Jornalista Augusto Nunes dá tapa na cara de Glenn Greenwald ao vivo no ‘Pânico’; veja vídeo

Na tarde desta quinta-feira (7), o jornalista da RecordTV Augusto Nunes agrediu fisicamente Glenn Greenwald, do “The Intercept Brasil” durante participação no programa de rádio “Pânico”, da Jovem Pan. Em dado momento, o vencedor do prêmio Pulitzer chamou o outro convidado de “covarde” por conta de insinuações feitas já de um tempo e acabou levando uma espécie de tapa no rosto. Augusto – que também trabalha na Jovem Pan – acabou afastado do restante da atração.

Já no início do programa, Glenn fez questão de ressaltar que só fora saber da presença de Nunes na edição quando chegou na rádio. Pego de surpresa, o norte-americano não hesitou em questionar o jornalista sobre declarações feitas a respeito de sua família e da criação de seus dois filhos com o marido, o deputado federal David Miranda. “Nós temos muitas divergências políticas, eu não tenho problema nenhum em ser criticado pelo meu trabalho – eu critico ele também. Mas o que ele fez… (O que) ele disse nesse canal, na Jovem Pan, foi a coisa mais feia e suja que eu vi na minha carreira como jornalista, inclusive fazendo guerra com CIA, governo Obama, governo do Reino Unido“, começou o fundador do The Intercept Brasil.

Ele disse que um juiz de menores deveria investigar nossos filhos e decidir se nós deveríamos perder nossos filhos. (Que) eles deveriam voltar para o abrigo, com base nenhuma. Acusando que estamos abandonando, fazendo negligência de nossos filhos. A coisa mais nojenta que eu vi na minha vida. Eu quero saber se você acredita que um juiz de menores deveria investigar nossa família com possibilidade de tirar nossos filhos de nossa casa, sem pai nem mãe, sem família nenhuma“, prosseguiu ele.

Augusto, por sua vez, debochou de Glenn dizendo que esse não saberia interpretar ironias. “Essa é a prova de que o Brasil criou o faroeste à brasileira. Quem tem que se explicar é quem comente crimes, quem fica cobrando quem age honestamente. Ouça-me: o que eu disse, vocês vão perceber, é que ele não sabe identificar ironias, não sabe identificar um ataque bem-humorado. Convido ele a provar em que momento eu pedi que algum juizado fizesse isso. Disse apenas que o companheiro dele passa o tempo em Brasília, e ele passa o tempo todo lidando com material roubado. Quem vai cuidar dos filhos? É isso!“, elaborou Nunes.

Você é um covarde! Você é um covarde! Eu vou falar o porquê“, reagiu Glenn, sendo interrompido com a agressão de Augusto. Os dois se levantaram e então, Glenn tentou revidar. A essa altura, ambos já estavam segurados por integrantes do programa de rádio. Assista a partir de 1:55:

Com o embate físico, a atração ficou fora do ar por 12 minutos. “Pra brigar, vocês são dois pu** bost* (sic). Nem mulher briga tão feio que nem vocês, Glenn“, disse Emílio Surita, apresentador do “Pânico”, ao retornar com o programa. Por fim, o anfitrião pediu que Glenn não mencionasse mais o nome do contratado da casa. “Chamou o cara de covarde e ele perdeu a estribeira. Não vem querer se fazer não… Eu sei que você é gringo, tem dificuldade de conversar“, reclamou Emílio.

Agora há pouco, Glenn lamentou o episódio e a reação de alguns setores em vídeo publicado em sua conta no Twitter. “O uso da força física e da violência no debate político é muito grave. Neste momento já estamos vendo – e isso não deve surpreender ninguém – que o movimento de Jair Bolsonaro, do Olavo de Carvalho e do PSL está aplaudindo e apoiando esse uso no debate porque trata-se de um movimento fascista. E fascistas pensam assim: eles querem a violência“, apontou o jornalista norte-americano.

Eu acredito muito no diálogo com pessoas de ideologias diferentes e por conta disso fui à Jovem Pan. Mas esse princípio apoiado por eles, de que é justificável usar a violência pode muito fácil ir para as ruas, para o debate político. E isso é muito grave“, advertiu. Assista:

Augusto, por sua vez, em entrevista à Folha, disse não se arrepender “nem um pouco” da agressão física cometida. “Eu fui insultado moralmente. Aí adverti para que ele não usasse a palavra ‘covarde’, que é insultuosa, que é grave. Adverti cinco vezes, ele insistiu. Eu tinha duas opções: ou reagir com altivez ou engolir o insulto. Não tive alternativa. Eu reagi como qualquer homem reagiria. O agredido fui eu. Eu reagi a uma agressão“, declarou o colunista do Jornal da Record.

Nunes ainda afirmou que fará “a mesma coisa toda vez que for insultado repetidas vezes mesmo diante de uma advertência“, e que Glenn “pode fazer o que quiser” no que diz respeito às providências legais. “Eu me sinto completamente tranquilo. Saí de lá (do estúdio) em paz comigo mesmo. Não havia o que fazer“, concluiu.

O entrevero entre eles se tornou explícito no início de setembro, quando Nunes questionou a criação dos filhos de Glenn e David Miranda. No dia 1° daquele mês, durante o programa “Pingo nos Ís”, da própria Jovem Pan, o jornalista paulista disse exatamente: “Estava pensando nesse casal: o Glenn Greenwald passa o dia tendo chiliques no Twitter ou trabalhando como receptador de mensagens roubadas; esse David fica em Brasília lidando com rachadinhas, que essa é a suspeita aí, que isso dá trabalho… Quem é que cuida das crianças que eles adotaram? Isso aí o Juizado de Menores deveria investigar”. 

Glenn, na ocasião, reagiu, criticando os limites atravessados por Augusto. “Fiz jornalismo em dezenas de países no mundo democrático. Um limite absoluto, até em combate político, é não usar os filhos menores como alvo. A única exceção que conheço é o movimento Bolsonaro e esse lixo da Jovem Pan e da Veja“, lamentou no Twitter. “Se dois pais trabalham, o Estado deve investigar seus filhos?“, questionou, por fim.