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Casal é vítima de discurso homofóbico de motorista de aplicativo no ES, e registra caso em vídeo: “Ameaça à nossa vida”

Nos relatos, as duas mulheres recordaram o tom violento da conversa quando o homem citou que as coisas eram resolvidas “na bala”

Nesta quarta-feira (30), um casal de mulheres torno público o caso de homofobia que sofreu na cidade em que mora, Serra, no Espírito Santo, na tarde de ontem. Durante uma viagem com um motorista de aplicativo, as duas foram surpreendidas com um discurso de preconceito contra homossexuais e transexuais, e que, em certo ponto, tomou um tom violento falando sobre “resolver as coisas na bala”.

Com medo, as duas preferiram não ter suas identidade divulgadas, mas conversaram com o portal UOL sobre o ocorrido. A corrida com destino a um shopping da cidade começou normalmente, até que o homem começou falar sobre o quanto o mundo estava difícil atualmente, e no decorrer do monólogo, foi assumindo algumas opiniões já controversas, alegando que pessoas em situação de rua estão assim porque queriam.

Nos relatos, o casal afirmou que optou por permanecer calado, especialmente quando as falas escalaram para um lugar ainda mais radical, citando que “a esquerda estragou o país” e que “no tempo dele, as coisas se resolviam de outra forma”. Em certo ponto, o motorista já não escondeu mais o discurso discriminatório.

“Ele começou a falar que não existe esse negócio de homem querer ser mulher e mulher querer ser homem, porque isso é coisa da esquerda, que a esquerda inventou isso porque colocaram ‘o negócio de kit gay’ nas escolas e que isso é um absurdo, que na época dele essas coisas eram resolvidas na bala”, contou uma das vítimas ao UOL.

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Próximas do destino final, o homem já não escondia das duas mulheres seus comentários homofóbicos, o que fez com que elas passassem a gravar tudo e de certa forma tentarem revidar. “Eu me sinto desrespeitada dentro do seu carro. Eu sou sapatão”, começou uma das denunciantes. “Para mim isso é errado. Homem nasce homem e mulher nasce mulher, querida. Você pode optar por outra forma de vida, o problema é seu, mas isso não existe, não”, continuou o motorista.

“E não existe também ser atacada dessa forma. Eu tô aqui com a minha esposa e a gente está se sentindo muito mal com sua fala”, desabafou a mulher, que na sequência revela estar registrando tudo que está sendo dito. O motorista não se preocupou e alertou que elas poderiam descer do automóvel. “Está chegando já, eu vou parar e você desce, mas eu tenho direito de opinar”, afirmou.

 

A vítima ainda apontou que o homem se sentiu confortável para fazer o discurso preconceituoso simplesmente pelo fato delas estarem no carro dele. “Se uma pessoa acha que as coisas devem ser resolvidas na bala, a gente está dentro do carro dela e a gente não é nada do que ela concorda, talvez ela pense que ela pode resolver as coisas na bala com a gente. A gente ficou com muito medo”, declarou uma das mulheres para a publicação.

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O episódio ainda as deixou abaladas, sendo que uma delas chegou a ser amparada pelo segurança do shopping. “Ele achou que estava acontecendo alguma coisa, perguntou se precisava da assistência de um bombeiro para alguma questão de pressão”, contou. A dupla acabou indo para a delegacia, onde registrou o Boletim de Ocorrência. No entanto, elas assumiram o grande medo de levar adiante a história, já que o motorista sabe onde elas moram.

“Estamos consternadas mesmo. Não tem nem outra forma de classificar. É uma ameaça à nossa vida, uma ameaça direta à nossa vida. É muito estranho, porque a gente só está exercendo o nosso direito de ir e vir”, desabafou uma das vítimas. O casal também entrou em contato com a empresa Uber para denunciar o caso. “Pediram o nome do motorista, o carro e o número da placa. Eles falaram que vão tomar providências e falaram isso, apenas isso”, contou.

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Em nenhum momento o homem teria se sentido constrangido ao discriminar a comunidade a LGBTQ+ na frente do casal. Foto: Rolando Garrido para unsplash.com

Ao UOL, a empresa escreveu uma nota alegando que o motorista teve sua conta desativada no aplicativo no momento em que foi recebida a queixas das usuárias. A Uber ainda informou ter disponibilizado um serviço de suporte psicológico para as vítimas e se colocou a disposição para ajudar em quaisquer investigação que possa ser feita.

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“A Uber defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover o respeito, igualdade e justiça para todas as pessoas LGBTQIA+”, declarou. A Polícia Civil do Espírito Santo também foi procurada pelo UOL, mas não deu nenhum retorno.