Hugo Gloss

Caso Brent Sikkema: Polícia prende suspeito de matar galerista, revela detalhes do crime e aponta possível mandante de assassinato

Na última segunda-feira (15), um homem identificado como o sócio de uma galeria de arte em Nova York, Brent Sikkema, de 75 anos, foi encontrado morto em um apartamento no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Hoje (18), a Polícia Civil carioca prendeu um homem de 30 anos, suspeito pelo assassinato.

Segundo informações do g1, o suspeito – identificado como o cubano Alejandro Triana Trevez – foi identificado pela corporação com o uso de imagens de câmera de segurança e coleta de informações de testemunhas. A polícia realizou um trabalho intenso de inteligência e monitoramento, que os ajudou a descobrir o paradeiro do suspeito.

Trevez foi detido na BR-050, na madrugada desta quinta-feira, na altura de Uberada (MG). Ele estava dormindo dentro de um carro em um posto de combustíveis. Antes disso, ele teria fugido do Rio de Janeiro para a capital paulista. Ainda de acordo com as autoridades, o homem tinha em sua posse US$ 3 mil (cerca de R$15 mil) que seriam do galerista, mas negou qualquer envolvimento no crime quando foi abordado.

A operação contou com o auxílio de agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Civil de São Paulo e da Polícia Militar de Minas Gerais. As autoridades que comandam a investigação acreditam que o cubano pretendia alcançar a fronteira passando por Mato Grosso.

Investigação

Brent Sikkema foi encontrado morto na segunda-feira (15), dentro de sua casa, no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro. O corpo apresentava perfurações por arma branca, e foi levado para o Instituto Médico-Legal (IML) para autópsia. Desde então, o caso tem sido investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Atualmente, a principal linha de investigação é que Brent tenha sido vítima de um latrocínio — roubo seguido de morte. Além das 18 facadas desferidas contra o galerista, o suspeito teria roubado joias, bem como um valor equivalente a R$ 180 mil, entre dólares e reais. De acordo com as autoridades, a quantia seria usada por Brent para mobiliar um apartamento recém-comprado no Leblon.

Entretanto, a polícia não descartou a possibilidade de que o crime tenha tido um mandante. O principal suspeito seria o ex-marido de Brent, Daniel, que também é cubano. Desde o ano passado, Sikkema e Daniel travavam uma batalha judicial em torno do divórcio e da guarda do filho de 13 anos, que não via há algum tempo. O ex-marido exigia R$30 milhões e ainda uma pensão para que o galerista visse a criança, revelou a Folha de S. Paulo.

Brent Sikkema enfrentava disputa milionária com o ex-marido, Daniel. (Foto: Arquivo Pessoal)

Alexandre Herdy, titular da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), reforçou que “não há dúvidas” de que o crime foi premeditado. Ele também confirmou que a polícia interrogará o suspeito sobre sua possível conexão com Daniel. “Inicialmente, o inquérito apurou latrocínio. Não sabíamos de relação de autor do crime e a vítima. O autor do crime esteve aqui em meados do ano passado, e a vítima também. Agora, sabendo que o autor preso também é cubano, é uma nova etapa das investigações: a relação entre o autor e ex-marido. O objetivo agora é trazê-lo [o autor] para cá [Rio], ouvi-lo, ouvir uma testemunha. Acreditamos que muitas informações ainda possam surgir”, ressaltou.

“Não temos dúvidas que foi um crime premeditado. O que restam são dúvidas sobre a finalidade do crime, se foi roubar ou se teve outro motivo. Percebemos que o autor foi muito cuidado, manteve até o ar condicionado do quarto da casa ligado para chamar menos atenção”, acrescentou.

Herdy apontou, ainda, que Alejandro e Brent supostamente se conheciam. “Surgem informações de que autor e vítima eram conhecidos. Soubemos que ele esteve no Rio em julho do ano passado, ao mesmo tempo que Brent estava no Brasil. Uma testemunha não descarta que eles teriam se encontrado”, afirmou o delegado.

O crime

Nesta terça-feira (16), o RJ2 divulgou um vídeo de uma empresa de segurança e tecnologia que tem câmeras na porta da casa do norte-americano. Nas imagens, um homem é visto saindo de um carro estacionado em frente à casa do galerista. Ele entrou na casa do norte-americano sem obstáculos.

O homem apareceu sozinho na casa às 3h43 da madrugada. Poucos minutos depois, às 3h57, ele deixou o local. Na gravação, ele é flagrado ao tirar um par de luvas das mãos. Depois disso, o suspeito entrou no carro e foi embora. As câmeras de segurança mostraram, ainda, que o motorista de um carro vigiou a casa do galerista durante 14 hora antes do crime.

Um dos detalhes que chamou a atenção da polícia foi que o responsável não arrombou a porta da casa do norte-americano. Ele teria usado uma chave mista para entrar no local. “O autor foi bastante cuidadoso na ação criminosa. Nos chamou a atenção ele ter mantido o ar-condicionado ligado, provavelmente para evitar que os vizinhos percebessem os efeitos da morte em uma região em que as casas são bastante próximas, coladas”, observou Herdy.

Brent foi encontrado, já sem vida, por sua advogada e amiga, Simone Nunes. Ela foi até o imóvel do galerista após estranhar a falta de respostas de Sikkema ao longo do fim de semana. A polícia revelou que a amiga tinha as chaves da casa e, ao entrar no quarto, se deparou com o amigo morto na cama.

Brent Sikkema era dono da galeria de arte contemporânea Sikkema Jenkins & Co, fundada em 1991. No entanto, ele iniciou seus trabalhos artísticos em 1971 e abriu a primeira galeria em 1976, na cidade de Boston. Ele era casado e deixou um filho de 13 anos.

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