Péssimo! Milton Ribeiro, Ministro da Educação (!) dá série de declarações homofóbicas em entrevista: ‘Não é normal, e não concordo’

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, causou revolta nesta quinta-feira (24) ao afirmar, em entrevista ao “Estadão”, que a homossexualidade não seria normal. Ele também, em diversos momentos, tratou a questão como “opção”, desincentivou a educação sexual e declarou, erroneamente, que um vídeo de uma menina aprendendo a colocar um preservativo com a boca teria acontecido durante uma aula em escola.

O pastor presbiteriano, que tomou posse do ministério em julho, entrou no assunto ao afirmar que o Enem seria um balizador dos conteúdos que o MEC requer nas escolas. “Porque senão começa a falar lá de ideologia, sabe tudo sobre sexo, como colocar uma camisinha, tirar uma camisinha, sabe tudo. Fica gastando tempo com assuntos que são laterais. As crianças têm de aprender outras coisas”, pontuou.

Ao ser questionado sobre a educação sexual proteger crianças de abusos sexuais, o ministro deu um passo para trás, mas não mudou de opinião. “Nesse particular, sim. Existem temas que podem ser tocados para evitar que uma criança seja molestada”, ponderou. “Mas não o outro lado que é uma erotização das crianças. Tem vídeo que corre na internet das meninas aprendendo a colocar uma camisinha com a boca”, disparou ele.

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Ribeiro afirmou que o vídeo teria sido gravado dentro de uma escola, no entanto, ele foi filmado em uma universidade no interior da Bahia. “Está no YouTube, é só procurar. E a professora mostrando como é. Dizem que é para proteger gravidez indesejada, mas a verdade é que falar para adolescente que estão com os hormônios no topo sobre isso é a mesma coisa que um incentivo. É importante falar sobre como prevenir uma gravidez, mas não incentivar discussões de gênero”, declarou ele, iniciando o discurso homofóbico.

Milton Ribeiro fez jus ao governo que representa e esbanjou desinformação e preconceito (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Quando o menino tiver 17, 18 anos, ele vai ter condição de optar. E não é normal. A biologia diz que não é normal a questão de gênero. A opção que você tem como adulto de ser um homossexual, eu respeito, não concordo”, soltou, em uma sequência de erros. A jornalista, então, pontuou que a escola é um ambiente com prática de bullying, o que pode levar, por exemplo, à depressão e outros casos mais graves. “Não é importante fazer essa discussão dentro da escola?”, questionou Jussara Soares.

“Por esse viés, é claro que é importante mostrar que há tolerância, mas normalizar isso, e achar que está tudo certo, é uma questão de opinião”, rebateu ele, colocando ainda a culpa em supostas “famílias desajustadas”. “Acho que o adolescente que muitas vezes opta por andar no caminho do homossexualismo (sic) têm um contexto familiar muito próximo, basta fazer uma pesquisa. São famílias desajustadas, algumas. Falta atenção do pai, falta atenção da mãe”, prosseguiu, com seu discurso totalmente preconceituoso.

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Novamente, o ministro tratou a orientação sexual como opção. “Vejo menino de 12, 13 anos optando por ser gay, nunca esteve com uma mulher de fato, com um homem de fato e caminhar por aí. São questões de valores e princípios”, acusou. Ele também respondeu se é contra um professor transgênero na sala de aula. “Se ele não fizer uma propaganda aberta com relação a isso e incentivar meninos e meninas para andarem por esse caminho…. Tenho certas reservas”, esquivou-se.

O pastor apresentou um discurso fortemente homofóbico durante a entrevista (Foto: Reprodução/Youtube)

Na entrevista ao ‘Estadão’, Ribeiro ainda admitiu ter sido cobrado pelo presidente Jair Bolsonaro por ter recebido em seu gabinete, a deputada Tabata Amaral (PDT-SP), opositora ao governo. “Ele queria entender porque a Tabata publicou uma foto. Eu falei ao presidente que recebi a comissão (Comissão Externa da Câmara, da qual a deputada faz parte). É diferente isso. A mídia conservadora estranhou o fato de tê-los recebido, mas eu não vou mudar”, garantiu.

Nas redes sociais, as declarações do ministro repercutiram negativamente. “Em resumo, a entrevista do ministro da educação, no Estadão, é a seguinte: O Ministério da Educação não tem responsabilidade alguma em resolver o acesso desigual às aulas online e o retorno das escolas, mas deve se ocupar se o aluno é gay ou se professor é trans!”, indignou-se um jovem.

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A pré-candidata à vereadora Erika Hilton ainda afirmou que protocolou o impeachment do Ministro pela entrevista. “Estou protocolando o impeachment do Ministro da Educação de Jair Bolsonaro na PGR. Mal chegou e já comete crime, dizendo que homossexualidade acontece apenas em famílias desajustadas. Aparelhando o governo para influenciar milhões de famílias a odiarem seus filhos LGBTs. Chega!”, afirmou ela.

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