção de que a conduta de Monique e Jairo foi calculada, destacando que, segundo ele, a mãe teria ignorado sinais de sofrimento do filho.

Por volta das 14h deste sábado (30), o júri retomou a oitiva de testemunhas. A expectativa é que os trabalhos se estendam até domingo (31), com possibilidade de veredicto na próxima terça-feira (2). Sete jurados serão responsáveis por decidir se os réus são culpados pela morte de Henry.
Jairo e Monique estão presos desde abril de 2021. A mãe chegou a ser solta após a primeira tentativa de julgamento, em março deste ano, mas voltou à prisão semanas depois, por decisão do STF.
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