Entrevista: Grávida, Titi Muller revela ‘paranoia’ com coronavírus, explica abordagem com ex-BBBs, e critica ‘cultura do cancelamento’: ‘Acho um horror’

Vocês estão ouvindo?! Tá todo mundo pedindo… TITI MULLER! Passo a passo, da MTV para o Multishow, a apresentadora conquistou seu lugar na televisão e se tornou referência nas transmissões de grandes shows e festivais de música. Pontuam a seu favor, um carisma inquestionável, humor sagaz e a autenticidade para expor posicionamentos de forma leve, mas direta.

No ano passado, durante cobertura do ‘Rock in Rio’ para o canal pago, deu um dos vários exemplos de que não perde oportunidade. Ao perceber que inflava um coro contra o presidente Jair Bolsonaro, ela posicionou seu microfone em direção ao público, e alegou que os gritos clamavam pelo show da popstar Anitta. “Quando eu estava ali apresentando foi a primeira vez que aconteceu e foi no improviso. Quando comecei a falar mudaram a letra da música, então dei uma improvisada e mostrei assim mesmo. Quem escutar, escutou”, relembrou.

Sua carreira ainda vai além. Titi é responsável por comandar o programa de viagens “Anota Aí”, que estreia nova temporada no Multishow em junho, e as entrevistas do “A Eliminação”, com participantes recém-saídos do BBB 20. Ao dar voz para os brothers do reality show, a gaúcha refletiu sobre os problemas da cultura do “cancelamento” e o “linchamento virtual” que invadem a web atualmente. “Acho a coisa mais vergonhosa que nós vamos ver ao olhar para o passado. Eu acho um desserviço, acredito, inclusive, que várias meninas têm se perdido demais no discurso ao fazer vingança pessoal parecer feminismo quando não é”, analisou.

Titi acumula programas no Multishow e em breve se lançará numa nova função, na vida pessoal (Foto: Cama de Gato Fotografia)

Em junho, a comunicadora estreia uma nova função, a de mãe. Após sofrer um aborto espontâneo em janeiro do ano passado, Muller agora aguarda ansiosamente pela chegada de Benjamin, fruto do seu casamento com Tomás Bertoni. “Minha cabeça tá muito boa e tranquila, mas acho importante falar que eu fiquei com muito medo de ficar estressada e neurótica justamente pela quantidade de conteúdo sobre maternidade real que eu estava consumindo. É muito importante que existam, mas a gente precisa ter consciência que dá para ser leve a gestação”, pontuou.

Titi aguarda pela chegada de Benjamin (Foto: Cama de Gato Fotografia)

Confira a entrevista completa com Titi Muller:

Hugo Gloss: Você faz parte de uma geração de mulheres que tentam ao máximo desconstruir a ideia da gestação perfeita. Até que ponto isso tem sido positivo para você nessa gravidez e o que te incomoda? Existe algo que você imaginava de um jeito e é totalmente diferente?

Titi Muller: É bem diferente do que eu imaginava, porque querendo ou não, por mais que a gente tenha contato com mulheres que falam a ‘real’ sobre a maternidade, a gente sempre acaba idealizando que “ah, comigo não vai ser assim ou será assado”. Está sendo muito diferente do que achei que seria, para o bem e o mal. Eu achei que ficaria mais ansiosa, surtada, com insônia, mas desde que eu peguei o teste positivo, eu não tive uma sombra de ansiedade. Minha cabeça tá muito boa e tranquila, mas acho importante falar que eu fiquei com muito medo de ficar estressada e neurótica justamente pela quantidade de conteúdo sobre maternidade real que eu estava consumindo. É muito importante que eles existam, mas a gente precisa ter consciência que dá pra ser leve. Dá pra fazer uma lista infinita de perrengues, mas dá para ser leve e não tem como explicar como é o amor que sentimos. Esse poder que a gente sente e compensa todo o resto. Juro que se não fosse esse coronavírus no último trimestre, teria sido a fase mais feliz da minha vida. Agora, é claro, que está todo mundo aflito.

HG: Com certeza. Inclusive, por conta da pandemia , você agora vai participar do programa “A Eliminação” por videochamada, para se resguardar ao máximo. Como tem sido viver esse período tenso estando grávida?

