Billie Eilish revela ter sofrido com relacionamento abusivo no passado, e desabafa: ‘Vivi um inferno’

A habilidade de despejar emoções nos trabalhos com certeza é um dos fatores que corroboram para que artistas alcancem o sucesso. Billie Eilish faz isso com maestria e agora, além de dividir particularidades através de suas canções, a ganhadora de cinco Grammys mostrará mais detalhes de sua vida pessoal no documentário “The World’s A Little Blurry”, que estreia em 26 de fevereiro, na Apple TV+.

Em entrevista concedida à Vanity Fair, a cantora contou um pouco mais sobre o projeto, que trará um olhar intimista sobre um assunto delicado: um relacionamento abusivo vivido por ela. Bastante sentimental, Billie guarda uma caixinha de recordações – boas ou ruins – debaixo da cama. “Tenho perfumes nessa caixa. Pequenos frascos de perfumes que cheiram exatamente como eu cheirava naquele relacionamento”, lembrou, sobre seu primeiro amor. “E outro que cheira como esse alguém que me abusou mentalmente”, declarou na sequência, em papo publicado hoje (25).

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Eilish confessou que até então, não se sentia confortável para falar sobre a relação. “Essa foi uma grande parte da minha vida. E ninguém sabia disso. Essa era a principal coisa que estava assumindo o controle da minha vida”, desabafou. Não foi fácil, inclusive, para a artista assistir ao documentário pronto. “É realmente sobre minha vida, sobre mim, de uma forma que eu não estava esperando ver e foi brutal reviver tudo aquilo. Eu estava vivendo um inferno em momentos da minha vida e agora posso assistir de outra perspectiva”, avaliou.

“Essa era a principal coisa que estava assumindo o controle da minha vida”. (Foto: Getty)

Processo de autoaceitação

Por bastante tempo, Billie sofreu muito por não se encaixar 100% nos padrões de beleza impostos pela sociedade. Ainda em novembro do ano passado, a cantora foi fotografada saindo de sua casa com roupas casuais – um short de moletom e uma blusa regata. As imagens repercutiram fortemente na web e o corpo da artista entrou em pauta.  “Acho que as pessoas ao meu redor se preocuparam mais com isso do que eu, porque o motivo pelo qual eu costumava me cortar, era meu corpo. Para ser honesta, eu comecei a usar roupas largas para esconder meu corpo”, desabafou.

Após passar por um longo processo de autoaceitação, Eilish agora não se abala mais com as críticas. “Fico feliz que agora estou num outro momento da minha vida, porque se isso tivesse acontecido três anos atrás, quando eu estava numa relação terrível com meu corpo – ou quando eu dançava, uns 5 anos atrás… Eu passava fome. Lembro de tomar remédios que prometiam emagrecimento quando eu tinha 12 anos. Era uma loucura, eu nem acredito… É, eu pensava que eu seria a única pessoa a ter que lidar com o ódio pelo meu corpo, mas pelo visto, a internet também o odeia. A internet odeia as mulheres”, lamentou.

Posicionamento político

Também na conversa, a cantora se demonstrou aliviada e esperançosa diante da saída de Donald Trump do cargo de presidência dos EUA. O tema “política” sempre foi algo muito debatido e de grande importância na família da jovem, que ao longo das últimas eleições norte-americanas, fez questão de usar sua plataforma para incentivar a ida do povo às urnas. O próprio Joe Biden chegou a compartilhar um vídeo feito pela cantora em seu perfil: “Vou apenas dizer o que a Billie Eilish disse: Votem como se suas vidas dependessem disso”.

“Eu fiquei muito orgulhosa de mim mesma. Vários dos meus amigos me mandaram mensagens dizendo que estavam orgulhosos de mim também. ‘O Trump tem medo de você’, eles diziam. E eu pensei, pode crer!”, disse, aos risos.

Assim que o resultado elegendo Biden foi anunciado, Eilish fez uma grande festa. “Eu estava com meus cavalos o dia todo. Estava tentando me distrair e despejar minha energia com os cavalos, o que foi ótimo”, declarou a artista, que cavalga desde pequena. “Quando os canais de notícia anunciaram, eu imediatamente comecei a gritar e pular, e eram oito horas da manhã. E todos os vizinhos fizeram o mesmo”,  lembrou.

Ela inclusive pegou alguns dos fogos de artifício que não foram usados na celebração do 4 de julho, e resolveu dar uso aos itens. “Eu acendi aqueles p*tos. Há um milhão de coisas que precisam ser melhoradas, mas só de tirarmos aquele laranjão de m*rda da Casa Branca, já é a melhor coisa que pode ter acontecido”, encerrou.