Até Anna Wintour se rendeu à Miranda Priestly. Nesta terça-feira (9), a ex-editora da Vogue deu uma rara declaração sobre a interpretação de Meryl Streep no clássico “O Diabo Veste Prada“. É de conhecimento geral que a personagem foi diretamente inspirada em Wintour, que liderou a revista por quase quatro décadas.
Em entrevista ao podcast The Run-Through with Vogue, Wintour afirmou que não se sentiu ofendida com a personagem vivida por Meryl. “Eu fui à estreia usando Prada. Sem ter a mínima ideia do que o filme seria”, lembrou. “E eu acho que a indústria da moda [estava] muito gentilmente preocupada comigo em relação ao filme, que ele iria me retratar de uma forma difícil”, continuou. No entanto, quando o apresentador David Remnick sugeriu que a personagem seria “cartunesca”, ela concordou: “Sim. Uma caricatura”.
Apesar disso, a ex-editora deixou claro que encarou a produção com leveza. “Antes de tudo, foi Meryl Streep, o que é fantástico. E depois fui assistir ao filme e achei muito divertido e muito engraçado”, declarou. Ela ainda ressaltou que o longa é recheado de “humor” e “inteligência” e elogiou o elenco: “Tinha Meryl Streep… Tinha Emily Blunt, quer dizer, todas eram incríveis. E eu, no final, achei que foi uma aposta justa”.

O filme de 2006 é baseado no livro de Lauren Weisberger, ex-assistente de Wintour. A autora teria se inspirado em sua passagem pela Vogue para criar a personagem Miranda Priestly, uma editora de revista implacável que dirige a fictícia Runway com mãos de ferro. Na trama, Anne Hathaway interpreta Andy Sachs, uma jovem jornalista que tenta sobreviver ao ambiente de trabalho caótico e abusivo. Dirigido por David Frankel, o longa está com uma continuação em produção, com o retorno do elenco principal.
Segundo a biografia assinada por Amy Odell em 2022, Wintour nunca deu muita importância ao livro original. “Quando Anna soube do livro, ela disse à [editora-chefe Laurie] Jones: ’Não consigo me lembrar quem é aquela garota’”, escreveu Odell. Já em uma exibição privada do filme, a filha de Wintour, Bee Shaffer, teria dito à mãe que o longa “realmente acertou” na caracterização da personagem inspirada nela.

A editora, que deixou o cargo de chefe da Vogue US em junho, após 37 anos à frente da publicação, nomeou Chloe Malle como sua sucessora. Ela permanece como diretora global de conteúdo da Condé Nast e da Vogue internacional.
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