TM: Olha, a gravidez por si só não é um fator de risco, depende muito de cada gestação e cada grávida. Eu, desde o início da gravidez, fiquei com a imunidade muito baixa, gripei várias vezes, tive anemia e precisei de infusão de ferro. Então, agora eu tô paranoica, não vou sair de casa, dispensei a funcionária aqui de casa, mas sigo pagando ela normalmente. Quero ter o mínimo de contato com as pessoas nas próximas semanas. Até dois dias atrás eu não estava preocupada desse jeito. De sexta para cá que a ficha caiu que vamos precisar enfrentar o isolamento mesmo. E aeroporto é uma zona vermelha, né? Não era o caso de pegar um avião agora e outro só depois. Era toda semana e ficava muito tempo no aeroporto. E dá pra participar do programa por videoconferência. Tiveram várias adaptações, interrupções em novelas, mas o “A Eliminação” seguirá, até porque se tem uma alegria do brasileiro hoje, é o “BBB”, com certeza. Não pode parar! [Risos]

HG: Você chegou a comentar que houve diversas mudanças no seu corpo e alguns perrengues no início da gravidez. Como está atualmente? Isso afetou sua autoestima de alguma forma? Como o Tomás, seu marido, tem te ajudado?

TM: Não vou mentir, agora eu juro que nem percebo mais, mas o corpo muda muito rápido. É assustador! Eu tô olhando agora pro meu joelho e eu tô com celulite no joelho. E foi de uma semana para a outra, eu falei: “Gente, o que tá acontecendo com meu corpo?!”. Mas é muito rápido para assimilar. É claro que a gente se preocupa com a aparência e acha que “ah, nunca mais vou voltar pro meu corpo”, mas cara, realmente, é irrelevante, sabe? Eu olhava para as mulheres que engordaram e falavam que demoraram dois anos para recuperar o corpo de antes, e às vezes nem recuperou, mas tudo bem. Porque é tanta coisa mais importante que priorizamos o que realmente importa. Eu olho um ultrassom e a última coisa que penso é na celulite. O Tomás tem sido maravilhoso, super fofo, fica o tempo todo me elogiando, falando que sou linda, passando a mão na barriga. No início, que foi o momento mais tenso por conta de enjoos e por ser o momento mais delicado da gestação, ele não estava comigo porque eu estava gravando o “Anota Aí”, mas minha equipe ajudou muito. Se não fossem eles, nem sei se conseguiria terminar de filmar a temporada.

 

HG: Em janeiro de 2019, você sofreu um aborto espontâneo. Como foi lidar com essa perda? Recorreu a algo, como a terapia? Isso impactou o desejo de ser mãe em algum momento?

TM: Eu não recorri a terapia, porque eu já fazia na verdade. Mas olha, foi muito louco, porque foi um sentimento ambivalente. A gravidez foi meio sem querer querendo, foi planejada, mas não da maneira que foi com o Benjamin agora, que a gente batalhou pra engravidar em um determinado mês. Na primeira foi “vamos liberar e ver o que acontece”. Eu já estava com o desejo de ser mãe, o Tomás super queria também. Quando o teste deu positivo, eu entrei em pânico! Fiquei com a sensação de “meu Deus, e agora o que vai acontecer?”, bem ansiosa, sem dormir. Eu ficava pensando em como resolver as coisas que eu queria ter feito antes de engravidar. Apesar de ter conseguido engravidar e esse outro bebê ser muito bem-vindo, eu pensava no casamento, tinha uma super viagem no meio do ano, então era muito ambivalente. Quando eu perdi, me senti muito culpada por não ter sentido mais. Ficava pensando: “Ah, isso aconteceu porque eu não fiquei tão feliz quanto deveria ter ficado”. Isso é totalmente normal, não significava que eu estava rejeitando o bebê, mas nas primeiras semanas são muitos hormônios, a gente fica maluca mesmo. Mas fiquei muito culpada, apesar de ter feito tudo certinho e ter sido com sete semanas, bem no inicinho. E aí que você vê o quanto é carregado de culpa a gestação, mas depois foi super trabalhado na terapia e eu tive um ano pra entender esse sentimento e foi super importante ter passado por isso, para ficar mais tranquila agora. Fui carregada por muita autoestima, esperança e um sentimento que tudo vai dar certo. Estamos muito felizes!

HG: Desde os tempos da MTV e agora, talvez de forma mais expressiva e irreverente no Multishow, você traz suas ideias e posicionamentos políticos para a TV. Qual a importância que você sente em se manifestar dessa forma? Alguma vez isso já te atrapalhou ou rendeu um “puxão de orelha”?

TM: Eu não vejo sentido em usar minha voz como ferramenta de trabalho se não for com a liberdade que eu tenho desde quando eu comecei a trabalhar na TV. Eu entrei na MTV, que era uma emissora super libertária e anárquica, que eu tinha liberdade total pra falar tudo que eu quisesse. Eu entrei por acaso na TV, né?! Eu fui convidada para um podcast e as coisas foram evoluindo e fui encontrando meu espaço como comunicadora na medida em que as coisas foram acontecendo. Eu não consigo ver sentido pra mim, e entendo que cada um tem motivações diferentes dentro da comunicação, continuar trabalhando sofrendo censura. Uma coisa é receber um briefing, seguir pauta, e outra diferente é ser censurada. Eu nunca tive um “puxão de orelha”, nem na MTV, nem no Multishow. Tô muito feliz neste momento de ter esse espaço pra poder falar o que eu quero, dar minha opinião e poder tocar tanta gente de uma forma leve. Isso é uma ferramenta que vou usar enquanto puder, é muito importante, principalmente nesse momento que estamos vivendo.

Titi Muller iniciou sua carreira na TV no extinto “Acesso MTV” ao lado de Mari Moon. (Foto: Reprodução/MTV Brasil)

HG: ‘A galera está pedindo Anitta há muito tempo’ foi algo que viralizou e que muitos consideram como uma sacada genial sua para dar voz àquele discurso. Foi algo total de improviso? Te incomodava ter que tentar ignorar esses gritos e fingir que nada estava acontecendo?

TM: Quando eu mostrei, foi a primeira vez que tava rolando o grito ao vivo, porque todo dia rolou, né? Foi o hino do Rock in Rio! A música mais pedida! Mas quando eu estava ali apresentando, foi a primeira vez que aconteceu e foi no improviso, tanto que estavam gritando pelo nome da Anitta, mas quando comecei a falar, mudou a letra da música, então dei uma improvisada e mostrei assim mesmo. Quem escutar, escutou.

HG: Também teve o “Vai dar PT”, né?! Na época, o Multishow disse publicamente que os apresentadores do canal devem evitar temas como política e religião… Não pinga um pouco de receio? Como você avalia a liberdade na empresa?

TM: Ninguém me falou nada sobre isso, nunca foi um assunto. Eu sou tão segura dentro do canal e com meus chefes que isso nunca nem foi pauta pra mim, pelo menos. Teve outras coisas que conversamos sobre as transmissões ao vivo, sobre pauta, mas tudo que a gente fala, principalmente em festivais de música, é muito aberto. Não sou só eu que falo, todos os apresentadores têm liberdade total.

HG: Principalmente nessa edição do “BBB”, você entrevistou alguns participantes que tiveram posturas machistas no confinamento. Como é ter “jogo de cintura” para dar as alfinetadas como você faz e ao mesmo tempo não chegar ao ponto de entrar em uma espécie de conflito com eles?

TM: A gente não tá ali pra julgar ninguém de verdade. O “BBB” é um programa que as pessoas se inscrevem para serem julgadas pelo público, então assim, tudo que eles fazem a gente mostra e não deixa de falar nenhum assunto. A gente tocou em todos os assuntos, mas não cabe ao apresentador linchar as pessoas. Inclusive, isso até me incomoda bastante, porque tá rolando uma histeria e não tá contribuindo em nada com nosso diálogo. Esse linchamento virtual que tá rolando não tá nem um pouco saudável. Povo fica falando “Ah, ‘janta’ ele!”, eu tô com tanto refluxo, não vou jantar ninguém, deixa eu trocar uma ideia com a pessoa aqui de boa. Eu não entrevistei o Hadson e Pétrix porque estava passando mal, mas com o Lucas, por exemplo, a gente trocou uma ideia, falamos de todos os assuntos e sem perder o humor, ele gostou bastante do programa, o público gostou. Então vai muito também da interpretação de cada um também, mas a gente realmente não está lá pra julgar ninguém.

HG: Você assistia às demais temporadas do programa antes de ser convidada para apresentar o ‘A Eliminação’? Quem você acha que tem força para chegar à final do BBB20?

TM: Assistia, sempre gostei bastante de “BBB”. Já tem três anos que eu apresento o “A Eliminação”, então nesse tempo eu tenho assistido muito mais. Sobre quem deve ganhar, cada semana tá totalmente diferente, eu prefiro não me comprometer. No “Jogo da Discórdia” eu sou a isentona. As pessoas que eu achava favoritas estão sendo massacradas no Twitter e podem sair com rejeição. Tem muita água pra rolar ainda!

HG: Você já se sentiu desconfortável ao entrevistar algum artista ou ex-BBB?! O que aconteceu?

TM: Nunca aconteceu, o mais perto disso foi o calor que eu sentia fazendo entrevistas com os ex-BBBs no Projac. Até ano passado, a gente conversava com os eliminados lá, então o mais perto de desconforto era o calor mesmo. Qualquer pessoa que quiser vir falar comigo, eu vou falar com o maior prazer. Eu não cancelo ninguém!

HG: Já se arrependeu de ter feito ou não algo profissionalmente? O quê?

TM: Vou ser bem honestona… [Risos] Nunca me arrependi de fazer nada, mas existe um piloto de um programa de namoro que eu e Didi Efe fizemos para o “Verão MTV”, mas a emissora já estava falida. E foi o programa mais tosco da face da Terra! Foi aquela coisa que a gente fez com papel crepom e durex, que era o que dava pra fazer. E era uma baixaria… Graças a Deus nunca foi ao ar! Mas nem me arrependo, porque pelo menos na hora a gente dá umas risadas.

HG: Na internet, as pessoas costumam te rotular como “perfeita, sem defeitos”, “fada sensata”, “rainha do deboche”. Te incomoda de alguma forma ou gera uma pressão para que, de fato, você não cometa nenhum deslize?

TM: Acho assim, todo mundo precisar partir do princípio que todo mundo erra e tem defeito. Não me incomoda quando o discurso é direcionado diretamente pra mim, mas é um pouco preocupante porque gera uma expectativa que é irreal. Ninguém nunca vai ser perfeito. Falar que a pessoa é “perfeita, nunca errou” gera toda uma expectativa e quando ela errar uma única vez, o tombo vai ser muito grande e as pessoas vão ficar muito decepcionadas. Criar isso mexe em um lugar muito profundo das pessoas, por isso que vem esse sentimento muito horroroso delas de se sentirem enganadas. Fica aquilo  de “nossa, mas você não era perfeita?”.

HG: O que você acha da cultura do “cancelamento” na web atualmente?

TM: Eu acho um horror! Acho a coisa mais vergonhosa que nós vamos ver ao olhar pro passado. Estamos nos comportando como os fãs do Justin Bieber em 2010 quando eu apresentava o “Acesso MTV”. Até porque assim, quando tudo é motivo para cancelamento, no final das contas nada é. Tudo é motivo pra linchamento e quando algo realmente grave acontece, se perde. Eu acho um desserviço, acredito, inclusive, que várias meninas têm se perdido demais no discurso ao fazer vingança pessoal parecer feminismo, quando não é. Tem que realmente analisar caso a caso e não sair nessa loucura, essa gritaria que ninguém se ouve. Até porque acaba com a vida de pessoas real! Tem tanta gente que precisa realmente ser cancelada, sabe?! Cancela um monte de políticos aí!

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HG: A sétima temporada do ‘Anota Aí’ já tá toda gravada, né? O que mais te surpreendeu e quais são as lembranças que guarda dessa viagem?

TM: Sim! A gente gravou em novembro na África do Sul, passamos por várias cidades durante um mês filmando todos os dias. E tá muito lindo! Eu ainda não assisti, mas todo mundo que viu disse que tá lindo. Falaram que essa é a melhor temporada até agora. Eu tava grávida já, então o que eu mais lembro é que foi muito difícil gravar, mas ao mesmo tempo o sentimento era muito prazeroso. Foi um privilégio enorme poder apresentar grávida. Não dá pra ver a barriga e eu não falo sobre isso em nenhum episódio, mas foi muito especial mesmo. Eu quero voltar e refazer tudo de novo, e, se possível, levar o Benjamin, porque tem vários programas para crianças envolvendo a natureza. Cada vista que assim, é uma surra! A cultura, a comida, o povo, é tudo muito especial.

HG: O que de mais curioso você conheceu na África do Sul?

TM: Teve alguns sentimentos ambivalentes nessa temporada, porque mostramos coisas muito duras também. A gente falou bastante sobre o apartheid, a questão racial… Tomamos todo o cuidado e respeito do mundo, porque é uma questão muito recente, delicada e presente ainda, e não tinha tido a oportunidade pra gente falar sobre o assunto no programa. Nós nunca tínhamos feito uma temporada inteira em um país com uma questão racial tão importante como é lá. Os roteiros e pautas foram muito estudadas, consultadas por pessoas que fazem parte desse lugar de fala e sabem mesmo sobre essa parada que rola lá. Então, temos episódios com assuntos mais pesados, mas que são super importantes de serem mostrados no “Anota Aí”. Se a gente é turista, vai para um país assim e fecha os olhos para isso, não estamos fazendo nosso papel de “desbravador do mundo” de uma forma correta. A vida não é só tomar vinho branco e ficar olhando para uma vista. É preciso vivenciar tudo isso, até para aprender e não permitir que se repita na história.

HG: Tem algum lugar que você visitou pelo programa e que não voltaria jamais?

TM: Nenhum, eu gostei de todos!

HG: Além do ‘Anota Aí’, você já pensa em algum projeto para este ano? Ou para os próximos anos… o que você ainda quer?

TM: O “Anota Aí” entra no ar em junho, mesmo mês que o Benjamin vai nascer. Depois eu fico de licença-maternidade e volto com a rotina do canal em vários projetos. Em outubro tem o “Prêmio Multishow”, que eu vou participar. O Lollapalooza eu vou conseguir fazer porque eles adiaram para dezembro e antes ia ser agora em abril, e eu não iria poder fazer. Depois vamos gravar uma nova temporada do “Anota Aí” em 2021, ainda não sei a data e destino, mas espero que seja um lugar bom para crianças, porque queria poder levar o Benjamin junto.